Torneio ATP Finals

Fim melancólico

Em uma temporada repleta de alternativas, novos nomes surgindo, disputa pela liderança do ranking, o ATP Finals, contudo, teve fim melancólico

Por Arnaldo Grizzo em 12 de Dezembro de 2014 às 00:00

Roger Federer

A temporada 2014 do tênis masculino foi uma das mais agitadas dos últimos anos. Houve quatro campeões diferentes nos Grand Slams, dois deles bastante inesperados (Stan Wawrinka e Marin Cilic), uma boa disputa entre Novak Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer, novos nomes despontando no top 10, como Milos Raonic e Kei Nishikori, além de Grigor Dimitrov. Enfim, apesar da inesperada apendicite de Nadal, todos aguardavam disputas intensas no ATP Finals.

No entanto, não foi o que se viu. Djokovic perdeu apenas nove games em suas três primeiras partidas (contra Wawrinka, Cilic e Tomas Berdych), garantindo assim a liderança do ranking ao final da temporada – a terceira vez que encerrou um ano no topo desde 2011. Na outra chave, Federer também foi implacável, perdendo só 13 games diante de Raonic, Nishikori e Andy Murray (que venceu apenas um game).

O restante dos confrontos também não teve a emoção esperada, a maioria sendo decidida em dois sets rápidos – apenas as partidas entre Nishikori e David Ferrer (que entrou para substituir o lesionado Raonic) e Wawrinka e Cilic tiveram três sets. A falta de competitividade, todavia, só foi compensada nas semifinais e pelos duplistas, que protagonizaram partidas muito acirradas desde os primeiros jogos. Os Bryans, por exemplo, classificaram-se para a semi somente na terceira partida, com uma vitória suada sobre Bruno Soares e Alexander Peya. Na final, Bob e Mike voltaram a desbancar o sonho de título brasileiro ao derrotarem Marcelo Melo e Ivan Dodig.

Nas simples, Djoko teve algum trabalho contra Nishikori, mas o grande jogo foi entre Federer e Wawrinka. Em uma partida extremamente vibrante e tensa, Federer levou a melhor no tiebreak do terceiro set. O esforço e a rusga com o compatriota no vestiário (depois de Wawrinka ter questionado atitudes de Mirka, esposa do rival, na torcida) levaram o suíço a sequer entrar em quadra na decisão, dando um ponto final melancólico para uma temporada que não merecia terminar assim.

Novak Djokovic

Novamente, Novak Djokovic fez uma temporada grandiosa. Para recuperar o número 1 do mundo, ele contou com a conquista de Wimbledon, mas também com a queda precoce de Nadal, que logo em seguida precisou se afastar novamente das quadras com uma apendicite. Com a liderança em mãos e sendo pai pela primeira vez (sua esposa Jelena Ristic deu à luz ao filho Stefan em outubro), ele viu Federer se aproximar para tomar o posto. No entanto, com atuações sólidas venceu três dos quatro últimos torneios que participou (incluindo o Masters 1000 de Paris) e se garantiu no primeiro lugar. Ao todo, ganhou sete títulos na temporada, sendo quatro Masters 1000. No ATP Finals, conquistou seu terceiro troféu seguido e o quarto no geral. Terminou 2014 jogando seu melhor tênis, naquele estilo implacável que destrói qualquer adversário. Com a volta de Nadal e talvez uma atenção maior ao filho recém nascido, como será seu 2015?

Novak Djokovic

 

Roger federer

Depois de terminar 2013 fora do top 3 (algo que não ocorria desde 2002), Federer certamente não queria terminar mais uma temporada como coadjuvante. No entanto, Nadal e Djokovic continuaram dominando as ações no primeiro semestre. Em Wimbledon, contudo, seu jogo passou a crescer. Depois do vice em Londres, disputou mais cinco finais, levando três títulos (dois de Masters 1000). Com isso, chegou a ter chance de duelar com Djoko pelo número 1 do mundo. O sérvio, porém, fechou as portas. No ATP Finals, Federer mostrou toda sua classe diante dos novatos, fez uma exibição incrível contra Wawrinka, que causou uma lesão nas costas e lhe custou disputar a final. Preferiu se poupar para a decisão da Copa Davis em seguida e deu certo. Ele garantiu o último ponto da Suíça contra a França e ergueu um dos últimos troféus que faltavam em sua coleção.

Roger Federer

 

Stan Wawrinka

Antes de o torneio começar, certamente ninguém apostou em Wawrinka como campeão do Australian Open 2014, mas o suíço foi heroico, venceu Djokovic nas quartas e Nadal na decisão. Apesar do título e da confiança em alta, a temporada seguiu com altos e baixos. Um dos melhores momentos foi no Masters 1000 de Monte Carlo, quando venceu Federer na final para conquistar seu primeiro título desse nível. Aliás, foi contra e ao lado de Federer que Wawrinka desempenhou melhor neste ano. Eles jogaram as quartas em Wimbledon e a semi no ATP Finals que terminou com uma discussão por causa do comportamento de Mirka, esposa de Federer, na torcida. O incidente, no entanto, foi superado rapidamente para que, juntos, eles pudessem dar o primeiro título da Suíça na Copa Davis.

Stan Wawrinka

 

Kei Nishikori

O primeiro asiático a terminar um ano no top 10, o primeiro a disputar uma final de Grand Slam, o primeiro a jogar um ATP Finals... Desde que despontou no circuito em 2008, Kei Nishikori vem deixando sua marca por onde passa. Nesta temporada, conquistou quatro títulos e dois vices, um no US Open e um no Masters 1000 de Madrid. Como seu treinador, Michael Chang, o jogo do japonês tem uma mescla de regularidade extrema com toques de ousadia surpreendentes. Cada vez mais experiente, ele tem consciência de que pode derrotar os melhores do mundo (venceu Federer e Djokovic em 2014) e, se continuar saudável, deve incomodar ainda mais na próxima temporada.

Kei Nishikori

 

Andy Murray

2014 foi uma temporada abaixo do esperado que terminou de forma lamentável para Andy Murray. Depois de conseguir a façanha de vencer Wimbledon em casa no ano passado, neste ano ele trocou de técnico (deixou Ivan Lendl e escolheu Amélie Mauresmo) e viu seu nível cair. Classificou-se para o ATP Finals somente depois de vencer três torneios menores no fim do ano, mas fez um papelão diante de sua torcida ao ganhar apenas um game contra Federer no jogo que poderia garantir sua classificação para a semifinal.

Andy Murray

 

Tomas Berdych

Um dos tenistas mais constantes no top 10 dos últimos cinco anos, Tomas Berdych, contudo, não deixou de ser um coadjuvante nesta temporada. Seu jogo de saque e bolas retas lhe dá uma boa constância de resultados, mas acaba sendo insuficiente para ir além, especialmente nos torneios mais importantes. A final de Wimbledon em 2010 cada vez mais parece um acidente de percurso. No ATP Finals, decepcionou mais uma vez.

Tomas Berdych

 

Milos Raonic

Desde os tempos de juvenil que Milos Raonic é apontado como um futuro top 10. Nesta temporada, enfim, ele mostrou que merece esse lugar. Nos dias mais inspirados, é capaz de sacar sem dar a menor chance aos rivais, tanto que anotou nada menos que 1.007 aces durante o ano, marca inferior apenas à do gigante Ivo Karlovic. Apesar de muito baseado no saque, o jogo de Raonic vem crescendo e incomodando os principais nomes do circuito. Ele é o primeiro canadense na história e também o primeiro jovem nascido nos anos 1990 a terminar uma temporada no top 10. Em sua primeira vez no ATP Finals, precisou desistir no meio da competição ao sentir uma lesão, dando lugar ao incansável David Ferrer, que terminou no top 10 pela quinta vez seguida.

Milos Raonic

 

Marin Cilic

Uma das maiores surpresas de 2014, Marin Cilic sempre foi apontado como um dos grandes tenistas de sua geração, mas, até então, nunca tinha sido páreo para os tops. Ao contratar Goran Ivanisevic como técnico, porém, tudo mudou. O compatriota fez ajustes minuciosos no jogo de Cilic, que veio numa curva ascendente desde o começo do ano e culminou no improvável título do US Open depois de vitórias incontestáveis sobre Federer na semifinal e Nishikori na final. Chegou cansado ao ATP Finals, perdendo os três jogos, mas, se mantiver o ritmo em 2015, pode incomodar.

Marin Cilic

 

Brasil

Pelo segundo ano consecutivo, dois brasileiros disputaram o ATP Finals. No ano passado, tanto Bruno Soares quanto Marcelo Melo pararam nas semifinais. Desta vez, porém, Melo foi além e alcançou a decisão, contra os temidos Bob e Mike Bryan. O mineiro e seu parceiro croata Ivan Dodig saíram na frente ao vencerem o primeiro set no tiebreak, mas os irmãos norte-americanos igualaram. No match-tiebreak Dodig e Melo desperdiçaram algumas chances e viram os Bryan levantarem mais um troféu na temporada, totalizando 103 na carreira. “Foi um ano complicado para nós, o Ivan ficou quase três meses sem jogar e eu não pude disputar o Australian Open. Mesmo assim conseguimos nos classificar para o ATP Finals. Isso mostra que temos condições de sermos melhores ainda do que este ano. Em 2015, vamos começar a fazer algumas coisas diferentes em relação a treino, vamos passar a treinar mais juntos, fazer preparação física juntos etc”, comentou Melo, que terminou a temporada em sexto lugar nas duplas. Soares acabou em décimo.

ATP finalS 2014 - Resultados

Simples

Grupo A
Stan Wawrinka (SUI) v. Tomas Berdych (CZE) 6/1 e 6/1
Novak Djokovic (SRB) v. Marin Cilic (CRO) 6/1 e 6/1
Novak Djokovic (SRB) v. Stan Wawrinka (SUI) 6/3 e 6/0
Tomas Berdych (CZE) v. Marin Cilic (CRO) 6/3 e 6/1
Novak Djokovic (SRB) v. Tomas Berdych (CZE) 6/2 e 6/2
Stan Wawrinka (SUI) v. Marin Cilic (CRO) 6/3, 4/6 e 6/3

Grupo B
Roger Federer (SUI) v. Milos Raonic (CAN) 6/1 e 7/6(0)
Kei Nishikori (JPN) v. Andy Murray (GBR) 6/4 e 6/4
Roger Federer (SUI) v. Kei Nishikori (JPN) 6/3 e 6/2
Andy Murray (GBR) v. Milos Raonic (CAN) 6/3 e 7/5
Roger Federer (SUI) v. Andy Murray (GBR) 6/0 e 6/1
Kei Nishikori (JPN) v. David Ferrer (ESP) 4/6, 6/4 e 6/1

Semifinais
Novak Djokovic (SRB) v. Kei Nishikori (JPN) 6/1, 3/6 e 6/0
Roger Federer (SUI) v. Stan Wawrinka (SUI) 4/6, 7/5 e 7/6(6)

Final
Novak Djokovic (SRB) v. Roger Federer (SUI) WO

Duplas

Grupo A
Alexander Peya (AUT) e Bruno Soares (BRA) v. Jean-Julien Roger (NED) e Horia Tecau (ROU) 6/3, 3/6 e 12-10
Lukasz Kubot (POL) e Robert Lindstedt (SWE) v. Bob e Mike Bryan (USA) 7/6(3) e 6/3
Bob e Mike Bryan (USA) v. Jean-Julien Roger (NED) e Horia Tecau (ROU) 6/7(4), 6/3 e 10-6
Lukasz Kubot (POL) e Robert Lindstedt (SWE) v. Alexander Peya (AUT) e Bruno Soares (BRA) 4/6, 6/3 e 10-6
Lukasz Kubot (POL) e Robert Lindstedt (SWE) v. Jean-Julien Roger (NED) e Horia Tecau (ROU) 6/4 e 7/6(4)
Bob e Mike Bryan (USA) v. Alexander Peya (AUT) e Bruno Soares (BRA) 7/6(3) e 7/6(2)

Grupo B
Marcel Granollers e Marc Lopez (ESP) v. Julian Benneteau e Edouard Roger-Vasselin (FRA) 6/4 e 6/4
Ivan Dodig (CRO) e Marcelo Melo (BRA) v. Daniel Nestor (CAN) e Nenad Zimonjic (SRB) 6/3 e 7/5
Julian Benneteau e Edouard Roger-Vasselin (FRA) v. Daniel Nestor (CAN) e Nenad Zimonjic (SRB) 6/4, 5/7 e 10-4
Ivan Dodig (CRO) e Marcelo Melo (BRA) v. Marcel Granollers e Marc Lopez (ESP) 7/6(5) e 7/6(12)
Daniel Nestor (CAN) e Nenad Zimonjic (SRB) v. Marcel Granollers e Marc Lopez (ESP) 6/7(5), 6/3 e 11-9
Julian Benneteau e Edouard Roger-Vasselin (FRA) v. Ivan Dodig (CRO) e Marcelo Melo (BRA) 4/6, 6/2 e 10-8

Semifinais
Ivan Dodig (CRO) e Marcelo Melo (BRA) v. Lukasz Kubot (POL) e Robert Lindstedt (SWE) 4/6, 6/4 e 10-6
Bob e Mike Bryan (USA) v. Julian Benneteau e Edouard Roger-Vasselin (FRA) 6/0 e 6/3

Final
Bob e Mike Bryan (USA) v. Ivan Dodig (CRO) e Marcelo Melo (BRA) 6/7(5), 6/2 e 10-7


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