Equipamento

Diga-me com que raquete jogas e te direi que tipo de jogador és

A raquete define seu estilo de jogo ou seria o contrário?

Arnaldo Grizzo em 21 de Agosto de 2012 às 06:37

JÁ IMAGINOU O QUE aconteceria se um dia Rafael Nadal e Roger Federer resolvessem trocar de raquetes, cada um jogando com a do rival? Rafa provavelmente ficaria impaciente de ver suas bolas caindo no "T" quase sem topspin. Roger certamente balançaria a cabeça em sinal de reprovação a cada bola que voasse longe, e seriam muitas. É, isso prova que cada raquete serve para uma coisa, ou seja, cada raquete tem um dono.

Escolher um equipamento apropriado e que se encaixe perfeitamente no seu jogo não é tarefa simples. Você pode até se imaginar jogando como Federer, soltando o braço com winners matadores de bolas que sobram no meio da quadra, mas, pensando bem, é assim mesmo que você joga? Ou isso é só em sonho? Na maioria das vezes é em sonho? Ok, admita, sabemos guardar segredo.

De qualquer maneira, vamos usar os três (ou talvez os quatro) "Mosqueteiros" - Federer, Nadal, Novak Djokovic e Andy Murray - para exemplificar que tipo de raquete você deve buscar de acordo com seu estilo de jogo. Cada um deles tem um jeito peculiar de jogar e cada um se adaptou a uma raquete específica, que lhes auxilia em seus pontos fortes.

DE OLHO NAS ESPECIFICAÇÕES

Antes, porém, é preciso explicar quais aspectos das raquetes devem tomar sua atenção e como pequenas diferenças neles influenciam decisivamente no estilo geral do "taco". O primeiro é o tamanho da cabeça. Quanto maior a cabeça, mais fácil vai ser acertar a bola e mais potência a raquete vai gerar. Quanto menor, menos força e menos espaço para erros.

Depois, a espessura do aro também diz muito sobre o equipamento. Quanto mais grosso, geralmente mais potência é gerada na batida. E o contrário também é válido, ou seja, quanto mais fino, mais força você terá que fazer. Em compensação, terá maior precisão.

Em seguida vem o padrão de cordas, ou seja, quantas fileiras de corda há na vertical e na horizontal. Quanto mais fechada for essa trama, mais difícil gerar spin. Quanto mais aberta, mais fácil.

Outro ponto é o peso. Uma raquete mais pesada pode até dar mais estabilidade para seus golpes, mas também pode machucar seu braço. Com uma mais leve, você gera maior velocidade no swing (movimento), que nem sempre é revertido em potência na bola, e tem mais conforto e facilidade de manusear. Em relação ao peso, outro fator importante é o equilíbrio. Quanto mais voltado para o cabo, mais fácil de manusear e controlar a bola. Quanto mais para a cabeça, mais velocidade e menor precisão.

Vale ainda lembrar que é importante ser observado o tamanho do grip, já que uma pegada correta e ajustada faz toda a diferença. Usar um grip maior ou menor do que o formato de sua mão pode trazer problemas, criando uma tensão maior nos músculos e tendões do braço.

Por fim, mas não menos importante, é preciso estar atento às cordas, pois, no fim das contas, elas podem fazer você amar ou odiar uma raquete. Contudo, sobre elas, falaremos mais adiante. Vamos ao que interessa.

Ron C. Angle/TPL

Federer joga com uma raquete pesada e de cabeça pequena, que requer muita força e habilidade

ROGER FEDERER

Já reparou na raquete de Federer? Viu a Wilson Six. One Tour de perto? Ela é uma "evolução" da antiga raquete que Pete Sampras, em seus áureos tempos, utilizava. O suíço usa um equipamento pesado (mais de 350 gramas - que não está assim tão distante do quanto pesavam as velhas raquetes de madeira), de cabeça pequena (apenas 90 polegadas quadradas), de aro fino (míseros 17,5 milímetros) e com equilíbrio voltado para o cabo.

Agora pense no jogo de Federer. Ele joga em cima da linha de base, pega a bola na subida, bate quase sempre plano (sem topspin), quando possível ataca a rede. Uma raquete como a que ele empunha parece perfeita para esse tipo de jogador agressivo e habilidoso. E ela é, mas em termos.

A cabeça pequena, o aro fino e o peso voltado para o cabo lhe dão toda a precisão de que seu jogo plástico precisa. As 357 gramas dessa raquete, acredite, são extremamente pesadas. É preciso muito braço para jogar com isso. Sendo assim, Federer dá uma "aliviada", usando um padrão de cordas mais espaçado (16 cordas na vertical x 19 na horizontal) e tensão mais baixa (menos de 50 libras) do que usam Nadal (por volta de 55) e Djokovic (perto de 60), para ver se ganha um pouco de potência.

Você acha que joga como Federer? Uma dica: pare de sonhar. Ok, uma dica para valer agora: evite sonhar demais e pense bem na raquete que vai comprar. A Wilson que o suíço empunha é impossível de jogar para qualquer tenista mortal. Se você tem habilidade e força no braço (tem mesmo?), busque uma raquete semelhante a essa. Digo, semelhante. Aro fino (até 25 mm está de bom tamanho), peso no cabo e cabeça pequena (não precisa ser 90, né? 95 está de bom grado, não?) já vão lhe ajudar a ter a precisão de golpes que quer, mas 357 gramas é impensável. Há versões de raquetes com esse perfil, porém mais leves, dentro da própria linha da Wilson, mas também da Dunlop (linha 100 ou 200), Yonex (linha VCore) e Head (linha Prestige e Radical), que também possuem modelos mais leves e amigáveis de seus modelos top.

Lembre-se: para jogar com uma raquete desse tipo, você precisa gerar sua própria potência com a força do seu braço. Caso queira ganhar um "empurrãozinho", diminua a tensão das cordas.

Ron C. Angle/TPL

Já Nadal utiliza uma raquete mais leve e que gera muito topspin, favorecendo seu estilo

RAFAEL NADAL

Agora vamos ao "extremo oposto" em termos de jogo e, consequentemente, de raquete. Rafael Nadal é quase que uma antítese de Roger Federer em estilo. O que o suíço tem de plástica, o espanhol tem de garra. Seu jogo depende do topspin das trocas de fundo de quadra, do quique alto, do contra-ataque, da recuperação de bolas quase perdidas. E ele é capaz de fazer tudo isso também graças ao seu equipamento.

Como se não bastassem os bíceps avantajados e a força monstruosa do Touro, ele usa a best-seller Babolat AeroPro Drive - uma "mutação" da Pure Drive, que sempre foi o carro-chefe da marca francesa. Essa raquete tem cabeça 10 polegadas quadradas maior do que a Wilson de Federer (100 in2) e é quase 40 gramas mais leve (pesa 320 gramas). Só por isso, já gera mais potência.

A espessura (por volta de 25 mm) e o formato do aro sugerem uma aerodinâmica que facilita o manuseio. Isso, aliado a um padrão de cordas mais espaçado (16 x 19), faz com que o topspin seja fenomenal. Ela é, de longe, a raquete que mais ajuda a criar efeito. E é dessa forma que ela consegue manter as trocas de bola dentro da quadra, pois, de outra maneira, elas voariam direto para o alambrado.

Para ganhar um pouco mais de controle, Nadal utiliza uma corda com base de poliéster (também especificamente desenhada para gerar spin) com tensão "média", em torno de 55 libras. O formato da cabeça da AeroPro Drive ainda é capaz de criar um "sweetspot" (vulgo "ponto doce", que nada mais é do que a área da malha de cordas em que o contato com a bola é melhor) grande, facilitando aquelas típicas "rebatidas mágicas" do espanhol em bolas perdidas. O que prejudica quem joga na rede é o equilíbrio de peso (que não está muito na direção cabo), que dificulta um pouco (pouco mesmo) o manuseio.

Sendo assim, para quem tem um estilo de jogo parecido (de trocas de bola com spin alto e contra-ataque), vale a pena arriscar nessa raquete ou em outras que se assemelham, como algumas Head (linha Extreme, Radical e Speed) e Prince (linha Rebel ou Tour). E até mesmo alguma outra Babolat (da linha Pure Drive, por exemplo). No entanto, com um molde tão peculiar, caso você não consiga se adaptar a AeroPro Drive, talvez consiga se adaptar a uma menos "radical".

Jogar com uma raquete assim é muito mais fácil do que com uma como a de Federer. Sem tanto peso no braço, você pode fazer os ajustes necessários para criar potência e controle por meio da tensão das cordas.

Ron C. Angle/TPL

Já Nadal utiliza uma raquete mais leve e que gera muito topspin, favorecendo seu estilo

NOVAK DJOKOVIC

Quer um meio termo? Nem tanto ao céu, nem tanto à terra? Assim parece ser o estilo e consequentemente também a raquete de Djokovic. O sérvio não é tão agressivo quanto Federer e nem usa tanto spin quanto Nadal; e seu equipamento responde a isso.

Sua Head Youtek IG Speed tem um pouco mais de peso do que a Babolat de Nadal, (236, ou seja, 6 gramas a mais), mas não chega perto das 357 gramas do "taco" do suíço. Com aro mais fino (20/21 mm), equilíbrio de peso mais voltado para o cabo e padrão de cordas mais fechado (18 x 20), a precisão dos golpes é muito maior.

Assim como na Babolat, o sweetspot é grande, favorecendo batidas não tão próximas do centro da raquete, isso é, também serve para "resgatar" aquelas impossíveis bolas perdidas que Djokovic consegue jogar para o outro lado da quadra - mesmo usando uma tensão consideravelmente maior do que seus dois rivais (cerca de 60 libras). Sendo assim, ao mesmo tempo em que ela gera controle, consegue dar alguma velocidade e ser um "meio termo" entre a Babolat e a Wilson - tendendo muito mais para o estilo da marca francesa.

É interessante notar que tanto a raquete de Djokovic quanto a de Nadal possuem um equilíbrio de peso levemente voltado para o cabo, enquanto que a de Federer é totalmente no cabo. Peso no cabo geralmente significa um manuseio mais fácil, porém, por serem bem mais leves, a Babolat e a Head não ficam tão atrás nesse quesito.

Enfim, se você percebeu que o "tijolo" que Federer usa não é para você e nem o radicalismo da raquete de Nadal lhe agrada muito, talvez o meio do caminho seja a solução. No entanto, conforme já apontamos, não é só essa Head que tem essas características "mistas". A verdade é que praticamente todas as grandes marcas possuem alternativas que rondam o "meio termo". E esse "meio termo" representa nada menos do que a maioria esmagadora dos tenistas amadores, que sempre (ou quase sempre) procuram o equilíbrio, alguns tendendo um pouco mais para o controle, outros para a força.

Sendo assim, na Head, além dessa linha Speed, a linha Radical - usada por Andy Murray - também possui especificações que ajudam tanto a quem quer um pouco mais de potência nos golpes quanto quem busca controle (e topspin). Da mesma forma atua a Dunlop na linha 300 (que é considerada uma das raquetes mais amigáveis para amadores ultracompetitivos), 400 e 500 (ótima opção para ganhar potência e spin); a Wilson com a linha Blade (usada por Serena Williams), Juice (de Victoria Azarenka) e modelos mais leves da Six.One (uma das raquetes mais usadas do mundo); e outras tantas como Völkl, Yonex, Tecnifibre, ProKennex etc.

Como você joga? Pense bem e imagine que tipo de raquete combina com esse estilo antes de comprar o equipamento do seu ídolo apenas por ele ser seu ídolo.

Photoxpress.com

O PODER DAS CORDAS

Você comprou uma raquete que achava que era a ideal para o seu estilo. Ela parece que funciona para você, mas, na hora do "vamos ver", na hora de realizar aqueles golpes que você fazia com seu antigo modelo, a coisa não anda. Não há sensação pior. Você desanima, acha que jogou dinheiro fora. Porém, já pensou que o problema pode não estar na raquete?

Usar uma corda adequada e uma tensão adequada para a raquete podem fazer completa diferença. Se você acha que sua bola está saindo muito, que o controle está difícil, a primeira providência é aumentar a tensão. Sem exageros, contudo. Você foi até o máximo que acha razoável e o problema persiste? Pare e veja qual o tipo de corda usado. Com base de nylon? Se for, tente um polímero de poliéster, eles costumam dar mais precisão. Ainda está tendo dificuldade? A próxima pergunta é: qual o diâmetro da corda? 1,30 mm? Tente uma de 1,25 mm. Quanto mais fina, mais controle (e menos durabilidade).


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Artigo publicado nesta revista

Guga Eterno


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