Instrução Saúde

Tênis na terceira idade

Conheça os benefícios do esporte para a população idosa

Por Jefferson Cabral em 1 de Fevereiro de 2014 às 00:00

A POPULAÇÃO IDOSA VEM aumentando nas últimas décadas em decorrência do aumento da expectativa média de vida associada à diminuição da taxa de fecundidade. Enquanto que em 1940 os idosos representavam 4% do total da população brasileira, estimativas do censo brasileiro de 2000 mostraram que, nesse ano, aproximadamente 8% da população tinha mais de 60 anos, ou seja, 15 milhões de indivíduos.

Com esse aumento da expectativa de vida, a incidência de doenças cardiovasculares também cresceu na população idosa (28% das mortes entre idosos foram causadas por esse tipo de problema). Dessa forma, é importante lembrar o quanto o exercício físico contribui para a melhora das funções cardiovasculares nessa faixa da população e o tênis pode ser um grande aliado nesse processo.

Cuidados antes da quadra

O público idoso está cada vez mais presente em aulas e jogos de tênis de campo. Com o aumento da expectativa de vida decorrente do avanço da medicina e com a vida mais ativa, a possibilidade de os mais velhos serem inseridos no tênis aumenta consideravelmente.

Como boa parte já tem alguma doença diagnosticada, seja ela cardiorrespiratória ou ortopédica, antes de iniciar no esporte, o idoso deve passar por um médico especialista na área buscando a liberação para a prática.

Primeiramente, deve-se procurar um local de fácil acesso e dar preferência por um ambiente alegre, com boa harmonia tanto dos alunos quanto dos professores. Além disso, é muito importante a escolha do piso. As quadras de saibro são as mais recomendadas, pois geram menos impacto sobre as articulações dos membros inferiores, diminuindo a chance de lesões.

Aspectos fisiológicos do envelhecimento

Sistema Nervoso Central (SNC): A partir dos 25/30 anos ocorre uma perda de neurônios, com diminuição do número de células nervosas e redução do peso cerebral. Pela diminuição na produção de substâncias que trabalham no funcionamento do SNC, alguns idosos podem desenvolver a doença de Alzheimer e mal de Parkinson. Algumas mudanças no SNC podem causar alterações de equilíbrio, velocidade, controle dos movimentos e postura do corpo.

Sistema Cardiorrespiratório: O envelhecimento do sistema cardiovascular é caracterizado por alterações centrais (coração) e sistêmicas (nas artérias). No sistema arterial, ocorre um enrijecimento e espessamento das artérias. Essas alterações fazem aumentar a pressão arterial e, consequentemente, a hipertrofia do ventrículo esquerdo, isto é, aumento no tamanho de uma região do coração. Com relação à capacidade aeróbia máxima, observam-se reduções a partir da terceira década de vida, que está relacionada com a diminuição do trabalho do coração. Além disso, há um comprometimento no transporte de oxigênio, além de reduções na complacência da caixa torácica e força dos músculos inspiratórios.

Sistema Musculoesquelético: O sistema musculoesquelético está envolvido em importantes funções corporais, como as capacidades de realizar movimentos e locomoção. Nas duas primeiras décadas de vida, há progressivo aumento na massa óssea. A partir dos 40 anos, há um aumento na taxa de reabsorção óssea e há perda progressiva da massa óssea em 1% ao ano, podendo chegar a 5% após a menopausa – o que pode levar à osteoporose, que é caracterizada por baixa massa óssea, além de aumentar a fragilidade e probabilidade de fraturas. Com relação ao músculo esquelético, verifica-se a diminuição lenta e progressiva da massa muscular, com média de 50% entre os 20 e 90 anos de idade.

Benefícios do exercício físico regular

Sistema Nervoso Central: A prática regular de exercícios físicos traz vários benefícios ao SNC, como melhor tempo de reação comparado a idosos sedentários. A participação dos idosos em programas de exercícios que objetivam o desenvolvimento de força muscular e equilíbrio é uma intervenção que contribui para diminuir a incidência de quedas nessa população.

Sistema Cardiorrespiratório: O exercício físico aeróbio tem efeito benéfico para o sistema cardiorrespiratório, com melhora da função cardíaca. Além disso, há uma diminuição da frequência cardíaca de repouso e aumento no consumo máximo de oxigênio. Ao contrário do que ocorre no sistema cardiovascular, o exercício físico exerce pouca influência sobre o sistema respiratório. No entanto, ele pode contribuir em retardar o declínio na função pulmonar associada ao envelhecimento.

Sistema Musculoesquelético: Exercícios de impacto e de força muscular são essenciais para a saúde óssea, evitando a perda de massa decorrente da inatividade, portanto, diminuindo a probabilidade de adquirir osteoporose.

O material utilizado, principalmente a raquete e a corda, deve ser escolhidos a dedo, pois raquetes inadequadas ou cordas muito duras podem causar inflamações nos membros superiores, além de prejudicar na evolução do aluno. Raquetes mais leves e com aros maiores facilitam a projeção da bola para o outro lado, minimizando a sobrecarga sobre o braço dominante. Cordas macias também geram mais conforto. Antes de fazer a escolha pelo material, procure um profissional especializado para orientá-lo.

Ao iniciar os treinamentos, uma boa alternativa são as aulas individuais, principalmente se for iniciante. Trabalhos de coordenação motora e noções de tempo e espaço são bem aceitos principalmente no início. Conforme ocorre a evolução do aluno, deve-se dar enfoque nos fundamentos, na pontuação e no posicionamento em quadra, para posteriormente engajar o aluno em aulas em grupo.

As aulas em grupo geram muitos benefícios além do desenvolvimento técnico, tático e físico. O convívio e a interação com outras pessoas trazem uma impactante desenvolvimento na sociabilização, melhorando muito a qualidade de vida do idoso. Além dos aspectos sociais, as aulas em grupo criam um vasta alternativa de jogos adaptados, muito além dos jogos tradicionais de duplas, para atletas mais velhos.

Para a maioria do público idoso, o interesse pelo jogo em dupla é muito maior que o de simples pelo simples fato de o jogador cobrir uma parte menor da quadra, fazendo com que o jogo fique mais competitivo e o desgaste seja muito menor, possibilitando passar mais tempo em quadra.

No entanto, se houver interesse em participar de jogos de simples, pode-se optar por partidas adaptadas. A diminuição da quadra com faixas de demarcação e a utilização de bolas mais leves, aquelas utilizadas pelo método “Play and Stay” são boas opções.

Sendo assim, a prática de tênis para o público idoso, se for direcionada e adaptada de acordo com as suas limitações, pode ser uma grande ferramenta na evolução do esporte e na melhora da qualidade de vida.

Recomendações e orientações para a prática de exercício físico

Um programa de treinamento para a população idosa deve considerar a estimulação equilibrada de todos os sistemas corporais, priorizando trabalhar a postura, equilíbrio corporal, controle de movimento, tempo de reação e movimentos rápidos, além das funções cardiorrespiratórias e musculoesqueléticas. Todos esses estímulos podem ser adquiridos com exercícios físicos específicos e através da prática do tênis de campo, tornando-se uma ferramenta para a prática de exercícios físicos.
No entanto, antes de iniciar a prática de exercícios físicos, é recomendada a realização de teste ergométrico ou ergoespirométrico para analisar a capacidade física, além de observar possíveis alterações cardiovasculares. De forma geral, a intensidade moderada é a mais segura, com recomendação de 50% e 70% da frequência cardíaca de reserva para idosos sedentários e de 60% a 80% da frequência cardíaca de reserva para idosos treinados. A duração do exercício aeróbio deve ser de, pelo menos, 20 minutos, podendo chegar a 60 minutos. A frequência das sessões deve ser de três a quatro vezes por semana, em dias alternados. Para saber mais informações sobre a utilização % da frequência cardíaca para o treinamento, peça ajuda do seu instrutor.


Saúde/Nutrição idoso envelhecimento doenças cardiovasculares exercicio físico

Artigo publicado nesta revista

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