Democracia sul-americana

Copa Petrobras 2008 provou mais uma vez ser ferramenta importante para alavancar tenistas ao top 100

Da redação em 6 de Novembro de 2008 às 13:36

Marcos Daniel

Cinco etapas, quatro campeões, nenhuma final repetida e muitos tenistas anotando importantes pontos no ranking da ATP. A Copa Petrobras 2008 cumpriu novamente seu papel de alçar jogadores ao top 100 e firma-se como uma importante ferramenta nesse sentido, especialmente aos sul-americanos. Assegurar uma vaga no grupo dos 100 faz enorme diferença, pois significa entrar nos Grand Slams diretamente e também em alguns torneios ATP. Por isso, cada etapa da Petrobras neste ano foi ainda mais acirrada.
Podemos começar citando os brasileiros que se deram bem. O gaúcho Marcos Daniel, por exemplo, venceu a primeira etapa, em Bogotá, na Colômbia, e praticamente garantiu sua permanência entre os 100 primeiros até o fim da temporada. Além disso, confirmou a fama de “Rei da Colômbia”, com seis títulos de Challenger no país andino, sendo cinco na capital. Daniel possui três títulos na história da Copa, todos em Bogotá. Após o tricampeonato, o gaúcho seguiu para Aracaju, mas a capital sergipana parece que não lhe dá sorte mesmo. Pela segunda vez jogando lá (a primeira foi em 2005), ele torceu o pé e precisou desistir do torneio logo na estréia. Quem se deu bem na etapa brasileira da Petrobras foi o paulista Thiago Alves. Sem muitos pontos para defender neste fim de ano, o jovem chegou motivado para a disputa depois de boas exibições no US Open, contra Roger Federer, e na Copa Davis, contra os croatas. Mostrando um tênis de alto nível, atingiu a final, mas foi parado pelo chileno Paul Capdeville. Era a revanche do oponente pela dramática derrota na primeira rodada do Aberto dos Estados Unidos, que valia uma passagem para encarar Federer na fase seguinte.
A semifinal na última etapa, em Buenos Aires, também deixou o paulista Thomaz Bellucci bem próximo de terminar 2008 no top 100. Na Argentina, o garoto de Tietê também se garantiu nas duplas, com o vice-campeonato. Outro paulista a alcançar uma semifinal na Copa Petrobras – na etapa de Bogotá – foi Ricardo Hocevar. Com esse bom resultado, o sobrinho de Marcos Hocevar se firma como o quinto melhor tenista brasileiro no ranking, atrás apenas de Daniel, Bellucci, Alves e Franco Ferreiro – todos no top 200.
Ferreiro não repetiu o título da etapa paraguaia, mas se deu bem nas duplas, com os títulos em Aracaju e Montevidéu. No Uruguai, o gaúcho formou parceria com o paulista Flávio Saretta, que tenta retornar ao circuito após uma contusão no braço. Saretta disputou três etapas como convidado e avançou uma rodada em cada uma. Além destes nomes, Ricardo Mello, João Souza e Rogério Dutra Silva tiveram algumas boas atuações nas etapas da Petrobras 2008.

Thiago Alves - Leonardo Mayer - Martin Vassallo Arguello

Argentina No entanto, se os brasileiros foram bem, os argentinos, para variar, se deram ainda melhor. O grande destaque desta vez foi Martin Vassallo Arguello, que venceu dois torneios, em Assunção e, diante de sua torcida, em Buenos Aires. Com isso, voltou ao top 100. Outro que rompeu a barreira dos 100 primeiros foi Diego Junqueira, com semifinal em Aracaju e quartas na Argentina.
Mais uma jovem promessa argentina, Leonardo Mayer – campeão do Banana Bowl em 2005 –, tirou proveito da Copa. Com final no Paraguai e quartas no Uruguai, atingiu o melhor ranking da carreira, bem próximo ao top 100. Além dele, os persistentes Brian Dabul e Sergio Roitman anotaram boas campanhas e se mantiveram a poucas posições do seleto grupo.
Pelo Uruguai, Pablo Cuevas ganhou valiosas posições com as semifinais alcançadas em Assunção e na capital de seu país. Porém, quem parece mesmo ter conseguido uma nova vida com a Copa Petrobras deste ano é o chileno Nicolas Massú. Apresentando novamente um tênis sólido, o “Vampiro” fez quartas em Aracaju e foi finalista em Montevidéu. No meio tempo, ainda faturou um Challenger em Florianópolis. Por tudo isso, galgou seu caminho de volta ao top 100 após ter caído para perto do número 140 em julho deste ano.

#Q#

Peter Luczak - Nicolas Massú - Ruben Ramirez Hidalgo

Contudo, não foram só os sul-americanos que tiveram êxito nas cinco etapas. O australiano Peter Luczak, vencedor em Montevidéu após a desistência de Massú devido a um vírus estomacal, reconquistou valiosas colocações e, de 207º, passou a 160º. O obstinado espanhol Ruben Ramirez Hidalgo também avançou bastante com a final na Argentina e quartas no Uruguai, ficando novamente próximo de ingressar no top 100.
Outros tantos tenistas aproveitaram os valiosos pontos das cinco etapas da Copa Petrobras e isso pode lhes valer uma temporada mais tranqüila no próximo ano. Que venha 2009.

Horacio Zeballos - Paul Capdeville - Thomaz Bellucci

Resultados Copa Petrobras 2008
Bogotá, Colômbia
Marcos Daniel (BRA) v. Horacio Zeballos (ARG) 6/4, 4/6 e 6/4
Juan Sebastian Cabal e Alejandro Falla (COL) v. Alejandro Fabbri e
Horacio Zeballos (ARG) 3/6, 7/6(7) e 10-8

Aracaju, Brasil
Paul Capdeville (CHI) v. Thiago Alves (BRA) 7/5 e 6/4
Juan Martin Aranguren (ARG) e Franco Ferreiro (BRA) v. Thiago Alves e
João Souza (BRA) 6/4 e 6/4

Assunção, Paraguai
Martin Vassallo Arguello (ARG) v. Leonardo Mayer (ARG) 3/6, 6/3 e 7/6(2)
Alejandro Fabbri e Leonardo Mayer (ARG) v. Martin Garcia e
Mariano Hood (ARG) 7/5 e 6/4

Montevidéu, Uruguai
Peter Luczak (AUS) v. Nicolas Massú (CHI) wo
Franco Ferreiro e Flávio Saretta (BRA) v. Daniel Gimeno Traver e
Ruben Ramirez Hidalgo (ESP) 6/3 e 6/2

Buenos Aires, Argentina
Martin Vassallo Arguello (ARG) v. Ruben Ramirez Hidalgo (ESP) 6/3, 4/6 e 7/5
Maximo Gonzalez e Sebastian Prieto (ARG) v. Thomaz Bellucci (BRA) e
Ruben Ramirez Hidalgo (ESP) 7/5 e 6/3

Torneio

Mais Torneio