Torneio Banana Bowl

As portas do futuro

Orlando Luz torna-se o primeiro bicampeão da categoria 18 anos do Banana Bowl

Por Arnaldo Grizzo em 30 de Março de 2015 às 00:00

Orlando Luz

Ao conquistar o bicampeonato do Banana Bowl, Orlando Luz demonstra evolução

Ser um grande tenista juvenil não garante um bom futuro no circuito profissional. É sempre importante lembrar disso cada vez que um brasileiro se destaca nos torneios juvenis pelo mundo. No entanto, não se pode negar que as expectativas aumentam muito a cada grande conquista. E agora, com o bicampeonato de Orlando Luz na categoria 18 anos do Banana Bowl, as esperanças vão às alturas.

Ao vencer novamente o mais tradicional torneio juvenil brasileiro, Orlandinho fez história, pois foi o primeiro nos 45 anos do evento a conseguir tal proeza. E esta vitória, mais até do que a do ano passado, já revela o naipe de jogador do garoto de apenas 17 anos (completados em 8 de fevereiro), pois deixa ainda mais clara a sua maturidade precoce.

Sim, Luz ainda é um garoto, tem muito a aprender, mas seu jogo merece destaque entre os juvenis, nem tanto pela técnica (que, diga-se, é muito bem moldada), mas pela parte mental e tática. Assim como todo jovem tenista, ele ainda tem alguns altos e baixos durante as partidas, o que é extremamente normal, contudo, o número 2 do ranking ITF compensa isso com uma garra e uma percepção de jogo poucas vezes vistas em garotos de sua idade.

Este Banana Bowl certamente ajudou a consolidar esses aspectos. Em suas duas primeiras partidas, Luz esteve diante de situações bastante complicadas em São José dos Campos e, mesmo pressionado por ser o principal favorito ao título do torneio, conseguiu ter calma para sair dos buracos que surgiram. Depois disso, seu jogo fluiu melhor e, diante de uma torcida que estava claramente mais favorável ao seu oponente na decisão, não se intimidou.

Mais do que isso, portou-se como um campeão. Soube assimilar o fervor dos aplausos para seu adversário (que treina nas quadras onde o torneio foi realizado) e terminou a partida com uma bela atitude, abraçando calorosamente Igor Marcondes, reconhecendo seu esforço e agradecendo, ao lado do oponente, o público que compareceu. Quantos teriam maturidade para algo assim em sua idade?

Jovens promissores, da direita para a esquerda: Alexandra Silva, Igor Marcondes (acima), Thaísa Pedretti (abaixo),  Matheus Alves, Marcelle Cirino (acima) e Luísa Stefani (abaixo)

Exemplos

Assim, apesar de ainda muito jovem, Orlandinho vai se tornando uma espécie de “líder” a ser seguido. Mesmo garotos mais velhos, incluindo Marcondes, parecem se inspirar com suas conquistas. “Se ele pode, por que eu não?”, provavelmente se perguntam e, consequentemente, se o trabalho por trás é tão bem-feito quanto o que tem alçado Luz às primeiras posições do ranking, em determinado momento, eles também podem brilhar. Vale lembrar que, no ano passado, Luz venceu o Banana Bowl e a Copa Gerdau, além das duplas em Wimbledon e nas Olimpíadas da Juventude (com Marcelo Zormann).

Marcondes, por exemplo, foi uma boa surpresa deste Banana Bowl. Ele não estava entre os favoritos, aparecendo fora do top 100 na categoria 18 anos da ITF. Seu melhor resultado na gira COSAT do começo do ano (que percorre quase todos os países da América do Sul até chegar ao Banana Bowl) havia sido a semifinal no Peru. Na Associação Esportiva São José – Clube de Campo Santa Rita, porém, o garoto desbancou favoritos, soube usar a torcida para se livrar de situações complicadas e desfilou toda a técnica de sua canhota para chegar à final. Na decisão, começou o jogo avassalador, mas permitiu a reação de Luz, que passou a ganhar os pontos importantes.

Mas, mais do que comemorar o inédito bicampeonato de Orlando Luz, deve-se celebrar a segunda final seguida entre dois brasileiros em um dos torneios juvenis mais importantes do mundo (no ano passado, Luz venceu João Menezes). Para um país que há mais de 30 anos não via um único brasileiro vencer o Banana Bowl, isso é um grande feito e uma prova de que os caminhos estão traçados. Formar uma boa base, fazer com que cada vez mais jovens possam vislumbrar a possibilidade de se profissionalizarem; assim aumentam as chances de termos tenistas top no futuro.


Orlandinho se destaca entre os juvenis nem tanto pela técnica (que é muito bem moldada), mas pela parte mental e tática

Mais para comemorar

A categoria principal do Banana Bowl é sempre destaque, mas é importante ressaltar outros valores brasileiros além de Luz. Um deles é a jovem Luísa Stefani, que se sagrou bicampeã de duplas. Há dois anos, a menina havia vencido o torneio na categoria 16 anos em simples. Outra é Thaísa Pedretti, de apenas 15 anos, que chegou à oitavas em simples e fez semifinal em duplas.

Nas categorias de 14 e 16 anos, o Brasil também levantou um troféu. O jovem Matheus Cardoso Alves salvou match-point para ficar com o troféu diante do argentino Alejo Lingua Lavallen. Juntamente com Matheus Pucinelli e João Pedro Lopes Ferreira, que perderam nas quartas, ele está entre os 10 melhores do ranking de 14 anos da COSAT. Entre as meninas da mesma categoria, Alexandra Ferreira Silva chegou à semi e é a única brasileira entre as 10 primeiras. Nos 16 anos, apesar de não ter conquistado um título, o Brasil é um dos principais destaques femininos, com Nathalia Gasparin e Marcelle Cirino nas duas primeiras posições do ranking. Em São José, Marcelle parou na semifinal.

Resultados finais Banana Bowl 2015

18 anos
Orlando Luz (BRA) v. Igor Marcondes (BRA) 6/4 e 6/3
Usue Maitane Arconada (USA) v. Francesca Di Lorenzo (USA) 6/1, 6/7(6) e 6/4
Juan José Rosas (PER) e Marcelo Barrios (CHI) v. Orlando Luz (BRA) e Miomir Kecmanovic (SRB) 7/6(5), 6/7(1) e 10-7
Luísa Stefani (BRA) e Francesca Di Lorenza (USA) v. Jaqueline Cristian (ROU) e Maia Lumsden (GBR) 6/2 e 6/0

16 anos
Juan Martin Jalif (ARG) v. Felipe Acosta (ARG) 3/6, 6/2 e 6/2
Fernanda Carolina Labraña Mendoza (CHI)v. Alejandra Carolina Morales Pezoa (CHI) 6/4 6/3

14 anos
Matheus Cardoso Alves (BRA) v. Alejo Lingua Lavallen (ARG) 6/1, 2/6 e 7/5
Anfisa Danilchenko (RUS) v. Luniuska Delgado (VEN) 6/1 e 7/5

Campeões das categorias de 9 a 12 anos

9 anos masculino
Campeão - Augusto Machado (RS)
Vice-campeão - Higor Chung (SC)

9 anos feminino
Campeã - Allegra Hodson (SC)
Vice-campeã - Laura Facuri (SP)

10 anos masculino
Campeão - Zack Silva (SP)
Vice-campeão - Lucas Silva (SP)

10 anos feminino
Campeã - Larissa Silva (SP)
Vice-campeã - Maria Bloot (PR)

12 anos masculino 1
Campeão - Pedro Dias (SC)
Vice-campeão - João Loureiro (MG)

12 anos masculino 2
Campeão - Matheus Bueres (SP)
Vice-campeão - João Eduardo Schiessl (PR)

12 anos masculino - Duplas
Campeões - Pedro Dias (SC)/João Loureiro (MG)
Vice-campeões - Diogo Tinoco (PE)/Aécio Fontes (PE)

12 anos feminino
Campeã - Lorena Cardoso (GO)
Vice-campeã - Camila Bossi (SP)


Torneio Orlando Luz Banana Bowl ITF Marcondes Luísa Stefani Matheus Cardoso Matheus Pucinelli Alexandra Ferreira Silva Nathalia Gasparin

Artigo publicado nesta revista

Revista TÊNIS 138 · Março/2015 · Feijão

Como ele se tornou número 1 do Brasil e até onde pode chegar + desvendamos seu forehand matador

Grigor Dimitrov

Assine

Impressa
1 ano
Impressa
2 anos
PDF/Android
1 ano
iPad/iPhone
1 ano

Assine InnerImpressaImpressaPDF/AndroidiPad/iPhone
1 ano2 anos1 ano1 ano
Edições12241212
Comprando Avulso você pagariaR$ 178,80R$ 357,60R$ 178,80R$ 178,80
Assine Agora porR$ 160,92R$ 286,08R$ 99,96R$ 99,96
Desconto
EconomizaR$ 17,88R$ 71,52R$ 78,84R$ 78,84
Parcelado sem juros no cartão de crédito 3x R$ 53,64 6x R$ 47,68
Assinando agora você GANHA também Munhequeira
Grigor Dimitrov

Alguns valores poderão variar dependendo da cotação do dólar



Receba o boletim Revista TÊNIS

Receba no seu email grátis destaques de conteúdo e promoções exclusivas