Instrução Fisioterapia

Recupere-se da entorse no tornozelo

10 passos básicos para se reabilitar de uma entorse no tornozelo em sete dias

Por Fábio Oliveira em 26 de Dezembro de 2013 às 00:00

ENTORSE DE TORNOZELO. Estatisticamente, é uma das lesões mais comuns no esporte profissional e amador e fatalmente deixam o atleta longe das quadras por um bom tempo. Os tenistas, obviamente, não estão livres desse acometimento que pode ser classificado em primeiro, segundo e terceiro grau conforme a gravidade e comprometimento das estruturas ligamentares envolvidas.

Vale lembrar, nem sempre a entorse de tornozelo é um grande problema. Com um tratamento bem planejado, uma disponibilidade diária para as atividades reabilitativas e, principalmente, muita disciplina, um tenista pode se recuperar de uma entorse em um período de sete a 10 dias, levando em consideração a individualidade biológica de cada ser humano em responder aos estímulos do tratamento.

Todo jogador deve ter em mente que iniciar o tratamento precocemente é crucial para um retorno rápido aos treinos e competições, mas também é muito importante que sejam respeitadas todas as fases de recuperação fisiológica do corpo. Após a ocorrência de uma entorse, o primeiro sinal notável é um inchaço, que vem seguido de perda de força e estabilidade articular – e, dessa forma, elaboramos um roteiro para ajudar os tenistas a lidar com essa lesão e facilitar a volta às quadras.

Reabilitação acelerada passo a passo

Primeiro dia

1. Gelo
A primeira ação a tomar após uma entorse de tornozelo é a aplicação de gelo. De preferência, coloque o pé em imersão em um balde de gelo (3 x 10 minutos). A sua propriedade anti-inflamatória é extremamente importante no controle do processo inflamatório e na redução do inchaço.

2. Compressão
Imediatamente após a aplicação do gelo, realize uma bandagem compressiva e mantenha os pés em elevação (em relação ao nível do quadril). Pode-se usar uma bandagem elástica, mas o recomendável é uma funcional em “sports tape” ou esparadrapo para garantir imobilização da articulação lesionada, em posição neutra.

3. Exames Complementares
Mesmo sendo diagnosticada como uma entorse leve ou moderada (1º ou 2º grau), é altamente recomendável que o atleta procure um médico ortopedista para realizar exames complementares (radiografia). Eles permitirão constatar a presença de algum tipo de fratura ou acometimento de outras estruturas. Tendo sido descartada a hipótese de fraturas, ou outro acometimento, o atleta pode seguir para o passo 4.

Primeiro, segundo e terceiro dias

4. Bandagem Funcional e Repouso
Ainda no primeiro dia, o atleta deve permanecer com uma bandagem funcional que neutralize as articulações do tornozelo e se manter em repouso, com os pés em elevação o maior tempo possível, de forma a facilitar o retorno venoso. Esse procedimento deve ser feito até que o processo inflamatório esteja eliminado.

A aplicação do Kinesio Taping mostra-se muito útil nesse momento, desde que seja aplicado com a finalidade de contribuir com a redução do edema e do processo inflamatório.

Apesar de não ser do âmbito fisioterapêutico, podemos dizer que o uso de anti-inflamatórios não-esteroides pode ser útil no controle da inflamação, dor e inchaço. Provavelmente, esses medicamentos serão recomendados pelo médico que você visitou ao cumprir o passo 3.

Terceiro e quarto dias

5. Massagem
Ao terceiro dia, já é possível iniciar a aplicação de massagens suaves com a finalidade de drenar o líquido remanescente ao redor da estrutura acometida. Essas massagens devem ser feitas várias vezes ao longo do dia, mas, de preferência, próximas ao período de descanso.

As mobilizações articulares de grau 1 também devem ser iniciadas precocemente (tão logo a inflamação for controlada) para recuperar a amplitude de movimento do tornozelo. Além disso, com essas manobras, evita-se uma possível contratura do tendão de Aquiles e, portanto, não reduz a possibilidade de limitação na dorsiflexão.

Exercícios de bombeamento (flexão-extensão do tornozelo) também são bastante recomendáveis nessa fase da recuperação.

Quinto dia

6. Massagens e mobilizações mais profundas
Por volta do quinto dia já será possível realizar massagens mais profundas para remodelação articular e liberação miofascial, além de mobilização articular para os membros inferiores (levando em consideração o limiar doloroso), sobretudo na região dos músculos fibular e tibial anterior, para recuperar, definitivamente, a amplitude de movimento.

É provável que esse momento seja uma importante fase do processo de cicatrização ligamentar, pelo que a eletroterapia (ultrassom e laser) é recomendada para realinhamento das fibras de colágenos e manutenção de consistência de um ligamento forte.

Sexto e sétimo dias

7. Fortalecimento muscular
É bastante provável, que ao sexto dia, a amplitude de movimento já esteja recuperada – considerando um padrão de funcionalidade para o esporte. Por isso, nessa fase deve-se dar ênfase ao fortalecimento muscular de todo o membro inferior. Exercícios com tubo elástico de resistência ou exercícios ativos resistidos são ferramentas úteis para completar essa fase.

Iniciar o tratamento precocemente é crucial para um retorno rápido às quadras, mas também é muito importante que sejam respeitadas todas as fases de recuperação fisiológica do corpo

8. Banhos de contraste
Esta técnica deve ser realizada através de imersão em balde de água com gelo e em balde de água quente, durante 20 minutos consecutivos.

Sétimo dia

9. Agilidade e estabilidade articular (propriocepção)
Após a recuperação da força nos movimentos do tornozelo, pode-se iniciar os treinamentos de estabilidade articular (propriocepção), equilíbrio, agilidade corporal e coordenação motora desportiva.

Exercícios básicos, porém úteis para completar essa fase são:

  • Equilíbrio unipodal; olhos abertos, evoluindo para olhos fechados, passagem de bola (com os pés e com as mãos), plataformas instáveis (macias e duras).
  • Saltos bipodais;
  • Saltos unipodais;
  • Corrida leve (em pisos variados), evoluindo para atividades com saltos e movimentações diversificadas.

10. Retorno ao esporte
Quando o atleta consegue efetuar todas as tarefas do passo 9, sem dificuldades e incômodos, poderá reiniciar a atividade desportiva suavemente. É extremamente importante que, após um episódio de entorse de tornozelo, todos os treinos mais intensos e jogos competitivos sejam feitos com uma bandagem funcional.

Tempo certo

Para um tenista, o tempo é crucial na busca de pontos para subir no ranking. E um dos erros mais comuns na recuperação após uma entorse está relacionado ao tempo. Normalmente, as sessões fisioterapêuticas têm duração de uma hora, mas para um jogador de alto nível, esse tempo não permite uma reabilitação acelerada.

Como fator decisivo no período total de recuperação, um atleta profissional, ou candidato a profissional, deve se dedicar integralmente à reabilitação. É sugerido, inclusive, que 80 a 90% do tempo de treino diário seja substituído por sessões fisioterapêuticas com o intuito de ultrapassar as fases de recuperação natural do corpo de forma mais acelerada. Nos restantes 10 a 20%, devem ser utilizados métodos/atividades de manutenção do fitness que não influenciem ou sofram influências do local lesionado.

Este artigo aborda passos úteis, porém básicos para tratamento de entorses de primeiro e segundo grau (distensão ligamentar), de forma rápida e eficiente. Apesar disso, é importante evidenciar que todas as fases supracitadas não substituem o tratamento feito por um especialista e, portanto, devem ser acompanhadas, e, muitas vezes, realizadas especificamente por um fisioterapeuta com habilidades em traumatologia e ortopedia aplicada ao esporte.

Tenha muita disciplina na sua recuperação e acredite que o trabalho duro compensa no fim.

Mais informações:
Fábio Oliveira - www.fabiofisiosports.com


Preparação Física/Fisioterapia entorse de tornozelo lesão reabilitação passo a passo

Artigo publicado nesta revista

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