Sabalenka e Sinner estão entre as vozes críticas contra a divisão dos valores arrecadados pelos Majors, principalmente Roland Garros

A possibilidade de um boicote aos torneios de Grand Slam ganhou força após as críticas de jogadores como Aryna Sabalenka e Jannik Sinner à premiação de Roland Garros. Apesar do aumento de 9,53% nos valores distribuídos, atletas reclamam da baixa porcentagem da arrecadação destinada aos jogadores, cerca de 15%, e defendem uma divisão mais justa. Nomes como Coco Gauff e Novak Djokovic também destacaram as dificuldades financeiras enfrentadas por tenistas fora da elite do circuito.
A discussão sobre um boicote aos Slams cresceu nos últimos tempos após o anúnico da premiação de Roland Garros. Aryna Sabalenka e Jannik Sinner encanparam as críticas, mas outros grandes nomes também já declararam sua insatisfação.
O Aberto da França anunciou um aumento de 9,53% na premiação. Agora, vai distribuir 61,7 milhões de euros, ainda atrás de outros Slams. Em 2026, o Australian Open pagou bateu o recorde em premiação com 111,5 milhões de dólares australianos. Já o US Open pagou 90 milhões dólares em 2025. Wimbledon teve premiação similar ao que Roland Garros pagará em 2026 (53,5 milhões de libras). A premiação da edição deste ano ainda não foi divulgada.
A crítica é principalmente à porcentagem destinada aos jogadores. Os Slams estão pagando cerca de 15% do arrecadado aos jogadores. Os tenistas pediram no ano passado algo em torno de 22%, ainda abaixo de outros esportes. A Liga de Futebol Americano dos Estados Unidos (NFL) distribui cerca de 48% aos atletas, por exemplo.
Sabalenka disse que a premiação é injusta. "Nós damos o espetáculo. Sem a gente, não haveria torneios, não haveria entretenimento. Acho que merecemos ser mais bem pagos. Em algum momento teremos que recorrer a um boicote, se for a única solução para defender nossos direitos", disse a número 1 da WTA em Roma.
O número 1 da ATP, Jannik Sinner, disse que sente uma insatisfação geral e falou em "falta de respeito" aos jogadores.
"Estamos falando de dinheiro, mas acima de tudo de respeito. Não nos sentimos respeitados e os jogadores estão decepcionados com aquilo que Roland Garros fez. Damos muito mais do que recebemos. Não é apenas para os melhores jogadores, é uma questão que envolve todos os atletas do circuito masculino e feminino. É a primeira vez que sinto todos os jogadores na mesma página, com a mesma visão. Sem os jogadores, não há torneios", declarou.
Coco Gauff, atual campeã de Roland Garros, fez questão de lembrar sobre os problemas financeiros de tenistas de ranking intermediário.
"As pessoas às vezes pensam que sempre queremos mais, mas não somos os únicos. Quando você vê quanto dinheiro os torneios do Grand Slam rendem, é triste constatar que alguns dos 200 melhores jogadores ainda têm com dificuldades financeiras".
Novak Djokovic, maior campeão de Slams da história, apoiou as críticas e também destacou a situação dos tenistas que não estão no topo.
"Os jogadores sabem que sempre terão meu apoio. Provavelmente somos o único esporte no mundo em que os jogadores de ranking mais baixo não têm segurança financeira de verdade. Quando falamos em se sustentar com o tênis, significa ter algo para guardar no final do ano depois de cobrir todos os custos. E o número de jogadores que consegue isso é muito pequeno".
Bruno da Silva
Publicado em 07/05/2026, às 18h36
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