Torneio Monte Carlo

Jogando em casa

Primeiro Masters 1000 no saibro, torneio de Monte Carlo teve finalistas “da casa” e prévia da gira de saibro

Por Arnaldo Grizzo em 23 de Maio de 2015 às 00:00

Quando se joga em uma quadra conhecida, no seu clube ou academia, você tende a se sentir muito mais confortável do que em um lugar “estranho”. No seu clube, você já conhece a quadra, sabe qual o trajeto do sol durante o dia, sabe como é o quique da bola, é um ambiente com o qual você está acostumado e se sente bem.

Nos mais de 60 torneios da ATP durante o ano, em quantos deles os jogadores podem dizer que se sentem “jogando em casa”? Poucos. No entanto, o Masters 1000 de Monte Carlo talvez seja o que tenha mais jogadores “caseiros”. Para se ter uma ideia, quatro dos atuais top 10 do ranking moram atualmente em Mônaco e, sempre que estão em casa, treinam no Monte-Carlo Country Club, sede do primeiro Masters de saibro do ano. São eles: Novak Djokovic, Milos Raonic, Tomas Berdych e Marin Cilic (além de Grigor Dimitrov, atual número 11). Ao todo, 15 jogadores da ATP possuem moradia em Mônaco. E, entre as mulheres, duas top 10 também moram lá: Petra Kvitova e Caroline Wozniacki.


Ao todo, 15 jogadores da ATP moram em Monte Carlo, sendo quatro  top 10

Então, talvez não tenha sido apenas coincidência que a final do Masters 1000 de Monte Carlo deste ano tenha sido disputada entre Djokovic e Berdych. Aliás, todos os tenistas “da casa” citados antes alcançaram pelo menos as quartas de final. Ou seja, jogar em casa certamente tem suas vantagens. “Esse torneio é muito importante para mim. É um torneio particular, pois vivo aqui e treino aqui todo o ano”, afirmou Djokovic pouco antes da final.

E, convenhamos, disputar uma competição em uma “casa” dessas, provavelmente com a mais bela vista entre todos os torneios do mundo, não há como não se sentir bem.

De volta à terra

Apesar de Monte Carlo ser um Masters 1000, ele não é um dos eventos obrigatórios do ranking ATP, por isso, nos últimos anos, alguns tenistas deixaram de disputá-lo. No entanto, o torneio trata tão bem os jogadores e seus familiares, literalmente como príncipes, que todos os top acabam fazendo questão de estar lá e desfrutar de toda a hospitalidade oferecida pelos organizadores. Não à toa, a economia do país vive do turismo e eventos como o Masters 1000 e a Fórmula 1 são duas grandes atrações que fazem com que os poucos e luxuosos hotéis do segundo menor país do mundo, com apenas 2 km2, fiquem completamente lotados.

Sendo assim, Monte Carlo, o primeiro grande torneio de saibro da temporada, é uma boa prévia do que o público deve aguardar da terra batida. E, neste ano, novamente o que se viu foram atuações próximas da perfeição de Djokovic. Sua intensidade e aplicação tática deixaram até mesmo Rafael Nadal, a quem ele venceu impiedosamente na semifinal, sem opções. O espanhol, aliás, vem tendo altos e baixos durante o ano e, curiosamente, também no saibro. Apesar disso, dificilmente não é um dos favoritos na superfície, muito devido à sua garra inabalável.

Já Berdych, que nunca antes pôde ser considerado uma grande ameaça no saibro, provou que está mais consistente sobre a superfície, especialmente depois que passou a treinar com o espanhol Daniel Vallverdu, que até o fim do ano passado estava na equipe de Andy Murray. Em Monte Carlo, ele foi o único capaz de exigir um esforço maior de Djoko e levá-lo a três sets.

O torneio também trouxe algumas surpresas como a derrota de Roger Federer para Gael Monfils ainda nas oitavas de final. Essa foi a segunda vitória seguida do francês sobre o suíço em menos de um ano (a outra foi na final da Copa Davis). E vale lembrar que, no US Open 2014, Monfils abriu 2 sets a 0 contra Federer, teve dois match-points, mas levou a virada. Com seu jogo criativo, o francês já está novamente perto do top 10, onde esteve em 2011 antes de passar a sofrer com os joelhos.



Djokovic e Berdych fizeram uma final “caseira”. Nadal ficou pelo caminho

Duplas

Se Nole parece imbatível em simples, o mesmo pode-se dizer dos irmãos Bob e Mike Bryan nas duplas. Neste ano, eles conquistaram o seu quinto título no Principado. Contudo, é interessante notar que, assim como no circuito feminino a dupla das veteranas Sania Mirza e Martina Hingis vem galgando posições, a parceria italiana entre Simone Bolelli e o espevitado Fabio Fognini também continua surpreendendo. Depois de vencer o Australian Open, eles chegaram à final do Masters 1000 de Miami e novamente em Monte Carlo, desta vez numa superfície em que seus estilos de fundo de quadra são favorecidos. Assim sendo, venceram Marcelo Melo e Ivan Dodig na semifinal e exigiram o máximo dos Bryan – que precisaram usar toda a sua habilidade além de uma estratégia muito bem traçada para sair com a vitória.

Histórico

Ao vencer em Monte Carlo, Djokovic conseguiu um feito impressionante e histórico. Até hoje, nunca alguém havia conseguido vencer o primeiro Grand Slam da temporada e, logo em seguida, os três primeiros Masters 1000. Quem mais perto chegou dessa proeza foi Roger Federer em 2006, mas o suíço acabou perdendo a final de Monte Carlo para Nadal. “Nunca ninguém fez isso e isso me deu mais motivação”, afirmou o sérvio logo após a partida contra Berdych. Ele admitiu ainda que não se sentiu confortável durante quase todo o jogo contra o tcheco, no entanto, “venceu com o coração e com batalha”. “Às vezes, vencer feio é necessário”, confessou. Não importa, de belo já bastava a paisagem do Monte-Carlo Country Club.

Resultados finais

Novak Djokovic (SRB) v. Tomas Berdych (CZE) 7/5, 4/6 e 6/3

Bob Bryan e Mike Bryan (USA) v. Simone Bolelli e Fabio Fognini (ITA) 7/6 (3) e 6/1


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Artigo publicado nesta revista

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