Instrução Técnica

Você sabia?

Confira 21 curiosidades técnicas do tênis que vão fazer você repensar seu jogo e treinos

Por Elson Longo em 23 de Outubro de 2015 às 00:00

No saque, 40% da velocidade total depende da rotação interna de ombro

Tecnologia, pesquisas, dados, estudos, metodologias, materiais. Elementos que cercam cada vez mais o mundo dos esportes. Longe do passado quando se jogava de forma intuitiva, as modalidades esportivas atuais são fortemente respaldadas por uma grande indumentária científica. Softwares, câmeras e aparatos revelam um mundo invisível aos olhos e desvendam o que era oculto nos esportes.

O tênis caminha a passos largos nesse cenário, com novos materiais, poderosas tecnologias, dentro e fora da quadra, revelando um complexo universo de informação que, cada vez mais, vem sendo explorado por jogadores e técnicos. Muitas crenças foram derrubadas e grandes descobertas foram feitas nos últimos anos, trazendo a tona um tênis inovador e surpreendente.

Sendo assim, você sabia que:

1 - O ponto de contato no tênis demora apenas 5 milissegundos (isso significa dividir um segundo por mil e pegar cinco pedacinhos). A consequência disso é que o ser humano não consegue fazer absolutamente nada nesse intervalo de tempo. Crenças que durante o contato com a bola ocorrem ajustes por parte dos jogadores é irreal.

2 - Após o contato, leva ainda mais 5 milissegundos para as vibrações do impacto percorrerem a raquete, chegarem ao cabo e serem percebidas pelas organelas sensitivas da mão. As sensações cutâneas levam ainda mais 5 milissegundos para chegarem ao nosso cérebro. O cérebro gasta por volta de 5 milissegundos para interpretar esse estímulo. Portanto, entre o contato da bola com as cordas e a tomada de consciência por parte do jogador há um intervalo de tempo de 2 centésimos de segundo. Nesse tempo, a bola se distancia das cordas por volta de 40 centímetros (considerando as velocidades do alto nível). Isso implica que, quando efetivamente sentimos o contato, a bola já não está mais nas cordas.

3 - Ao contrário do que muitos pensam, as antigas raquetes de madeira são capazes sim de gerar grandes velocidades na bola, da mesma forma que as raquetes atuais. A maior diferença está em outro aspecto, o chamado “sweetspot” (ponto doce). Este ponto é a área útil do encordoamento que a bola pode impactar e ter uma interação elástica eficiente com ela. Em raquetes modernas, essa área é bem maior que nas raquetes de madeira. Contatos descentralizados conseguem ser rebatidos normalmente, enquanto que, nas raquetes de madeira, isso ocorre apenas quando a bola atinge uma área bem menor. Jogadores do passado tinham que ser muito precisos para golpear a bola confortavelmente.

4 - Atualmente, as cordas vêm sendo as maiores responsáveis pelo aumento da performance dos jogadores. Materiais que geram uma resposta elástica incrível e que conseguem atritar a bola de maneira diferenciada gerando muita rotação estão ajudando jogadores a golpear ainda melhor. Um rolo de cordas de elite pode custar mais caro que a própria raquete.

5 - A velocidade média dos forehand em alto nível está em torno de 140 km/h . Em uma troca de forehands entre dois jogadores, o peso da bola na raquete, no momento do impacto, equivale, em média, a 100 quilos. Devemos lembrar que a bola pesa apenas 60 gramas.

6 - Voleadores devem lidar com tiros de, em média, 110 km/hora. Possuem 0,5 segundos para cobrir uma área lateral de até 3 metros. Levando em conta o tempo de reação humana, que é de 0,3 segundos, entendemos que esses jogadores só conseguem volear pois entram em movimento antes de o adversário impactar a bola. Chamamos essa habilidade de antecipação.

7 - Na devolução de saque, notamos o mesmo fenômeno. Um saque a 220 km/h chega ao devolvedor em 0,6 segundos, e a área a ser coberta também está em torno de 3 metros. Se o tenista se movesse após o impacto, com o tempo de duração da reação humana na casa de 0,3 segundos, sobraria apenas 0,3 segundos para se mover e golpear a bola. Tempo muito escasso para conseguir realizar uma devolução. Sabemos que apenas 6% das bolas não são tocadas pelos devolvedores em alto nível. Isso atesta que esses jogadores também entram em movimento antes do impacto do sacador.


No saibro, seis de cada 10 pontos não passam do sexto golpe

8 - Estudos sobre o split step (o salto no ar com as pernas separadas que antecede a movimentação do jogador) apontaram que um dos pés sempre chega primeiro ao solo, já criando uma condição de movimento. Como o split step é feito antes do impacto com a bola, no pré-golpe do adversário, isso é mais uma evidência da incrível capacidade dos jogadores de alto nível de antever a trajetória da bola antes de ela ser impactada.

9 - Em alto nível, o tempo médio de voo da bola é de 1,2 a 1,5 segundos. Nesse intervalo, os jogadores são capazes de se mover até onde a bola foi enviada, criar apoios e realizar os complexos movimentos de golpe. Como os movimentos de preparação da raquete levam certo tempo para ocorrer, os jogadores devem realizá-lo enquanto se movem. Surge a habilidade de mover os pés e as mãos ao mesmo tempo.

10 - Em 80% das bolas, os jogadores de alto nível não se movem mais do que 3 metros. Isso mostra a importância de se treinar as movimentações de curta distância, também chamadas de passos de ajuste.

11 - Do tempo total de um jogo de alto nível, apenas 30% dele é jogado – no caso do saibro. Para a grama, essa estatística cai para 8%.

12 - O tempo médio de duração de um ponto em quadra de saibro é 8,3 segundos. Nas quadras duras, 6,5 segundos, e apenas 2,7 segundos na grama – para o tênis masculino. As mulheres têm um tempo muito parecido de duração na rápida: 6,6 segundos. Mas gastam mais tempo nos outros pisos: 5,4 segundos na grama e 10,7 segundos no saibro.

13 - Nas quadras duras, oito em cada 10 pontos são decididos com apenas seis golpes – incluindo o saque e a devolução. No saibro, seis de cada 10 pontos não passam do sexto golpe. Esse dado gera uma informação muito importante: fazendo uma média entre quadra dura e rápida, temos que: de 10, sete pontos não duram mais que seis bolas. Então, em 70% dos pontos jogados (ou seja, a maioria), o saque e a devolução representam um terço do total de golpes. Portanto, podemos mensurar a incrível importância desses dois fundamentos.

14 - Sabe-se que 55% dos pontos, em média, entre os homens, estão confinados na região das quatro primeiras bolas. Para o feminino, 40%. Esse dado remarca a necessidade dos treinamentos dedicarem tempo ao saque e à segunda bola do sacador. Grande parte do jogo recairá nesses dois primeiros golpes.


A diferença entre o saibro e a grama, no tempo de percurso da bola, é de apenas 2%

15 - Um forehand moderno produz uma bola com rotação na casa de 3600 rpm. Rafael Nadal possui a incrível marca de 4500 rpm. Apenas o saque com quique atinge essa marca. O saque chapado, ao contrário do que muitos pensam, produz rotações na casa de 2200 rpm.

16 - A rotação para frente, o topspin, faz um efeito aerodinâmico produzindo forças de empuxo para baixo na bola, fazendo com que ela caia mais rápido. Isso permite aos jogadores executarem tiros cada vez mais rápidos sem perder acuidade. Uma bola atirada da linha de base, que passa rente à rede e pinga exatamente na linha de base do outro lado, se não tiver nenhuma rotação, poderá, no máximo, ser lançada a 88 km/h para que caia dentro dos limites da quadra. Esse dado mostra como o efeito permite o rápido tênis moderno. Há jogadores que executam forehands acima dos 180 km/h.

17 - As quadras de saibro são onde a bola quica mais alto, seguido pelas quadras duras e, por último, pela grama. Esse quique mais alto no saibro deve-se às partículas de pó que ela empurra quando em contato com o solo e que ficam depositadas à sua frente, servindo como uma verdadeira “rampa” quando abandona o chão.

18 - Ao contrário do que se pensa, a diferença entre o saibro e a grama, no tempo de percurso da bola, é de apenas 2%. A enorme sensação de diferença de velocidade que os jogadores sentem deve-se muito mais à diferença de velocidade vertical da bola quando ela abandona o chão: ou seja, o quique. Essa diferença está na casa dos 30% e é a verdadeira responsável por incomodar os jogadores quando mudam de superfície.

19 - A ação de rotação interna de ombro é a grande responsável pelas velocidades do saque e forehands. No caso do forehand, ela gera 35% da velocidade total do golpe. As ações da munheca somam 25% da velocidade. Isso implica que 60% da velocidade total depende de um braço rápido. No saque, 40% da velocidade total depende da rotação interna de ombro.

20 - Sabe-se que movimentos contínuos e ritmados no tênis conseguem agregar muita energia elástica. Essa variável pode aumentar em até 30% a velocidade final de um golpe e diminuir drasticamente o esforço para se golpear a bola. Portanto, não fazer pausas durante um golpe é um grande aliado para um tênis fácil.

21 - O lançamento da bola no saque é algo extremamente preciso. Em geral, ele passa de 15 a 50 centímetros do local do ponto de contato, sendo a bola golpeada na descida. Jogadores de elite possuem exatamente o mesmo lançamento para as diversas direções que vão sacar e também efeitos. Essa arte de camuflar o saque é imprescindível para lidar com devolveres com grande poder de antecipação. O ponto de contato, ao contrário do que se acredita, ocorre 20 centímetros à esquerda da perna da frente (para destros).


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Artigo publicado nesta revista

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