De clássicos indispensáveis a obras pouco conhecidas, uma seleção para entender o esporte, seus personagens e as histórias que fizeram do tênis um fenômeno

Uma seleção com 25 livros indispensáveis para quem quer conhecer o tênis além das quadras. A lista reúne biografias de grandes campeões, obras sobre estratégia e preparação mental, relatos históricos e títulos que mostram como o esporte influenciou gerações. Entre clássicos e lançamentos, há opções para jogadores, fãs e leitores interessados em entender a técnica, os bastidores e as histórias que marcaram o tênis mundial.
O tênis produz personagens. Talvez porque poucos jogos exponham tanto o indivíduo: não há relógio para salvar, companheiros para dividir a responsabilidade ou esconderijos possíveis diante da pressão. Cada ponto carrega estratégia, técnica, memória e emoção. Por isso, ao longo das décadas, o universo do tênis também gerou uma literatura singular, capaz de transformar partidas em narrativas sobre obsessão, elegância, rivalidade e resistência psicológica.
Os melhores livros sobre tênis vão muito além das estatísticas ou dos títulos conquistados. Eles revelam bastidores de campeões, explicam revoluções táticas, recuperam momentos históricos e ajudam a compreender como o esporte se tornou um fenômeno cultural global. Em suas páginas, surgem não apenas atletas extraordinários, mas figuras complexas, marcadas por disciplina extrema, inseguranças, talento precoce e uma relação quase existencial com a competição.
Nesta seleção, reunimos obras fundamentais para quem deseja mergulhar nesse universo, de biografias definitivas a relatos históricos e ensaios que enxergam o tênis como metáfora da própria vida. São livros que atravessam gerações e estilos de jogo, mostrando que, muitas vezes, a história mais fascinante de uma partida começa justamente depois do match point.
Livros que ajudam a melhorar não apenas o seu jogo, mas, muitas vezes, também a sua vida fora das quadras.
O Jogo Interior do Tênis — W. Timothy Gallwey
O livro que inventou o jogo mental moderno, e de certa forma exportou a ideia para outros esportes e áreas da vida. Publicado originalmente em 1974, mesmo depois de 50 anos, é mais atual do que nunca. Gallwey parte de uma premissa simples e devastadora, a de que o maior adversário de qualquer jogador é ele mesmo. E para quem acha que é um livro psicológico maçante, está equivocado, há dicas importantes para você tentar colocar em prática dentro e fora da quadra. Billie Jean King chamou de “a bíblia do tênis”. Bill Gates disse que é um dos melhores livros que já leu e chegou a escrever uma resenha dele em seu blog pessoal.
Jogue para Vencer (Winning Ugly) — Brad Gilbert com Steve Jamison
Brad Gilbert nunca foi o tenista mais talentoso. Tampouco o mais rápido, o mais forte ou o de jogo mais bonito – e ele é o primeiro a admitir isso. Mas chegou ao nº 4 do mundo e passou anos no top 10 numa era que tinha Lendl, Becker, Edberg e Wilander. O segredo estava na mente, e está neste livro. Gilbert ensina a vencer sem jogar melhor que o adversário: identifique os pontos fracos, imponha seu ritmo, jogue feio se precisar. Simples assim, e brutalmente eficaz. Andre Agassi, seu pupilo mais famoso e um dos maiores de todos os tempos, escreveu um capítulo aqui. Um clássico que não envelhece.
Sirva para vencer — Novak Djokovic
Serve to Win, de Novak Djokovic, mistura autobiografia, preparação física e filosofia de performance. O sérvio relata como mudanças na alimentação, especialmente a adoção de uma dieta sem glúten, transformaram sua carreira e ajudaram a elevar seu nível competitivo. O livro aborda rotinas de treino, recuperação, foco mental e hábitos ligados à alta performance dentro e fora das quadras. Djokovic também compartilha momentos importantes de sua trajetória, desde a infância na Sérvia até a ascensão ao topo do tênis mundial.
6/0 – Dicas do Fino — Fernando Meligeni
Fernando Meligeni escreve como falava em quadra: sem pose, emocional, acelerado e absolutamente apaixonado pelo esporte. Ele transforma experiências do circuito em lições práticas sobre técnica, estratégia, cabeça e convivência dentro do tênis. O livro alterna histórias de bastidores, episódios pessoais e dicas para jogadores de qualquer nível, sempre com a sensação de que o leitor está recebendo orientações de alguém que realmente viveu o esporte por dentro. O resultado é um livro leve, que ensina tênis sem parecer manual, e talvez por isso funcione tão bem.
Uma seleção de relatos biográficos de alguns dos maiores tenistas, obras que revelam muito mais do que a relação entre esses seres humanos e o esporte.
Agassi: Uma Autobiografia (Open) — Andre Agassi
Open (título em inglês), autobiografia de Andre Agassi, já diz muito. É um relato intenso e surpreendentemente honesto sobre a vida no tênis profissional. Agassi revela sua relação conflituosa com o esporte, a pressão imposta pelo pai, as dores físicas, crises emocionais e os bastidores do circuito. O livro acompanha sua transformação de jovem rebelde em um dos maiores campeões da história, passando por quedas, retorno ao topo e amadurecimento pessoal. Com narrativa envolvente e humana, a obra vai além das conquistas esportivas e expõe vulnerabilidades raramente vistas em autobiografias de atletas. É considerado um dos melhores livros já escritos por um esportista.
Rafa: Minha História — Rafael Nadal com John Carlin
Escrito por Rafael Nadal com o jornalista John Carlin, a obra oferece um retrato íntimo da formação do espanhol. Nadal relembra a infância em Manacor, a influência da família e os ensinamentos rigorosos do tio e treinador Toni Nadal. O livro explora sua mentalidade competitiva, disciplina extrema e a maneira como lida com pressão, lesões e expectativas. Também revisita momentos marcantes da rivalidade com Roger Federer e bastidores das maiores conquistas da carreira. Mais do que uma autobiografia esportiva, é um estudo sobre resiliência, foco e obsessão pela excelência.
O livro retrata a trajetória de Roger Federer como um dos atletas mais influentes e elegantes da história do tênis. A obra explora sua transformação de jovem talentoso e explosivo em símbolo global de técnica, equilíbrio e longevidade esportiva. Além dos títulos e recordes, o livro destaca o impacto estético de seu jogo, frequentemente descrito como uma forma de arte dentro das quadras. Mais do que celebrar conquistas, a narrativa mostra como Federer redefiniu a percepção do esporte para jogadores e fãs ao redor do mundo.
You Cannot Be Serious — John McEnroe
You Cannot Be Serious (a frase mais famosa) de John McEnroe, revisita a carreira de um dos personagens mais talentosos e controversos da história do tênis. Com franqueza e humor ácido, McEnroe relembra rivalidades, explosões em quadra, bastidores do circuito e a pressão de viver sob constante exposição. O livro mostra como sua personalidade intensa coexistia com uma visão extremamente sofisticada do jogo. Também traz reflexões sobre fama, competitividade e a transformação do tênis ao longo das décadas. Disponível apenas em inglês.
Em A Champion's Mind (disponível apenas em inglês), Sampras reflete sobre sua personalidade reservada, a obsessão por desempenho e os desafios emocionais de competir no mais alto nível. O livro relembra a rivalidade com Andre Agassi e os bastidores de sua trajetória dominante nos anos 1990. Também aborda a pressão de manter a excelência e o impacto físico e mental da rotina no circuito profissional. Uma leitura importante para entender a mente de um campeão tão reservado quanto Sampras. Em inglês.
Guga, Um Brasileiro — Gustavo Kuerten
Guga, Um Brasileiro não é apenas a história de um campeão, é o retrato de um raro momento em que um país inteiro parecia sorrir junto com um tenista. O livro mistura memória afetiva, bastidores do circuito e a leveza quase improvável com que Guga atravessou o esporte de alto rendimento. Entre as conquistas, lesões, viagens e relações familiares profundas, surge um personagem que nunca coube totalmente na lógica fria da competição. Mais do que celebrar títulos, a obra ajuda a entender por que ele virou símbolo de carisma, espontaneidade e alegria dentro de um esporte tradicionalmente mais contido.
All In: An Autobiography — Billie Jean King
A autobiografia percorre a trajetória no tênis de Billie Jean King, mas nunca se limita ao esporte: cada conquista parece ligada a uma batalha maior por igualdade, visibilidade e transformação social. Da histórica Batalha dos Sexos às disputas por melhores condições para mulheres no circuito, Billie Jean surge como atleta, ativista e força política ao mesmo tempo. O livro também revela vulnerabilidades, conflitos pessoais e o peso de viver sob escrutínio público em décadas muito menos tolerantes do que hoje. Ao final, fica claro que seu legado não está apenas nos troféus, mas na maneira como ajudou a redefinir o lugar das mulheres no esporte profissional. Disponível em inglês.
Maria, a Vitória da Arte — Odir Cunha
Escrito por Odir Cunha, o livro resgata não apenas as vitórias da maior tenista brasileira da história, mas a elegância quase coreográfica com que ela ocupava a quadra. Em uma época em que o esporte ainda parecia distante da realidade brasileira, Maria Esther surgiu como figura cosmopolita, refinada e revolucionária. A narrativa (e a pesquisa minuciosa) recupera o brilho de Wimbledon, os bastidores da era dourada do tênis amador e a dimensão simbólica de uma atleta que abriu caminhos muito antes de o Brasil se enxergar como potência no esporte.
Adquirir: editoraverbolivre@uol.com.br
Publicado pela Editora Verbo Livre. O livro é enviado pelos Correios após contato por e-mail com a editora.
Days of Grace — Arthur Ashe com Arnold Rampersad
Days of Grace tem a serenidade e a profundidade de alguém que enxergava o esporte como apenas uma parte de uma vida muito maior. Escrito por Arthur Ashe com Arnold Rampersad, o livro revisita sua trajetória nas quadras, mas ganha força verdadeira quando aborda dignidade, racismo, educação e responsabilidade pública. Ashe escreve sem amargura e sem autopiedade, mesmo ao tratar das barreiras que enfrentou como pioneiro negro em um esporte elitista. É o testemunho humanista de alguém que acreditava que caráter importava tanto quanto vitória. Disponível em inglês.
Breaking Back: How I Lost Everything and Won Back My Life — James Blake
O livro acompanha o período devastador em que Blake perdeu o pai, sofreu uma grave lesão no pescoço, enfrentou problemas de visão e viu sua carreira praticamente desaparecer. Em vez de transformar essas crises em discurso motivacional pronto, a narrativa revela medo, frustração e a dificuldade real de reconstruir a própria identidade quando o corpo deixa de responder. O tênis aparece quase como consequência de algo maior: a tentativa de recuperar equilíbrio emocional, confiança e sentido de vida. Em inglês.
Livros que partem do tênis como premissa, mas tratam de questões que vão muito além do esporte.
As Decisões do Coração Estão Sempre Certas — Fernando Meligeni e André Kfouri
Um Fernando Meligeni que vai além de sua imagem nas quadras. Escrito com André Kfouri, o livro é atravessado por memórias familiares, dilemas pessoais, perdas, identidade e pertencimento, sempre com a honestidade emocional que marcou a relação de Meligeni com o público. O tênis aparece como fio condutor, mas nunca como tema único: as vitórias, derrotas e momentos emblemáticos servem para discutir escolhas de vida, sensibilidade e maturidade. A narrativa mostra que esporte funciona menos como palco de glória e mais como caminho de autoconhecimento.
String Theory — David Foster Wallace
String Theory reúne textos de David Foster Wallace sobre tênis, combinando análise técnica, filosofia e literatura. Com olhar obsessivo pelos detalhes, Wallace descreve jogadores como Roger Federer, Michael Joyce e Tracy Austin para explorar genialidade, pressão e limites humanos. O autor transforma movimentos, estilos e emoções em reflexões profundas sobre talento e esforço. Seu texto mistura humor, erudição e sensibilidade rara para captar a beleza do esporte. Mais do que um livro sobre tênis, é uma obra sobre percepção, excelência e experiência humana.
Livros que recontam períodos ou fatos relevantes do esporte, muitas vezes com pano de fundo que mistura elementos sociais, econômicos, históricos etc.
O Tênis no Brasil: De Maria Esther a Gustavo Kuerten — Gianni Carta e Roberto Marcher
Escrito por Gianni Carta e Roberto Marcher, o livro atravessa diferentes épocas do esporte no país, conectando o refinamento técnico de Maria Esther Bueno ao fenômeno popular criado por Gustavo Kuerten. A narrativa mistura bastidores, transformações culturais, dificuldades estruturais e momentos decisivos que moldaram o desenvolvimento do tênis no Brasil. Mais do que catalogar títulos e jogadores, a obra mostra como cada geração refletia um país diferente. O resultado é um panorama afetivo e histórico do esporte.
A Terrible Splendor — Marshall Jon Fisher
A Terrible Splendor transforma a final da Copa Davis de 1937, disputada em Wimbledon, em um drama histórico muito maior do que um simples jogo de tênis. Ao acompanhar o confronto entre Don Budge e Gottfried von Cramm, Marshall Jon Fisher constrói um retrato da Europa às vésperas da II Guerra Mundial. O livro equilibra tensão esportiva, política internacional e dimensão humana com ritmo de romance histórico. No fim, o tênis parece quase um detalhe diante da sensação de que aqueles personagens jogavam também contra a sombra do próprio século XX.
The Bud Collins History of Tennis — Bud Collins
A enciclopédia definitiva do esporte, com estatísticas, perfis e história desde as origens até os anos recentes. Referência insubstituível para jornalistas, pesquisadores e fãs exigentes. Bud Collins escreve com a autoridade de historiador e o entusiasmo de fã obsessivo, transformando décadas de partidas, personagens e torneios em uma narrativa monumental. O livro atravessa eras, estilos e rivalidades com uma riqueza impressionante de detalhes. É um grande arquivo afetivo do tênis mundial.
Strokes of Genius — L. Jon Wertheim
Strokes of Genius, de L. Jon Wertheim, reconstrói a histórica final de Wimbledon de 2008 entre Roger Federer e Rafael Nadal, considerada por muitos a maior partida da história do tênis. O livro detalha ponto a ponto o confronto épico, marcado por mudanças de momentum, interrupções pela chuva e altíssimo nível técnico e emocional. Wertheim contextualiza o duelo dentro da rivalidade entre Federer e Nadal e do momento de transição do esporte. A narrativa combina bastidores, análise tática e tensão dramática com ritmo cinematográfico. Mais do que revisitar uma final, a obra captura um dos momentos mais emblemáticos da era moderna do tênis.
Levels of the Game — John McPhee
Publicado em 1969, o livro Levels of the Game, de John McPhee, transformou uma partida de tênis em algo muito maior do que um relato esportivo. A partir do duelo entre Arthur Ashe e Clark Graebner nas semifinais do US Open de 1968, McPhee constrói uma narrativa que mistura técnica, psicologia, política, classe social e identidade racial, revelando como dois jogadores podem ocupar a mesma quadra, mas viver em mundos completamente distintos. O que impressiona em Levels of the Game é a maneira como o autor alterna os pontos da partida com as trajetórias pessoais dos protagonistas.
Além dos títulos para ler, o tênis também produziu alguns objetos editoriais que valem pelo visual tanto quanto pelo conteúdo.
FEDERER — Doris Henkel
Para ficar aberto em cima da mesa e provocar conversa. Fotografias que capturam Federer em momentos que as transmissões ao vivo raramente mostram – nos treinos, nos bastidores, nas expressões que ficam entre os pontos. O texto de Doris Henkel é qualificado, mas é a curadoria visual que justifica o investimento.
Tennis: The Ultimate Book — Peter Feierabend
A história visual do tênis em formato enciclopédico e generoso. Fotografias de décadas, jogadores de diferentes eras, bastidores de Grand Slams. Para folhear sem pressa. Organizado por Peter Feierabend, a obra combina fotografia, design, história e cultura visual para percorrer mais de um século de tênis em escala monumental. Mais do que uma enciclopédia ilustrada, é uma celebração visual da obsessão pelo tênis.
The Stylish Life: Tennis
The Stylish Life: Tennis olha para o tênis menos como competição e mais como símbolo de estilo, sofisticação e imaginário cultural. Publicado pela teNeues, o livro percorre o universo estético do esporte. Fotografias, design e referências históricas constroem a ideia de que o tênis sempre ocupou um espaço particular entre elegância e espetáculo social. É um livro sobre tênis, mas também sobre moda. Para quem acha que tênis é também uma forma de vida.
The Tennis Court: A Journey to Discover the World's Greatest Tennis Courts — Nick Pachelli
O livro viaja por alguns dos cenários mais extraordinários do esporte – de clubes aristocráticos cobertos de tradição a quadras isoladas entre montanhas, desertos e litorais quase irreais. Cada imagem parece reforçar a sensação de que o tênis desenvolveu uma relação única com paisagem, arquitetura e ritual social. É um livro que desperta vontade de jogar e viajar.
Arnaldo Grizzo
Publicado em 25/07/2026, às 09h11
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