Bonjour Paris!

Jovens brasileiros disputaram uma vaga no torneio juvenil de Roland Garros

Por Breno Thadeu Paganini Lima em 23 de Maio de 2015 às 00:00

Desde a conquista de Gustavo Kuerten em Roland Garros 1997, muito do imaginário dos amantes do tênis brasileiro, assim como também dos nossos tenistas (não importa a idade), está relacionado à França. O Grand Slam francês se tornou um templo e suas quadras de saibro possuem um apelo ímpar. Não há quem não sonhe em um dia pisar naquela terra em que Guga se consagrou.

No começo de 2015, a relação entre o tênis brasileiro e o francês tornou-se ainda mais estreita quando a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) e a Federação Francesa de Tênis (FFT) assinaram um acordo de colaboração. “Estaremos recebendo jogadores e treinadores franceses com o objetivo de desenvolvimento do tênis brasileiro e a aproximação com o tênis europeu entrando pela França”, declarou o presidente da CBT, Jorge Lacerda, durante a cerimônia de assinatura do acordo no Clube Paineiras do Morumby. “A FFT vai abrir os seus espaços na França para treinamento dos nossos atletas, e também participar de eventos”, concluiu Lacerda.

A Copa dos Mosqueteiros e a Copa Suzanne Lenglen foram expostas em São Paulo e no Rio de Janeiro

Com o aval francês, o projeto visa desenvolver novos atletas e o início dessa construção começa na base, conforme descreveu Jeremy Bottom, diretor executivo da FFT: “A convenção a ser assinada entre as duas confederações vai além de um simples acordo, vai proporcionar um desenvolvimento maior e está sendo vista a longo prazo para a formação de novos talentos”.

DO PAPEL PARA AS QUADRAS

A primeira demonstração da parceria franco-brasileira começou no dia seguinte à assinatura do pacto entre as entidades. O Rendez-Vous à Roland Garros deu a chance de um tenista brasileiro disputar uma vaga na chave juvenil do Grand Slam francês. Como apenas os 48 melhores do ranking ITF entram diretamente na chave principal, a seletiva dá chance a garotos fora desse escopo. Assim, 16 meninos e meninas lutaram por vaga em um triangular final contra atletas da China e da Índia, onde seletivas semelhantes ocorreram.

Um dos principais nomes da chave masculina, o paulista Igor Marcondes, 66º do ranking juvenil, chegou como um dos favoritos ao título, em especial após o vice-campeonato no Banana Bowl. Mas a chave também contou com nomes como Gabriel Sidney, 71º do mundo, Gabriel Decamps, um dos representantes brasileiros no Sul-Americano por equipes, e Felipe Meligeni Alves, carregando o sobrenome de seu tio, Fernando Meligeni. “Há uma pressão, principalmente quando ele (Fernando Meligeni) está me assistindo, em especial neste torneio, que pode me levar para Roland Garros, onde ele fez história”, disse Alves.

Do lado feminino, a paulistana Sophia Chow queria aproveitar toda a experiência que uma participação em um Grand Slam juvenil poderia proporcionar a sua carreira. “O meu objetivo é jogar a chave juvenil de Roland Garros. Mesmo que eu não ganhe aqui, vou jogar alguns torneios para pontuar e poder jogar a chave. Ao chegar lá, estarei no meio de profissionais e poder vê-los jogar de perto, conviver com eles durante o torneio, acredito que vai ser uma grande experiência”. Número 109 da ITF, Sophia chegou como a tenista mais bem ranqueada a entrar no torneio.

SAÍDA À FRANCESA

O torneio teve poucas surpresas até a semifinal. No entanto, ao chegar a esse estágio, Igor Marcondes, principal tenista da chave masculina, acabou perdendo para o jovem Gabriel Decamps, de apenas 15 anos, por 7/5 e 7/6(4). “Poucos jogadores da minha idade conseguem imprimir o ritmo que obtive aqui”, declarou Decamps ao final da partida.

Na final do Rendez-Vous à Roland Garros, o garoto teve a companhia de Felipe Meligeni, que, após estar perdendo por 3/5 no primeiro set, conseguiu uma virada incrível sobre Lucas Koelle, por 7/5 e 6/0. “Não estava aproveitando minhas chances e Koelle vinha firme”, afirmou Alves, que venceu 10 games consecutivos.

No feminino, tudo se encaminhava para Sophia Chow estar decisão. A paulista levou o primeiro set contra Maria Clara Silva, apenas 974ª no ranking ITF, mas a carioca reagiu e conseguiu uma ótima vitória contra a cabeça de chave número 1 do torneio, com parciais de 4/6, 6/3 e 6/3. “Não estou surpresa por chegar à final, tenho jogado muito no circuito profissional e jamais havia perdido para a Sophia”, declarou. Na outra semi, Erika Pereira e Gabriela Rezende lutaram pela última vaga na final e Gabriela precisou de três sets para vencer por 6/2, 6/7(3) e 6/2.


“É uma oportunidade única, o sonho de qualquer tenista”, afirmou Maria Clara Silva

CARIMBANDO O PASSAPORTE

No mesmo dia das finais, houve também a exposição dos troféus de Roland Garros, que antes haviam passado por pontos turísticos do Rio de Janeiro e São Paulo. Com jogos tranquilos, os campeões não tiveram dificuldades para garantir uma vaga no triangular decisivo na França. Maria Clara Silva venceu Erika Pereira, por 6/3 e 6/0, e comemorou: “Não caiu a ficha ainda. É uma oportunidade única, o sonho de qualquer tenista. Vou me preparar muito para o triangular”.

Já Gabriel Decamps mostrou muita maturidade e venceu Felipe Meligeni, por 6/3 e 6/2. “Acho que o detalhe da vitória foi minha cabeça. Entrei solto, porque ele era o favorito, e deu certo. Estou muito emocionado ainda, mas sei que terei de dar tudo para chegar na chave principal”, disse.

Os campeões tiveram a honra de posar ao lado dos troféus de Roland Garros, a Copa dos Mosqueteiros e a Copa Suzanne Lenglen, e têm passagem garantida para Paris. Os tenistas brasileiros jogarão em quadra especialmente montada junto à Torre Eiffel, no dia 24 de maio.

No triangular final, Gabriel Decamps terá a companhia de Chengze Lu e Basil Khuma, campeões das etapas chinesa e indiana, respectivamente, enquanto Maria Clara Silva enfrentará Yue Yuhan e Sathwika Sama. O vencedor receberá um convite para chave principal do Grand Slam juvenil francês, enquanto os outros dois tenistas disputarão o qualifying.


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