COPA DAVIS 2006 FINAL - Safin faz a Argentina chorar

O ídolo russo acabou com o sonho dos sul-americanos,que buscavam o primeiro título para o continente

Da redação em 12 de Dezembro de 2006 às 10:13

Tensão no Estádio Olímpico de Moscou. Com exceção de um grupo barulhento de uns 100 argentinos, entre eles Diego Maradona, as quase 10 mil pessoas, sobressaltadas, viam o ídolo Marat Safin permitir a reação do valente José Acasuso, que depois de estar perdendo por 1 a 4, sacaria para tentar empatar em 4 a 4 no terceiro set. Acasuso, 24 anos, 27o no ranking mundial, ainda invicto na Davis, batia forte, com confiança e àquela altura parecia capaz de derrotar Safin e dar à Argentina e à América Latina o seu primeiro título na mais importante competição por equipes do tênis.

Mas, provavelmente depois de se conscientizar da importância do momento, Acasuso, o "Chucho" - que só agora, aos 24 anos, chega ao auge do seu tênis -, não suportou a pressão. Jogou o seu pior game na partida e perdeu o serviço sem marcar um ponto. Em seguida, Safin fechou o set em 6/3 e a partir daí, mesmo aparentemente equilibrado, o quinto jogo do confronto entre Rússia e Argentina, pela Copa Davis, já tinha escolhido o seu final.

Com alguma dificuldade para se movimentar, no quarto set Safin priorizou manter o seu serviço e arrastar a partida até o tiebreak. Recuperando-se de uma cirurgia no joelho, o russo ainda estava mais desgastado por ter jogado nos dois dias anteriores do confronto e usava sua experiência para cozinhar o entusiasmado Acasuso, que por sua vez, ou por sentir uma contusão no pé direito, ou por não perceber a tática do adversário, optou pela mesma estratégia. O resultado foi um set inusitado, em que o sacador fechava o game sem perder nenhum ponto (nos 12 games disputados até o tiebreak, apenas três pontos foram vencidos pelo recebedor).

Safin conseguiu o primeiro minibreak com uma ousada paralela de esquerda, fazendo 3 a 1. Acasuso devolveu a quebra com uma bola na linha, mas numa troca de bolas que poderia lhe dar o empate em 6 a 6, jogou uma direita na rede que fez Safin erguer os braços e, com um sorriso, procurar os abraços emocionados da equipe russa. O argentino voltou para o banco, abaixou a cabeça e chorou muito. Tinha perdido uma oportunidade única de se imortalizar na história do tênis.

"Fizemos uma grande partida. Ele jogou muito bem, mas talvez tenha sentido a pressão em alguns momentos", disse Safin de seu adversário. O ídolo russo acrescentou que ganhar a Copa Davis foi a melhor coisa que lhe aconteceu nos últimos dois anos e elogiou Dmitry Tursunov: "Apesar de ter jogado apenas nas duplas, foi o destaque da nossa vitória, pois jogou seu melhor tênis e acabou com todas as dúvidas sobre a sua capacidade de participar desta final".

Heróis e vilões
A escolha de Safin para fazer o quinto jogo consagrou o jogador e o capitão russo Shamil Tarpischev, mas não foi uma decisão fácil. Safin havia perdido na sexta-feira para David Nalbandian por triplo 6/4, e no sábado, ao lado de Dmitry Tursunov, vencera Nalbandian e Agustin Calleri por 6/2, 6/3 e 6/4. Uma opção seria substituí-lo pelo descansado Mikhail Youzhny, 24 anos, 24o no ranking, herói do primeiro título de Copa Davis da Rússia, em 2002. Mas o sofrível retrospecto de Youzhny em quadras de carpete não o credenciou para a partida.

Do lado argentino, o capitão Alberto Mancini também viveu dúvidas e pressões. Muitos não concordaram com a escalação de Juan Ignácio Chela, 27 anos, 33o na ATP, que abriu o confronto contra Nikolay Davydenko, 25 anos, terceiro do ranking. Mancini confiou no tabu que Chela mantinha contra o russo - cinco vitórias em cinco jogos. Mas em Moscou Davydenko ditou o ritmo da partida, vencendo sem maiores dificuldades por 6/1, 6/2, 5/7 e 6/4.

Mancini só não teve dificuldade para escolher o primeiro tenista - David Nalbandian, 25 anos a serem completados no dia 1o de janeiro, oitavo do ranking, um dos mais completos do circuito.

#Q#

Nalbandian, apesar de ter dado a impressão de estar um pouco acima do peso (1,80m, 79 quilos), venceu seus dois jogos de simples com muita autoridade - no último dia marcou 6/2, 6/2, 4/6 e 6/4 em Davydenko - e só não foi perfeito em Moscou porque jogou muito mal a partida decisiva das duplas.

A falta de uma parceria mais entrosada fez Mancini apostar em Nalbandian e Calleri - 30 anos, 29o no ranking de simples -, que em 2006 venceram as duplas de Suécia e Austrália. Mas desta vez Nalbandian não foi nada bem. Inseguro no serviço, na devolução e, principalmente, no jogo de rede, foi o pior jogador em quadra, seguido por Safin. Calleri fez o que pôde, mas quem decidiu a partida de duplas foi Tursunov, 24 anos, 22 do ranking, também cogitado para jogar as simples no lugar de Safin. Fica a dúvida: Mancini poderia ter escalado Acasuso para formar a dupla com Nalbandian ou mesmo Calleri? Teoricamente, sim. Afinal, dos jogadores argentinos, Acasuso tinha o melhor ranking de duplas (51o) e em Zagreb, ao lado de Nalbandian, conseguiu vitória decisiva contra a parceria croata. Pela forma que demonstrou contra Safin, poderia ter sido escalado tanto no primeiro dia de simples, como nas duplas.

Com a má fase de Guillermo Coria e Gaston Gáudio, Acasuso é o segundo argentino no ranking de simples. Considerado muito talentoso, tinha fama de se perder emocionalmente, mas tem demonstrado mais maturidade. Fez um grande jogo com Safin. Um jogo parelho em todos os sentidos. O russo é o 26o do ranking, tem 1,93m e 88 quilos. O argentino é número 27 na ATP, tem 1,91m e 86 quilos.

Depois de um início tímido, que permitiu um break de vantagem para Safin e custou o primeiro set, Acasuso dominou a segunda série e teve um bom momento na terceira, quando deixou escapar a chance de empatar em 4 a 4, pressionando o russo. Sua inexperiência em jogos da Davis acabou sendo decisiva, mas saiu de Moscou como um nome certo para as próximas jornadas argentinas em busca de uma conquista que parece inatingível para os sul-americanos.

Uma , bi; outra , bi-vice
A vitória significou proporcionou o segundo título da Copa Davis para a Rússia em apenas cinco anos. O primeiro foi obtido contra a França, em Paris, em 2002. Para a Argentina, a derrota representou o segundo vice-campeonato na história, já que em 1981 - com uma equipe com Guillermo Vilas e Jose Luis Clerc - perdeu para os Estados Unidos por 3 a 1, em Cincinnati.

Em 2007 russos e argentinos poderão se encontrar novamente na final, pois serão os principais cabeças-de-chave. Mas as duas equipes estrearão como visitantes. A Rússia jogará a primeira rodada, de 9 a 11 de fevereiro, contra o Chile, enquanto a Argentina enfrentará a Áustria.


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Artigo publicado nesta revista


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