Fisioterapia

Lombar

Cada vez mais comum em tenistas juvenis, as lesões na coluna lombar precisam ser tratadas para não se tornarem fraturas

Ricardo Takahashi em 18 de Outubro de 2012 às 11:56

A INCIDÊNCIA DE LESÕES NA coluna lombar em jovens atletas tem aumentado a procura pelas clínicas de fisioterapia. A lesão e a dor recorrente nas costas podem limitar drasticamente a capacidade do indivíduo em suas atividades diárias e na prática esportiva.

Quando falamos em fratura de um osso, o que vem à mente é um trauma ou impacto muito forte, causador da lesão. Porém, nem sempre acontece dessa forma. As fraturas por estresse ocorrem quando há um aumento e/ou mudança no treino do atleta e ele não tem tempo adequado para recuperação. Nesse momento, há um aumento das microfraturas ósseas e o corpo responde aumentando a produção óssea; caso a área seja constantemente estressada (macrotraumas), sem tempo adequado para a reparação, o processo de fratura se instala.

Ou seja, a fratura ocorre ao longo do tempo, a partir de pequenas quantidades de estresse sobre o osso. O impacto de uma atividade repetitiva, como por exemplo: corrida, sobrecarga no gesto esportivo do tênis, aumento súbito de tempo de treino (frequência ou intensidade), além de não repousar adequadamente, pode causar a lesão, resultando em dor crônica. Essa dor acontece quando o corpo é incapaz de se recuperar rapidamente. Dessa forma, eventualmente, ocorre a quebra parcial ou fissura do osso.

Além dos motivos citados anteriormente, a capacidade do corpo de reparar a lesão também pode ser influenciada por fatores hormonais, menstruais, pelo estado nutricional, pela função muscular e por predisposição genética.

Na coluna lombar, a fratura é conhecida como espondilólise, a qual normalmente é caracterizada por uma dor na região lombar, sendo agravada nas atividades esportivas.

Essa lesão é mais frequente em pessoas que praticam esportes que executam movimentos de flexão e extensão do tronco (exemplo: ginástica olímpica e estilo borboleta na natação) e associada a atividades esportivas que envolvem também movimentos de rotação da coluna (tênis, salto em altura etc), sempre de forma repetitiva.

NO TÊNIS

Mas por que acontece no tênis? Além da forma inadequada de treinos e o pouco descanso, outro fator que pode desencadear a lesão é o gesto esportivo como, por exemplo, a hiperextensão do tronco no toss do saque (quique) e o backhand com duas mãos.

A estatística de atendimentos é muito preocupante, com muitos casos de fratura por estresse em tenistas adolescentes, que treinam diariamente. Na maioria das vezes, a lesão estava associada ao backhand com duas mãos.

BACKHAND COM DUAS MÃOS

O backhand com duas mãos normalmente é ensinado à criança que está se iniciando no tênis por dois motivos: 1- ela não tem força e golpear a bola com as duas mãos facilitaria e não "sobrecarrega" 2- evita o temido Tennis Elbow (cotovelo de tenista). No caso de praticantes de tênis, a causa do Tennis Elbow está relacionada à técnica incorreta do backhand com uma mão e equipamento inadequado (raquete, corda, tensão usada). Se o indivíduo estiver sofrendo de Tennis Elbow e não consegue melhorar a técnica, a melhor opção seria usar o backhand com duas mãos.

Se pensarmos no fundamento (técnica) do backhand com duas mãos, o alcance para o contato da bola é menor e há necessidade maior da força de rotação do tronco (momento angular) para golpear. O que se vê nos torneios juvenis é que a maioria dos tenistas batem com os braços presos ao tronco, diminuindo ainda mais o alcance da bola e necessitando forçar o tronco. Técnicos e especialistas do mundo todo sempre identificam esse tipo de erro técnico nos jovens atletas. Além de prejudicar o rendimento, pode causar sérios danos à saúde.

Foto: Divulgação

Quando esse tipo de golpe é realizado em idade precoce, as vértebras ainda estão em desenvolvimento, fase que ocorre o início da lesão. Tais lesões podem ser diagnosticadas após exame clínico e radiografia. Porém, em alguns casos, as fraturas por estresse podem não ser identificadas em um raio-x até que o processo de cicatrização óssea se inicie. Então, outros métodos de imagem, como ressonância magnética, tomografia ou cintilografia óssea podem ajudar a localizar o problema.

TRATAMENTO

O tratamento da fratura por estresse geralmente consiste em repouso e fisioterapia, entretanto, há casos em que é necessária a intervenção cirúrgica. O tratamento fisioterápico tem como objetivo acelerar o processo de cicatrização óssea e promover o retorno do paciente às atividades diárias e esportivas; por meio da analgesia, cinesioterapia (figuras 1 e 2), alongamentos (figura 3), treinos de baixo impacto, como exercícios em piscinas e estabilização da musculatura de tronco (figura 4, 5, 6 e 7).

Figura 1

Posição inicial do agachamento na parede. Mantenha os pés afastados na largura dos ombros

Figura 2

Posição final do agachamento na parede. Desça 45o sem deixar os joelhos passarem das pontas dos pés. Realize três séries de 20 repetições

Figura 3

Alongamento de membro inferior (quadríceps). Mantenha esta posição por 30 segundos

O backhand com duas mãos pode forçar o tronco e ser um dos causadores das lesões lombares

Figura 4

Abdominal posição inicial. Mantenha as pernas flexionadas e a coluna apoiada totalmente ao chão

Figura 5

Abdominal posição final. Eleve o tronco como mostra a ilustração. Realize três séries de 20 repetições

Figura 6

Posição inicial da prancha frontal. Mantenha cotovelos e ombro alinhados a 90o

Figura 7

Posição final da prancha frontal. Mantenha cotovelos e ombro alinhados a 90o e a coluna alinhada. Permaneça nesta posição entre 30 e 60 segundos

Além disso, torna-se imprescindível procurar um fisioterapeuta para realizar uma avaliação preventiva detalhada, identificando as causas da sobrecarga na estrutura óssea, considerando os sintomas do paciente e os fatores relacionados à lesão para elaborar um programa preventivo. O trabalho de prevenção visa orientar o esportista na correção dos desequilíbrios estruturais do corpo e no fortalecimento global da musculatura exigida pelo gesto do esporte (figura 8). Assim, ao identificar todos os fatores da lesão e elaborar o programa de reabilitação e prevenção, será mais fácil obter bons resultados para o retorno do atleta (figura 9 e 10).

Figura 8

Treino sensório motor em cima da bola. Realize o gesto esportivo em três séries de 15 repetições

Figura 9

Fase de retorno ao esporte. Fase inicial do saque

Figura 10

Fase de retorno ao esporte. Fase final do saque

Colaboraram: Fabio Cardos, Renan Higashi e Thiago Yoshimori

PROTOCOLO DE REABILITAÇÃO PARA FRATURA DE ESTRESSE NA COLUNA LOMBAR

O tempo de afastamento pode variar de acordo com a região onde se localiza a lesão e com o grau de severidade da fratura. Normalmente, o atleta fica afastado de um a quatro meses, mas, em alguns casos, pode chegar a seis meses longe das atividades esportivas de impacto.

FASE I (1-2º MÊS)
Objetivos Tratamento
Analgesia Crioterapia, TENS
Relaxamento muscular

Liberação miofascial

Alongamentos MMSS e MMII (leve)

Estabilização lombo-pélvica

Educar contração da musculatura profunda de tronco para estabilização

Exercícios isométricos de tronco (pranchas)

Manutenção cardiorrespiratória na piscina Exercícios de baixo impacto
FASE II ( 3º MÊS)
Objetivos Tratamento
Manutenção cardiorrespiratória Exercícios aeróbios: Bike e Transport
Relaxamento Muscular Liberação miofascial
Manutenção amplitude de movimento
Ganho de força muscular
Estabilização lombo-pélvica

Alongamentos MMSS e MMII

Exercícios isométricos de tronco (pranchas)

Abdominais concêntricos

Exercícios concêntricos e excêntricos de CCA e CCF de MMSS e MMII

Observação: os exercícios concêntricos e excêntricos podem ser realizados de acordo com a sintomatologia
FASE III (4º MÊS)
Objetivos Tratamento
Manutenção de ADM Alongamentos MMSS e MMII
Melhora do treinamento sensório-motor Treino sensório-motor sobre superfície estável e instável
Estabilização lombo-pélvica

Abdominais/CORE

Exercícios Aeróbios (Bike, Transport, Step) - 20 min

Retorno ao esporte Treino do gesto esportivo

Preparação Física/Fisioterapia

Artigo publicado nesta revista

Revista TÊNIS 109 · Novembro/2012 · Arma mortal de Del Potro

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