Campeã de Wimbledon 2023, tcheca afirma que temeu pela sua segurança e que protocolo não foi seguido

A tenista tcheca Marketa Vondrousova, campeã de Wimbledon em 2023 e atual 46ª do ranking mundial, está sendo investigada pela Agência Internacional de Integridade do Tênis (ITIA) após recusar um exame antidoping em dezembro de 2025. Em declaração nas redes sociais, a atleta explicou que sofre de Transtorno de Ansiedade Generalizada e Reação Aguda ao Estresse, e que se sentiu ameaçada quando um agente tocou sua campainha à noite sem se identificar corretamente — lembrando o ataque sofrido por sua compatriota Petra Kvitova em 2016. A punição por recusa pode chegar a quatro anos de suspensão, mas Vondrousova segue liberada para competir e está inscrita nos WTA 1000 de Madrid e Roma.
Com duas finais de Slam no currículo, incluindo um título de Wimbledon em 2023, e uma medalha de prata em Tóquio, Marketa Vondrousova já mostrou que é um dos grandes talentos do tênis, apesar de sofrer com uma série de lesões. A tcheca está lidando com problemas físicos mais uma vez em 2026, mas agora tem um outro problema relacionado ao controle antidoping.
Atualmente no 46º lugar do ranking mundial, Vondrousova só atuou em três torneios no ano por causa de um problema no ombro: os WTAs de Brisbane e Adelaide, em janeiro, e os play-offs da Billie Jean King Cup defendendo a Tchéquia em abril.
Nas redes sociais, a ex-top 10 detalhou que está sendo investigada por recusar a realização de um exame antidoping em dezembro. A tcheca de 26 anos relatou seus problemas relacionados à saúde mental e que a abordagem das pessoas responsáveis pelo teste a assustou.
Vondrousova lembrou do ataque sofrido pela compatriota Petra Kvitova em 2016, quando um homem entrou em sua casa alegando ser um técnico para reparar o aquecedor e acabou ferindo a ex-número 2 do mundo com uma faca.
"É muito difícil para mim falar sobre isso, mas quero ser transparente com vocês sobre minha saúde mental. O recente incidente de controle de doping aconteceu porque cheguei a um ponto de ruptura após meses de estresse físico e mental.
Por muito tempo, venho lidando com lesões, pressão constante e problemas contínuos de sono que me deixaram exausta e fragilizada. Isso foi me desgastando aos poucos, mais do que eu provavelmente percebia na época.
Além disso, anos de mensagens de ódio e ameaças afetaram a forma como me sinto segura no meu próprio espaço. Quando alguém tocou minha campainha tarde da noite sem se identificar adequadamente ou seguir o protocolo, reagi como uma pessoa que estava com medo. Naquele momento, tratava-se de me sentir segura, não de evitar qualquer coisa.
Especialistas confirmaram que sofri uma Reação Aguda ao Estresse e Transtorno de Ansiedade Generalizada. Naquele momento, o medo afetou meu julgamento e eu simplesmente não consegui processar a situação de forma racional. Depois do que aconteceu com Petra (Kvitova), não tratamos estranhos à nossa porta com leveza.
Estou tentando, aos poucos, encontrar meu caminho de volta, tanto dentro quanto fora das quadras. O tênis sempre foi o meu mundo, mas, neste momento, também estou focada em me recuperar e passar por isso da melhor forma possível. Ainda estou trabalhando para limpar meu nome, mas, ao mesmo tempo, preciso cuidar de mim. Obrigada ao meu namorado, à minha família e a todos que estiveram ao meu lado, isso significa mais do que posso explicar.
Por agora, estou tirando um tempo para respirar e me recuperar".
Não foi a primeira vez que Vondrousova se manifestou em relação aos protocolos do controle antidoping. Em 4 de dezembro do ano passado, ela relatou que um agente de controle antidoping chegou até a sua casa fora do horário acordado para a realização de testes e que ficou na sua sala a esperando urinar.
"Todos os dias, somos obrigados a estar em casa durante uma hora específica para o controle antidoping. Eu respeito essa regra, todos os dias. Hoje à noite, porém, um agente apareceu às 20h15 e me disse que o meu horário declarado não importa e que devo ser testado agora. Quando destaquei que isso está fora da minha janela de testagem e é uma séria invasão da minha privacidade, me disseram: ‘Essa é a vida de um atleta profissional'. Isso não se trata de evitar o teste, trata-se de respeito. Respeito pelas regras que seguimos e pela vida pessoal à qual temos direito após um longo dia de treino e competição. As regras devem valer para todos, inclusive para aqueles que as fazem cumprir", relatou na época.
A Agência Internacional de Integridade do Tênis (ITIA) confirmou que há uma investigação em relação à recusa de Vondrousova em relação ao teste antidoping.
A punição por recusar realizar um teste pode chegar a até quatro anos, equiparada a um teste positivo para substâncias dopantes. A tcheca, porém, não está suspensa no momento e, portanto, está liberada para jogar. Vondrousova está inscrita nos WTAs 1000 de Madrid e Roma.
Bruno da Silva
Publicado em 18/04/2026, às 10h24
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