Fisioterapia

Vamos alongar? Ou não?

Alongamento significa mais flexibilidade? Melhora o desempenho? Descubra quais os tipos de alongamento e para que eles servem

Ricardo Takahashi E Equipe em 16 de Novembro de 2011 às 13:01

Foto: photoxpress.com.br

FAZER ALONGAMENTO É MUITO comum nos esportes. Quantas vezes não nos deparamos com cenas de atletas se alongando antes ou após um treino, jogo ou um simples bate-bola aos finais de semana? No entanto, muitas pessoas confundem alongamento com flexibilidade. Sendo assim, devemos prestar atenção a esses termos, pois eles certamente representam coisas diferentes.

A flexibilidade pode ser definida como a amplitude de movimentos (ADM), ou seja, o grau de amplitude em que uma estrutura pode se afastar da outra. Já o alongamento pode ser definido como qualquer exercício ou manobra terapêutica que tem por objetivo alongar estruturas de tecido mole e, portanto, aumentar a amplitude de movimento. Assim, o alongamento é um meio para desenvolver a flexibilidade.

Alongamento de glúteo (passivo)
Alongamento de deltóide (ativo) Alongamento de glúteo (ativo)


TIPOS DE ALONGAMENTO
O alongamento pode ser estático (passivo ou ativo), balístico (dinâmico) ou por facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP). No estático passivo, move-se o grupo de músculos lentamente, mantendo-se uma postura com tensão muscular, e sustenta-se essa postura por alguns segundos com a ajuda de forças externas, como aparelhos ou outra pessoa.

Já no alongamento estático ativo, o indivíduo deve alcançar a maior amplitude de movimento utilizando a força dos músculos agonistas (que realizam o movimento) e do relaxamento dos músculos antagonistas (que limitam o movimento).

Outro alongamento utilizado é o balístico, que consiste no balanço repetido da parte do corpo que está sendo alongada, que por meio de contrações musculares bruscas ganha energia para aumentar o limite de alongamento.

Por fim, também existe a facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP). Considerada um tipo de alongamento, essa técnica é mais avançada e necessita de um profissional. Nela são produzidas contrações e alongamentos alternados em padrões diagonais de movimento, trabalha-se mais dinâmica e funcionalmente o músculo a ser alongado.


FINALIDADE DO ALONGAMENTO

Tais exercícios de alongamentos têm como objetivo reduzir as tensões musculares, o estresse e a fadiga; induzir o corpo ao relaxamento; ativar a circulação; e, como citado acima, melhorar a flexibilidade. O alongamento deve ser realizado para obter a amplitude máxima, pois o músculo não é puramente elástico, mas, sim, viscoelástico. Ele funciona como se fosse um elástico. Ao receber um estímulo, alonga-se. Ao cessá-lo, retorna ao comprimento original. Os efeitos imediatos desse estímulo promovem aumento da amplitude de movimento através da diminuição da viscoelasticidade e um aumento na tolerância ao alongamento (efeito analgésico). Já em relação aos efeitos a longo prazo, a viscoelasticidade permanece constante e o aumento da amplitude de movimento ocorre somente porque mais força pode ser aplicada ao músculo antes de o indivíduo sentir dor.

Pesquisas mostram que o tempo de alongamento varia de pessoa para pessoa. Entre 15 e 30 segundos por grupo muscular é o suficiente para a maioria de nós. Entretanto, para algumas pessoas ou grupos musculares é necessário um período maior de duração ou repetições.

Alongamento de flexores de punho (ativo)
Alongamento de quadríceps (passivo) Alongamento de tensor da fáscia lata (ativo)


No alongamento estático passivo, move-se o grupo de músculos lentamente, mantendo-se uma postura com tensão muscular, e sustenta-se essa postura por alguns segundos com a ajuda de forças externas

 

 

#Q#

 

 Alongamento de quadríceps (ativo)


O MITO DA PREVENÇÃO DE LESÕES E MELHORA DE PERFORMANCE

Além dos benefícios já citados, o alongamento, muitas vezes, também é visto, tanto pelo público quanto pelos atletas, como um modo de prevenir leões e melhorar a performance. Contudo, estudos científicos mostram que o alongamento não previne lesão e também não promove melhora no desempenho. As pesquisas demonstram que as lesões nos esportes ocorrem tipicamente dentro dos limites normais da amplitude de movimento. Logo, o alongamento, que atuaria para aumentar a flexibilidade, não faz diferença na maioria das lesões musculares.

Em relação à melhora do desempenho, o alongamento prévio, para alguns atletas, pode produzir um efeito relaxante, e isso pode promover, teoricamente, uma melhora no desempenho. Entretanto, estudos mostram que, nesses casos, há uma diminuição na força muscular, o que pode predispor o atleta a riscos de lesões. Por outro lado, no alongamento regular ocorre uma melhora no desempenho, aumentando a força e a velocidade de contração muscular.

Até o momento, sabe-se que há um aumento comprovado da flexibilidade, mas não significa que isso irá prevenir lesões. O mais adequado para ajudar a diminuir os riscos de lesões é promover o aumento da temperatura corporal antes da atividade (aquecimento) e realizar treinamentos adequados. O aquecimento pode ser realizado por meio de exercícios dinâmicos (corrida, movimentos articulares, saltos). Isso beneficiará o corpo, diminuindo o risco de lesão, proporcionando adequadas condições para contração, velocidade e coordenação muscular.

 
No alongamento estáti co ati vo, o indivíduo deve alcançar a maior amplitude de movimento uti lizando a força dos músculos agonistas (que realizam o movimento) e do relaxamento dos músculos antagonistas (que limitam o movimento)

Alongamento de cápsula posterior de ombro (passivo)

REFERÊNCIAS
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Shehab R, Mirabelli M, Gorenflo D, Fett ers MD .Pre-exercise Stretching and Sports Related Injuries: Knowledge, Atti tudes and Practi ces. Clin J Sport Med. V.16, N.3, 2006.

Thacker S, Gilchrist J, Stroup DF, Kimsey CD. The Impact of Stretching on Sports Injury Risk: A Systemati c Review of the Literature. Med. Sci. Sports Exerc. V. 36, N. 3, 2004.

Witvrouw E, Mahieu E, Danneel L , McNair P. Stretching and Injury Preventi on: An Obscure Relati onship Sports Med. V.34, N.7, 2004.


Preparação Física/Fisioterapia

Artigo publicado nesta revista

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