Jogando como profissional

Os hábitos do tênis profissional de hoje representam o ideal do espírito esportivo e do bom comportamento que grassavam nas origens do esporte

Joseph Epstein em 19 de Julho de 2012 às 08:44

 

O QUE HARRY HOPMAN - O TENISTA australiano que morreu em 1985 e foi o mais famoso treinador e capitão do time da Austrália da Copa Davis - pensaria do tênis que é jogado atualmente? Das 22 equipes que Hopman liderou entre 1939 e 1967, a Austrália venceu 16 vezes. Um disciplinador, ele parece ter sido o equivalente ao Felipão do futebol.

Os jogadores de Hopman - entre eles Rod Laver, Ken Rosewall, Lew Hoad, Neale Fraser, Roy Emerson - o respeitavam a ponto de temê-lo. Na quadra e fora dela, se você jogasse para Harry Hopman, deveria ter o mais alto padrão de espírito esportivo e comportamento. Um jogador reclamando baixinho de "Maldita chamada errada" que estivesse sob seu comando, seria mandado embora para casa. Jimmy Connors, se jogasse para Hopman, teria sido mandado para a prisão. John McEnroe teria pena de morte.

Se Hopman ainda estivesse vivo e fosse um dos "gerentes" do tênis, que mudanças ele gostaria de fazer no jogo da forma como ele é jogado atualmente? A primeira coisa que suspeito que ele gostaria de eliminar seria o espírito aberto de triunfalismo que agora se apossou do esporte. Ele poderia começar a eliminar os socos no ar como parte da comemoração de um tenista que fez um winner.

Ele certamente se livraria dos excessos como cair de joelhos em quadra ou rolar no saibro depois de uma grande vitória. Dar vitoriosos saltos pela quadra a la Jo-Wilfried Tsonga, enquanto o perdedor da partida se senta com a toalha na cabeça, estaria fora de cogitação. Os rugidos de Novak Djokovic estariam banidos, assim como também estariam os tenistas que gritam ao bater na bola, não importando se eles dizem que não são capazes de jogar sem fazer ruídos.

ATÉ AS ROUPAS

Hopman teria sido duro com os novos costumes do tênis. Difícil imaginá-lo aprovando camisas regata. As antigas calças "pula-brejo" de Nadal nunca seriam permitidas. As roupas de Serena, jamais. Meias pretas - fora. Assim como bonés vestidos ao contrário.

Hopman certamente teria abolido as toalhas da quadra. Acredito que ele deixaria os tenistas manterem uma toalha em suas cadeiras apenas para serem usadas durante as viradas de lado. Ele teria condenado jogadores que se enxugam depois de cada ponto, demorando e mudando o ritmo natural do jogo. Homem das "terras baixas", ele teria ouvido a frase "mais estúpido do que um menino da toalha em um bordel do Equador" e discutido que ter boleiros para segurar toalhas é, para iniciantes, indecente, indigno, imundo e humilhante.

Hopman foi, durante muito tempo de sua carreira, opositor do tênis profissional e, se ele estivesse vivo para ver o tênis hoje, teria gostado de poder soltar a nada prazerosa frase: "Eu avisei". Ver os profissionais de hoje com suas comitivas de treinadores, fisioterapeutas, agentes, não o teria surpreendido. Uma vez que o jogo se torna profissional, ele sentia, com o dinheiro ao redor, os jogadores não seriam mais grandes atletas, mas mini-corporações, com tudo para entreter. Os franceses estão errados em seu ditado. Quanto mais as coisas mudam, mais elas, enfaticamente, não ficam na mesma.

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