Instrução mental

Vença com a cabeça no presente

Como se livrar dos fantasmas do passado e do futuro que minam o seu jogo?

Roberta Menezes em 2 de Maio de 2017 às 18:18

Aquela bola que saiu por milímetros no break-point do primeiro game da partida pode ser fatal para o seu jogo. Nem tanto por ela não ter entrado na quadra, mas por ela não ter saído da sua cabeça depois disso. Da mesma forma, vislumbrar o desfecho de um jogo quase ganho também pode minar suas chances de vencê-lo. No tênis, passado e futuro tendem a ser seus oponentes, assim como quem estiver do outro lado da rede.

O tênis é mesmo um esporte mental. Extraordinário por nos colocar frente a frente com situações que podemos transpor para a vida, de modo geral. Numa partida temos a possibilidade de vivenciar diferentes momentos, assim como em algumas fases da nossa vida. De repente, num piscar de olhos, algo já mudou. Adaptar-nos ou buscar novas alternativas é a solução. Mas, de qualquer forma, é fundamental que estejamos presentes onde quer que estejamos, e aí nos referimos à presença física e mental.

Não adianta estarmos de corpo presente em algum lugar, se não estivermos com a mente ali. O foco, a atenção e a concentração naquilo que estamos fazendo são essenciais na qualidade da execução da tarefa. Nosso maior adversário somos nós mesmos, ao querermos dar conta de mais de uma coisa ao mesmo tempo. Nosso pensamento não deve ser desprovido de uma intenção. Nossas ações devem ter objetivos.

Fantasmas

Pois bem, vamos pensar no jogo de tênis, independente do nível do jogador. Cada tenista tem a sua individualidade com características próprias na forma de jogar. Uns são mais conservadores, outros mais ousados; uns jogam mais na defensiva esperando o erro do adversário, outros são mais ofensivos partindo para o ataque, para a definição dos pontos. Isso é, sem dúvida, importante, mas não determina o pensamento do jogador diante de cada ponto.

Como nos esquecer do ponto perdido depois de uma oportunidade ótima? Como se livrar desse fantasma e seguir em frente? Como não pensar que, com mais dois pontos ganhos, vencerei a partida? Como, diante de um futuro incerto, não criar expectativas e receios caso ele não venha a se realizar? Como controlar as emoções com relação a essas ideias que nos vem à cabeça?

Sabemos que não é fácil esquecer o passado e deixar de pensar no futuro. Como fazer para pensar só no momento atual, no presente que quando vemos já passou? A bolinha vai e volta quase que instantaneamente e temos que dar uma resposta satisfatória. Como fazer para programar a nossa mente? Como ter um foco tão preciso?

A psicologia do esporte pautada na terapia comportamental cognitiva trabalha com os pensamentos automáticos do atleta, procurando compreendê-los para, posteriormente, fazer uma reestruturação cognitiva.

O que isso significa?

1 - Todo atleta, diante de determinadas situações e eventos, tem pensamentos automáticos que vão produzir reações emocionais, comportamentais e fisiológicas. Esses pensamentos automáticos provêm de crenças intermediárias e centrais adquiridas no decorrer da vida. Por exemplo, pensamento automático: “Vou perder esse jogo”. Crença secundária: “Perdi as últimas partidas para esse adversário”. Crença central: “Não sou um vencedor”. Como reação emocional, teríamos desânimo e tristeza. Como reação comportamental, teríamos apatia e displicência. E como reação fisiológica, teríamos fadiga excessiva.

2 - Existem algumas técnicas cognitivas (Questionamento Socrático, Continuum Cognitivo, Levantamento Histórico, Treino Mental, Cartões de Enfrentamento e Técnicas Psicofisiológicas, entre outras) que podem ser utilizadas para ajudar o atleta a melhor se comportar diante de pensamentos automáticos como o citado anteriormente. Essas técnicas são fundamentais no processo de reestruturação cognitiva.

No caso descrito anteriormente, poderia utilizar o treino mental usando a visualização de imagens positivas desse atleta atuando em treinos e competições anteriores, bem como mentalizações de frases e posturas positivas em quadra. A reestruturação cognitiva seria uma construção no sentido de fazer desse atleta uma pessoa capaz de se sentir vencedora. No esporte e na vida podemos repensar as formas como agimos e reagimos, podemos buscar justificativas e encontrar respostas.

Mas, o que importa mesmo é o processo que percorremos, é como fazemos e nos dispomos a viver. Essa é a nossa escolha. Assim, é melhor pensar em focar no presente, jogar com vontade de vencer e de ser melhor a cada partida, superando as dificuldades sempre que as encontrar. Isso é vencer sempre. O pensamento positivo e o altruísmo são a chave para o bem-estar. Estar de bem com a vida e feliz.


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