Instrução Infanto-Juvenil

Planejando seu calendário

Dicas para montar uma agenda de competições adequada para os seus objetivos

Por Carlos Omaki em 26 de Dezembro de 2013 às 00:00

CALENDÁRIO, ESTE É O ASSUNTO principal de todas as viradas de ano. Avaliar os êxitos, a evolução e planejar os próximos passos para formular um calendário é essencial em cada etapa do processo de evolução de um tenista.

Mas a vida não é feita apenas de êxitos e conquistas e saber avaliar metas não atingidas e contratempos é uma tarefa muito importante dentro do processo evolutivo. É claro que todos nós preferimos fazer calendários baseados em progressões e muitos acreditam ser este o objetivo do planejamento. Porém, a experiência diz que todas as ações e planejamentos, quando baseados em resultados e metas, possuem dois caminhos igualmente importantes: a progressão e a regressão.

Retroceder, por vezes, é a maneira mais rápida e garantida de se chegar a um objetivo. Outras vezes, avaliações ou balanços estratégicos podem identificar vantagens em caminhos diferentes mesmo para jogadores que supostamente tenham o mesmo nível. Vamos então utilizar alguns exemplos para servir de base de reflexão e estimular o diálogo entre jogadores, treinadores e pais.

Profissionais

Os gráficos abaixo descrevem os calendários de dois grandes jogadores da atualidade, Novak Djokovic e Andy Murray durante a adolescência e demonstram o objetivo na evolução do tipo de competição.

Gráfico 1

Repare que, aos 13 anos, Djokovic já disputou um torneio com pontos para o ranking ITF de 18 anos e, aos 14, nenhum, que demonstra, por alguma razão, um pequeno retrocesso.

Gráfico 2

Murray, aos 13 e 14 anos, disputou apenas um torneio por ano de 18 anos. Aos 15 anos, seis e, aos 16 anos, 16 torneios do tipo ITF (18 anos).


É muito importante lembrar que esses “jovens” atletas, como a maioria dos tenistas infantojuvenis, disputam cerca de 25 torneios por ano – algo entre 20 e 30 – para manter um bom ritmo competitivo e poder mesclar vários tipos de competição. Aqui estão apontadas as prioridades complementadas com torneios estaduais e nacionais.

Mesmo jogadores como Rafael Nadal, número 1 do mundo, podem optar por um período de “regressão” para autoavaliação e reaquisição de confiança, como ocorreu no início deste ano. Os torneios que ele disputou na América do Sul serviram para uma avaliação da capacidade física e para readquirir ritmo competitivo para as grandes competições.

Agora, com realidades mais palpáveis, vamos exemplificar algumas opções diferentes na escolha das competições de jovens brasileiros.

PROGRESSÃO PLANEJADA

Vamos usar como primeiro exemplo a ascensão do jovem Lucas Kogachi, que de campeão estadual se tornou campeão sul-americano. O atleta terminou sua última temporada na categoria 12 anos como melhor jogador do estado.

Quais são as metas e objetivos a curto e médio prazo? Colocá-lo entre os melhores jogadores de seu país no primeiro e segundo anos da categoria 13 e 14 anos (no caso entre os três melhores do Brasil) e classificá-lo para o campeonato Sul-americano.

Gráfico 3

Sem contratempos, tudo correu como planejado e o jovem Lucas sagrou-se campeão sul-americano de 14 anos por equipes pelo Brasil.

RETROCESSO FORÇADO

Neste exemplo, o jovem Alberto Mello, que sofreu um grave acidente, saiu de atleta rebaixado de categoria a número 1 do estado. O jovem terminou a categoria 12 MB como um dos principais tenistas de sua idade (nesta categoria). Após sofrer um acidente e ficar oito meses parado, o atleta, que havia obtido média para subir de categoria (14 MA), teve seu caso analisado a pedido técnico e foi “rebaixado” para a categoria 14 MB com a finalidade de readquirir ritmo para atuar na 14 MA. O balanço final mostra que a decisão foi acertada empregando um “retrocesso” forçado para trazer de volta um atleta para a elite de sua idade.

Gráfico 4

No caso, o atleta abriu mão de jogar na categoria 14 MA, terminou o primeiro ano (13) entre os melhores de sua categoria (2º da 14 B) e no ano seguinte (2013) chegou a número 1 do estado da 14 MA.

RETROCESSO TÉCNICO



Lucas Kogachi, exemplo de progressão planejada no calendário juvenil

Analisaremos o caso de Jonathas Sucupira, que saiu de um retrocesso no nível de competições aos 15 anos para ser campeão brasileiro de 18 anos. O atleta já disputava torneios nacionais aos 14 anos e, por ter resultados abaixo do ideal e por precisar, sofreu mudanças severas em sua técnica. Teve uma regressão no tipo de competições, aumentou seu número de jogos, obteve bons resultados e atingiu o nível dos melhores jogadores de sua idade no país.

Gráfico 5

Após uma mudança radical em sua técnica, o atleta teve um desvio estratégico de calendário passando a disputar torneios estaduais de classe, aumentou seu número de jogos e vitórias, melhorou sua autoconfiança e tornou-se campeão brasileiro de 18 anos e campeão sul-americano.

Necessidades diferentes com nível técnico parecido

Vejamos o caso das atletas Marina Danzini e Flávia Araújo, que passaram dos torneios estaduais às finais profissionais. Duas atletas treinadas pela mesma equipe, com nível técnico e físico aproximado, porém com experiências muito diferentes. Uma das atletas já competia e apresentava bons resultados desde os 11 anos e, a outra, um ano mais velha, iniciou sua participação em competições aos 14 anos. Aos 16 anos, uma necessitava de desafios e desenvoltura internacional e a outra, de autoconfiança e motivação com bons resultados.

Gráfico 6

O gráfico da página seguinte comprova que o calendário é extremamente individual. Com trajetórias diferentes as duas jogadoras atingiram, aos 19 anos, um bom nível de atuação e experiência para se lançarem ao profissionalismo.

Flávia Araújo e Marina Danzini: nível técnico similar, porém trajetórias diferentes
Flávia Araújo e Marina Danzini: nível técnico similar, porém trajetórias diferentes

Ideia de progressão

Os gráficos apresentados demonstram trajetórias com “progressões e regressões calculadas” e “regressões forçadas ou induzidas”, buscando exemplificar que os atletas, principalmente os mais jovens, necessitam de vitórias como estímulo, mescladas com novos e progressivos desafios.

Embora o calendário seja algo muito individual, aponta-se um trajeto mais parecido entre parte dos grandes jogadores. Em tese, o atleta que obtiver nível para chegar antes aos “melhores” torneios, desenvolverá uma base mais sólida de experiências e um ritmo elevado.

Sendo assim, no último gráfico, apontaremos uma “matriz” com uma sugestão no número e no tipo de torneios que os jogadores infantojuvenis poderiam utilizar como referência e variar para cima ou para baixo em função das avaliações feitas por sua equipe técnica.

Pondere

Pense com carinho e realismo, mas sem deixar o otimismo de lado, calculando a evolução do primeiro para o segundo semestre de cada ano. Leve sempre em consideração a velocidade no desenvolvimento natural do atleta, respeitando as suas características físicas pessoais, já que o “estirão” ocorre em momentos diferentes e implica não só em coordenação, força e velocidade, mas também no raciocínio e discernimento.

O planejamento facilita a avaliação. Gaste um tempinho formulando o calendário, exclua suas datas comemorativas, procure organizar bem as sequências de torneios intercalando duas ou três semanas de competição com uma ou duas de descanso/lazer.  Agora, inclua esse calendário em sua agenda anual como um roteiro primário e procure segui-lo o mais fielmente possível.


Juvenil/Capacitação calendario Novak Djokovic Andy Murray adolecência

Artigo publicado nesta revista

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