João Ceolin viveu uma "das situações mais difíceis e assustadoras" de sua carreira no ITF M15 de Vero Beach, na Flórida

O brasileiro João Vitor Ceolin relatou ter vivido uma situação dramática no ITF M15 de Vero Beach após sofrer fortes cãibras durante uma partida de mais de três horas. Mesmo após atendimento médico, ele tentou disputar o jogo de duplas, mas desistiu após quatro pontos e recebeu multa de US$ 200 por “falta de esforço”. O tenista criticou a condução do caso e afirmou que atletas não deveriam ser pressionados a competir sem condições físicas adequadas.
João Vitor Ceolin, brasileiro de 27 anos, viveu uma "das situações mais difíceis e assustadoras" de sua carreira no ITF M15 de Vero Beach, na Flórida, na última quinta-feira (7). Após sofrer com cãibras pelo corpo inteiro durante um jogo de simples que durou mais de 3 horas diante de Ryan Colby, o brasileiro precisou de atendimento médico. Ele ainda tentou jogar as duplas, mesmo com os problemas físicos, mas desistiu após quatro pontos e acabou recebendo uma multa por "falta de esforço".
Ele, porém, tinha marcado um jogo de duplas horas depois, ao lado do compatriota Joaquim Almeida. A dupla solicitou ao supervisor do torneio mais tempo para recuperação, mas lhes foi negado: eles tinham apenas 1 hora e 45 minutos para entrar em quadra.
"Eu já estava com cãibras durante o jogo, mas foi só depois que realmente senti pelo corpo inteiro e não conseguia controlar", contou o brasileiro que mora em San Antonio, no Texas, à Revista TÊNIS. "Meu parceiro chamou a ambulância e pedimos ao supervisor o máximo de tempo possível, mas ele disse que a regra era 1 hora e 45 minutos".
O jogo estava marcado para às 16h locais. João Vitor relata que ficou na ambulância até às 15h45. "Ligamos para o supervisor e dissemos a ele que não sabíamos se teria condições de jogar na hora marcada. Pedimos para o jogo ser mais tarde, mas ele disse que não poderia e que eu perderia os pontos e a premiação daquela rodada se não jogasse".
João Vitor, então, decidiu entrar em quadra, mesmo sob um calor forte. Ele, porém, acabou desistindo logo no primeiro game e acabou punido pelo supervisor.
"As cãibras já tinham parado há uns 15 minutos e tentamos jogar. Estava muito calor e úmido, então depois de quatro pontos decidi prezar pela minha saúde. O supervisor entendeu isso mal e que eu não fiz esforço suficiente. Recebi uma multa de 200 dólares", relata. "Tentei reverter a decisão. Ele falou que não tinha nada que eu falasse que ia mudar a decisão dele", completa o brasileiro.
O tenista, que é o atual 1.054º do ranking de simples e 1.077º de duplas, espera que a ITF tome uma ação para que isso não se repita. "Foi uma das situações mais difíceis e assustadoras que vivi dentro e fora das quadras. Sou extremamente grato ao meu parceiro de duplas e ao meu irmão por terem estado ao meu lado, me ajudado em tudo e colocado meu bem-estar em primeiro lugar quando eu mais precisei. Nenhum atleta deveria se sentir pressionado a competir enquanto está debilitado fisicamente. A saúde e a segurança dos jogadores devem sempre vir em primeiro lugar, e espero que a ITF analise seriamente como situações como essa serão conduzidas daqui para frente".
Bruno da Silva
Publicado em 09/05/2026, às 18h54
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