Revista TÊNIS

A volta da deixadinha

Dez anos atrás, o drop-shot estava desaparecido da turnê masculina. Agora, é uma das armas obrigatórias para vencer no saibro

Christopher Clarey em 28 de Maio de 2009 às 13:54

EM 1997, o Russo Yevgeny Kafelnikov, que defendia o título do ano anterior, foi questionado sobre as deixadinhas que acabara de usar para derrotar o francês Cedric Pioline na terceira rodada de Roland Garros. "Venci o torneio no ano passado graças aos meus drop-shots", disse. "Só há dois jogadores que sabem como usá-los no saibro: Andrei Medvedev e eu".

Ninguém mais faz esse tipo de declaração em Paris, e a deixadinha, ou "l''amortie", como dizem os franceses, está viva, e bem viva como uma opção tática no saibro. Ela é usada com regularidade por Rafael Nadal, Andy Murray, Novak Djokovic, David Nalbandian, Marcos Baghdatis e até Roger Federer. "Venho tentando fazer isso nos últimos três ou quatro anos, mas não é algo que faça com muita naturalidade", declarou o suíço.

"Uma das coisas que tentei convencer Roger a fazer no ano passado foi incorporar o drop-shot de forehand também. Ele está começando a usar um pouco isso, mas seu drop de backhand é formidável", avalia José Higueras, técnico de Federer em Roland Garros 2008.

"A deixadinha é uma jogada de ataque, não de defesa, porque, se você não a executar corretamente, perde o ponto", diz Higueras. "O ponto principal é a capacidade de disfarçar o golpe. Todo mundo está tão veloz atualmente que, se você der uma pista, eles vão alcançar a bola".

Além disso, a escassez de voleadores de qualidade faz com que seja uma escolha inteligente chamar os tenistas de fundo para a rede. Com jogadores como Andy Roddick, Gilles Simon, Gael Monfils e Nadal se posicionando muito atrás da linha de base, existe uma grande região para ser explorada com drops.

O Sueco Mats Wilander, tricampeão do Aberto da França, corrobora esta visão: "Acho que a deixada não é necessariamente uma boa maneira de ganhar o ponto, mas uma forma de manter seu adversário próximo da linha de base. se você tem um bom drop, seu oponente vai lhe respeitar. Se você traz um cara como nadal para perto da linha de base, ele não será tão perigoso como é a seis ou sete passos afastado dela, pois não vai conseguir fazer movimentos tão longos".

Wilander tem razão. Até hoje, ninguém desenvolveu uma técnica para bater o espanhol em Roland Garros. A deixadinha pode ser uma boa saída. "Obviamente que rafa tem uma boa leitura da jogada. Então, você precisa ser seletivo, mas ainda acho que um drop-shot dado na hora certa vai funcionar contra ele", acrescenta Higueras.

Nadal e seus colegas espanhóis criados no saibro são, há muito tempo, grandes especialistas neste golpe. "Manolo Santana foi provavelmente o melhor que vi", diz Higueras a respeito do campeão de Roland Garros em 1961 e 64. "Ele era capaz de dar drop-shots em que a bola quicava na quadra do adversário e voltava para sua quadra, quando não quicava no chão e ia direto para a rede".

Embora não haja dados disponíveis, o uso da deixadinha alcançou seu grau máximo em 2006, ano em que, numa coluna para o L''Equipe, Wilander implorou aos tenistas que exercitassem a jogada com moderação.

"É pior que uma espinha na cara de um adolescente; uma verdadeira overdose. A deixadinha é uma arma fantástica, desde que seja usada com inteligência e parcimônia. Muitos dropshots matam os drop-shots", escreveu Wilander na época. Diga isso para Murray, o jovem e teimoso escocês que, apesar da grande variedade de jogadas e dos conselhos para usar a deixadinha com moderação, insiste em continuar usando drops na maioria das superfícies.

Murray pode, de fato, superexplorar a jogada. Mas ninguém duvida que tem habilidade e consegue executar o golpe com estilo, e ninguém discorda que a deixadinha deixa o jogo mais rico. "Tenho problemas com a forma como o drop-shot é usado. Mas ainda amo a deixadinha. É divertida", finaliza Wilander.

From Tennis Magazine. Copyright 2009 by Miller Sports Group LLC. Distributed by Tribune Services


Instrução - Tática

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