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OPINIÕES DIVIDIDAS

O que as melhores do mundo acham sobre jogar cinco sets em Slams

Assunto voltou a ter destaque após Craig Tiley, ex-diretor do Australian Open e CEO da USTA, revelar que Slams cogitam implementar melhor de 5 para mulheres


Aryna Sabalenka no WTA Finals de Riade, em 2025
Sabalenka acredita que poderia se beneficiar de mudança - Jimmie48/WTA

A possibilidade de partidas femininas em melhor de cinco sets nos Grand Slams voltou ao debate após a sugestão de Craig Tiley. Jogadoras como Aryna Sabalenka e Coco Gauff acreditam que poderiam se beneficiar do formato, principalmente pela condição física, enquanto outras, como Iga Swiatek e Elena Rybakina, demonstram preocupação com o impacto no calendário, na recuperação e na qualidade das partidas. O tema divide opiniões no circuito da WTA e levanta discussões sobre igualdade, exigência física e organização dos torneios.

A implementação de jogos de cinco sets para mulheres em Grand Slams é uma discussão antiga, mas voltou a ter destaque após Craig Tiley, ex-diretor do Australian Open e CEO da USTA, revelar que essa é uma possibilidade real.

"Uma das coisas que venho dizendo é que eu acho que deveriam haver jogos de cinco sets para mulheres. Nós deveríamos pensar nisso para os últimos jogos -- quartas, semis e finais", disse.

A possibilidade divide opinião entre as jogadoras. Número 1 do mundo, Aryna Sabalenka, tetracampeã de Majors, acredita que teria ainda mais títulos caso essa regra fosse implementada antes. Coco Gauff, que tem dois Slams na carreira, é outra jogadora que acha que se beneficiaria da mudança, apesar de ser contrária à mudança.

Já Iga Swiatek, tetracampeã de Roland Garros e seis vezes vencedora de Slams na carreira, tem preocupações com uma possível mudança devido à exigência do calendário. Elena Rybakina, atual campeã do Australian Open e número 3 do mundo, também é contra.

Veja opiniões das jogadoras sobre o assunto

Aryna Sabalenka, número 1 do mundo

"Sim, vamos fazer isso. Sinto que provavelmente teria mais títulos de Grand Slam. Acho que fisicamente sou muito forte e estou bastante confiante de que meu corpo conseguiria lidar com isso. Imagino que seria preciso muito trabalho físico para outras, mas sinto que estamos no esporte e precisamos cuidar de nós mesmas. E acho que, se fizerem isso, eu teria uma grande vantagem"

Iga Swiatek, número 2 do mundo

Swiatek em Indian Wells
Swiatek | Foto: Divulgação/BNP Paribas Open

“Acho que, sinceramente, é uma abordagem estranha em um mundo em que tudo está ficando mais rápido. Então não sei se o público realmente gostaria disso. Além disso, não sei se conseguiríamos manter a qualidade por cinco sets. Bem, isso é um fato: os homens são fisicamente mais fortes e conseguem lidar com isso com certeza melhor. Também nunca treinamos de uma forma que nos prepare para isso, então precisaríamos mudar, acho, todo o nosso calendário, porque os Grand Slams seriam tão exigentes que, sinceramente, acho que não teríamos tempo para nos preparar para qualquer outro torneio"

Elena Rybakina, número 3 do mundo

"Acho que é uma mudança enorme, mesmo que seja apenas na segunda semana. Você começa em um formato e depois ele fica mais longo. Mentalmente, estar preparada para jogar tantos sets, caso a partida chegue a esse ponto, acho que não é fácil. E, claro, fisicamente, você também precisa entender como vai se sentir. Mesmo tendo um dia de descanso entre as partidas, pode não ser suficiente, e na segunda semana às vezes você joga dois dias seguidos. Acho que é uma mudança muito grande e também não sei se seria interessante para o público, porque manter o nível por tantos sets é difícil. Então acho que é um tema complicado e, falando como jogadora, eu diria que não gostaria de jogar em melhor de cinco sets".

Coco Gauff, número 4 do mundo

Coco Gauff em Indian Wells
Gauff | Foto: Divulgação/BNP Paribas Open

"Provavelmente me favoreceria, porque fisicamente estou entre as melhores, mas provavelmente eu não gostaria de ver isso acontecer. E, se fosse para acontecer, eu preferiria que fosse durante todo o torneio, não apenas a partir das quartas de final. Acho que mudar o formato no meio do torneio tira o sentido de igualdade na competição. Acho que seria muito pesado para as jogadoras, e também para os fãs e para a TV. Imagine: às vezes partidas em cinco sets já vão até a sessão das 19h. Se todas nós jogássemos em cinco sets, nem acho que conseguiríamos terminar (um Grand Slam) dentro das duas semanas"

Jessica Pegula, número 5 do mundo

"Eu realmente não acho que deveríamos ter que fazer isso. Sinceramente, nem sou uma grande fã do melhor de cinco sets, nem mesmo entre os homens. E, embora eu saiba que já houve partidas incríveis em melhor de cinco, também acho que há muitas em que os jogadores praticamente ‘entregam’ sets porque estão cansados... eles mesmos já me disseram isso. Eles precisam reservar energia de maneiras diferentes. Você definitivamente administra sua energia de forma muito diferente — pelo menos pelo que os caras me disseram — em comparação com partidas em melhor de três sets. Então acho que esse é um ponto. Temos atletas femininas incríveis que, sinceramente, acho que poderiam fazer isso. Não acho que seja uma questão de não conseguirmos. Só não acho necessariamente que deveríamos. Nem sei como seria possível organizar o calendário dos torneios. Teríamos que adicionar semanas"

Paula Badosa, ex-número 2 e atual 108ª do mundo

"Minha opinião é que estamos prontas para lidar com cinco sets. Treinamos todos os dias, estamos nos preparando para isso a vida inteira, e acho que o tênis e as atletas que temos hoje no esporte são super fortes, e tudo evoluiu muito ao longo dos anos. Então acho que estamos prontas para fazer isso, mas também é preciso considerar a programação e a recuperação. Não é fácil organizar esse tipo de coisa"

Bruno da Silva
Publicado em 08/03/2026, às 13h18


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