JENIFER, a número um

Jenifer Widjaja, 20 anos, a melhor brasileira no ranking mundial, treina com seu mentor José Salibi Neto em busca de novas vitórias

Odir Cunha<Br> | Fotos Gil Souza em 12 de Dezembro de 2006 às 10:21

"Já pode começar a fazer isso nos torneios, viu? Pode começar, está com confiança!", exclama José Salibi Neto depois de ver Jenifer Widjaja acertar um belo voleio cruzado. Estão em uma quadra de Alphaville, condomínio elegante a 15 minutos de São Paulo. A quadra fica a poucos metros da casa de Silvia, irmã mais velha de Jenifer, que um dia também já foi uma tenista promissora. Salibi, 47 anos, executivo de sucesso que na juventude jogou tênis universitário nos Estados Unidos, é o mentor de Jenifer, 20 anos, a melhor tenista do Brasil no momento - número 215 do ranking da WTA do dia 4 de dezembro de 2006.

Há uma energia positiva no ar quente da manhã de primavera. Mestre e aluna se dedicam com afinco às rebatidas de fundo e Jenifer vez ou outra se arrisca ao jogo de rede. Mais um bom voleio e Salibi não se contém: "Gostei, é isso aí! Mulherada não sabe fazer isso, Jenifer. De cada cem, uma faz isso mais ou menos!".

Salibi é diretor da HSM, empresa de desenvolvimento gerencial que fundou com o amigo Harry Ufer. Adora o que faz, mas sua maior paixão é o tênis. Jogou pela Universidade da Carolina do Sul e chegou a 400 no ranking da ATP. Sua maior contribuição ao esporte, porém, tem sido nos bastidores. Sente-se realizado ao alavancar carreiras, participar de empreendimentos que ajudem o tênis brasileiro.

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A opção de Luiz Mattar pelo tênis profissional, o patrocínio que manteve Fernando Meligeni nas quadras, a construção do centro de treinamento Amil, o maior da América Latina, além de dezenas de bolsas que permitiram jovens brasileiros estudar e jogar tênis nos Estados Unidos, tudo isso teve a participação desinteressada de Salibi, reconhecido no meio como um admirável mecenas do tênis nacional.

Enfim, uma estrutura

Jenifer Widjaja foi vista por ele quando treinava no Costão do Santinho, em Florianópolis. Salibi, que até ali só tinha atuado no tênis masculino, gostou da maneira como a garota se empenhava nos treinos e resolveu ajudá-la: "Aqui no Brasil se faz muito pouco pelo tênis feminino. Tive duas amigas, a Roberta Burzagli e a Miriam D'Agostini, que tiveram de parar por falta de apoio. Então, sensibilizei-me com a vontade da Jenifer e resolvi apoiá-la", diz.

A nova número um do Brasil já teve a sorte de ser treinada por técnicos respeitados, como Jaime Oncins, Marcelo Saliola, Foguinho (Costão do Santinho), mas só passou a contar com uma boa estrutura depois de cair nas graças de Salibi. Hoje ela faz sua preparação na Academia Slice, em Alphaville, e tem à sua disposição uma equipe formada por Hélio Sileman (treinamento em quadra), Givaldo Barbosa (tática), Benjamin Belinky (preparação física) e Ludgero Neto (coordenação técnica).

Tony Widjaja, pai de Jenifer, se emociona ao falar do apoio de Salibi. "Agora ela tem uma preparação física boa, pode jogar sem pressão. O único objetivo é jogar o melhor que puder", diz Tony, que por muitos anos deu aulas no Play Tennis da Leopoldo Couto Magalhães, em São Paulo, e há 20 anos mora em São Roque, onde Jenifer nasceu.

Os Widjaja são da Indonésia. Lá este sobrenome é tão comum como "Silva" no Brasil. Tony e Luciana se casaram na pequena cidade de Cirebon e desembarcaram em São Paulo há cerca de 30 anos. Tony foi trabalhar como professor de tênis e sempre acalentou o sonho de ter um filho tenista profissional.

Primeiro foi Silvia, hoje com 31 anos. Depois, Rafael, 23. Tony passou anos levando os filhos para os torneios pelo Interior afora. Um dia, a falta de apoio venceu. Silvia se casou. Rafael joga tênis universitário no Brasil. Restou a caçula, Jenifer Boediarto Widjaja, nascida no dia 7 de dezembro de 1986.

Jenifer começou a jogar aos sete anos, no Grêmio União São Roquense e aos nove já era treinada pelo pai. Terminou o colegial e quer fazer Administração e Marketing, mas só depois de abandonar as quadras. Outra coisa que ficou de lado é a vida normal de adolescente, com baladas e namoros:

"É uma fase que você tem de escolher. A vida de tenista é dura, depende de resultados. Não dá tempo para namorar", diz ela num dos intervalos para beber água. Bonita, com corpo proporcional de 1,65m e 58 quilos, Jenifer teria muitos pretendentes não fosse a vida atribulada das quadras. Mas ela acredita que há um preço a pagar pelo sucesso.

Rápida, concentrada e bastante regular - estas qualidades fizeram de Jenifer a tenista número um do País, superando a experiente catarinense Maria Fernanda Alves, que no ranking do dia 4 de dezembro estava 43 posições abaixo da paulista (entre elas, na segunda posição, encontrava-se a brasiliense Larissa Carvalho, número 245 na WTA).

Golpes potentes

Jenifer com os pais, a irmã Silvia e os sobrinhos: a caçula dos Widjaja deu certo

Com empunhadura semi-western para a direita, e continental para saque e voleio, Jenifer, que é destra, tem na direita e esquerda suas armas mais importantes. Como antecipa bem, consegue colocar o pé à frente para fazer a transferência de peso, imprimindo mais potência aos golpes. Devido à influência de Salibi está desenvolvendo o jogo de rede, opção importante para vencer jogadoras mais firmes no fundo de quadra.

Depois do treino de quase duas horas, enquanto Jenifer acompanhava os pais e os sobrinhos até a casa de Silvia, Salibi falou da necessidade de se valorizar o trabalho de base no tênis brasileiro: "Veja grandes países do tênis, como Rússia, Espanha e Argentina: têm ótimo trabalho de base. Mas aqui ninguém quer ficar trocando fraldas, quer pegar o jogador pronto. A Jenifer teve a sorte de ter o pai, ótimas academias, mas academia não é um lugar bom para a criança ficar. Tem de ser o clube".

Antes de guardar a bolsa no porta-malas e partir, Salibi dá um conselho à Revista TÊNIS : "Façam uma matéria sobre as escolinhas, por onde andam elas?". E manda um último recado aos ex-tenistas profissionais, que segundo ele não estão devolvendo ao tênis tudo o que o esporte os proporcionou: "Doem-se mais. Acho que é isso que os ex-tenistas deveriam fazer: doar-se mais".


Perfil/Entrevista

Artigo publicado nesta revista


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