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Saiba por que e como jogar com seu forehand a maior parte do tempo

Por Carlos Omaki em 6 de Março de 2015 às 00:00

Jogar dessa forma, “fugindo da esquerda”, mais do que esconder uma deficiência, é uma estratégia de ataque e intimidação

Com a evolução atlética e das técnicas de movimentação dos tenistas, usar o seu golpe favorito – que na maioria das vezes será o forehand (direita para os destros) – em quase todas as posições da quadra (“fugindo” da esquerda – backhand) é algo cada vez mais comum, principalmente quando tratamos de tenistas de alto nível. Costumamos denominar os atletas que “usam e abusam” do forehand de “jogadores de ¾ de quadra”.

Como o nome já diz, são tenistas que procuram bater seus forehands em três quartas partes da quadra. Ou seja, um quarto de quadra a mais do que o normal. É fácil entender: um tenista “convencional” tende a golpear com a direita quando a bola vem do lado direito da quadra e com a esquerda quando é do outro lado, usando seus dois golpes em 50% da quadra cada um. Já os tenistas de ¾ de quadra batem de direita quando a bola vem do lado direito da quadra, mas também quando ela não vem com muito ângulo na esquerda.

Esses jogadores geralmente são rápidos e agressivos, e estão aparecendo cada vez em maior número em todos os níveis, do profissional ao amador. Isso revela o quanto esse estilo de jogo é eficiente. Por isso, vamos mostrar como utilizar esse recurso e também como anulá-lo – caso você jogue contra alguém que faz uso dele. Antes, porém, vale entender um pouco como essa estratégia nasceu e por que ela se consolidou dessa forma no tênis atual.

Fugindo da esquerda?

No início, essa prática era conhecida como “fugir da esquerda”, já que, obviamente, esse era o principal objetivo. Assim, um tenista “escondia” um golpe mais vulnerável ao mesmo tempo que ficava em posição de atacar com sua principal arma. Esse estilo apareceu com maior frequência logo após o surgimento das empunhaduras mais radicais, como a Western e Western estrema, que possibilitavam mais agressividade aliada a melhores ângulos nas batidas. Era uma maneira muito física e desgastante de jogar, com vantagens e desvantagens dependendo do adversário que se enfrentava. Com o tempo, contudo, essa técnica foi sendo aprimorada e passou a ser usada muito mais para bater bolas ofensivas com a direita do que simplesmente evitar jogar com a esquerda.

Outro aspecto que contribuiu para seduzir treinadores e atletas quanto à eficiência desse estilo de jogo foi o impacto emocional que a jogada causava nos adversários. Notou-se que, quando um jogador se movia rapidamente para o lado esquerdo de forma a conseguir um bom apoio de pernas para executar bem a direita, automaticamente o adversário se colocava na defensiva. Isso ajudava o tenista a se impor emocionalmente na partida.

Outra “armadilha”, que aumenta muito a eficiência dessa jogada, é a reação automática dos adversários em tentar forçar a esquerda no pequeno espaço da quadra que resta para isso, ou seja, em apenas um quarto de quadra, provocando muitos erros.

Assim, o que antes era um “estilo de jogo”, passou a ser uma estratégia que pode e deve ser utilizada por quase todos os jogadores em situações específicas ou contra adversários determinados. Essa tática só não é eficaz quando usada por tenistas mais lentos ou que não possuem um forehand que, ao menos, incomode o rival.

Repare que Novak Djokovic, Roger Federer e Rafael Nadal possuem estilos de jogo diferentes, mas se há algo comum entre eles é o fato de todos jogarem batendo com forehand em quase toda a quadra.

Cuidado

Essa opção de jogada pode criar a impressão de que você precisa se preocupar menos com seu backhand. No entanto, lembre-se de que essa é uma forma de jogar que não funciona contra todos os oponentes e que, além disso, é muito desgastante fisicamente para usar durante partidas inteiras.

 


O golpe

Os golpes desse ponto da quadra devem ser firmes, atacando a movimentação ou a técnica do adversário, preferencialmente chapados ou com topspin agressivo. Para isso, o movimento de pernas ideal é o gerador de força, power step, e o apoio ideal é o semi-aberto.

 

Como jogar com seu forehand em ¾ de quadra

Jogar em ¾ de quadra significa (no caso de um tenista destro) bater a direita do lado direito, no centro e em metade do lado esquerdo da quadra (que seria o terceiro quarto). Lembre-se que o exagero de se mover para bater a bola próxima à linha do lado esquerdo (quarto quarto) representa muito desgaste e baixo aproveitamento da jogada.

No gráfico acima, representamos a área de golpe com a direita e a área designada pelo número 3 é o terceiro quarto, ponto ideal para golpear as direitas. A área com o número 4, em vermelho, é a zona de alto risco e desgaste.

Repare que, para bater uma bola na área 3, o jogador terá de se posicionar na área 4 e, para bater na área 4, ele teria que sair da quadra para efetuar o golpe. Note também que a quadra está demarcada até a linha de saque. A partir desse ponto, apenas os winner poderiam ser usados com a opção ¾, sendo contraindicado para os approaches, deixadas e voleios.

 


Onde bater a bola?

Neste gráfico, a posição A é o ponto de batida das bolas em ¾ de quadra. B é o posicionamento ideal do adversário nessa situação. C é o ponto de inside-out (ou seja, direita executada de dentro para fora). D é o centro da quadra. E é o ponto de inside-in (ou seja, paralela executada de dentro para dentro). F é o ponto de contra-ataque dos adversários.


De A para C

Esta jogada deve ser usada principalmente visando induzir o adversário a um erro. O posicionamento A já deixará propositalmente a quadra mais aberta para golpear 90% das bolas devolvidas com a direita provavelmente em forma de winner. Nesse caso, você poderá trocar bolas forçando o backhand rival até que consiga uma bola mais curta ou force o adversário a arriscar uma paralela – que terá um baixo índice de acerto. A área tracejada é a zona de maior percentual de incidência das bolas defendidas nesta situação.

 

 

De A para E

Este seria o alvo ideal para o winner, principalmente em função da posição do adversário em quadra. Se o golpe for bem executado, você terá 70% de chances de uma bola fácil na área tracejada, principalmente se você se antecipar.


De A para D

O alvo D só deve ser usado com bolas muito firmes ou com variação de altura, dificultando o contra-ataque, já que seu adversário terá uma bola rápida e pesada para golpear bem e, melhor ainda, com a sua quadra aberta. Use este alvo apenas se algo der errado e você não conseguir um bom apoio para atacar com uma boa direita. Novamente, a área em destaque é onde você deve se preparar para receber a bola de resposta nesta situação.

 

Como jogar contra um adversário de ¾ de quadra?

Como você pôde perceber no decorrer deste artigo, um dos grandes erros ao enfrentar um jogador de ¾ de quadra é tentar evitar que ele bata de direita (forehand), forçando a bola no pequeno espaço que resta na esquerda. Essa jogada resulta na disputa de direita inside-out do rival contra a sua esquerda. E, na maioria das vezes, a desvantagem está sempre com quem está jogando com o backhand.

Para evitar essa situação, em primeiro lugar, lembre-se que o objetivo do seu adversário ao sair para o lado esquerdo para bater a direita é, na maioria das vezes, forçar a bola no seu revés para entrar na quadra e definir o ponto na próxima batida. Dessa forma, tire a bola do meio da quadra, variando o golpe e buscando inverter a situação até você retomar o controle do ponto e então dominar com o forehand invertido.

Sendo assim, as melhores opções de jogadas para retomar o controle do ponto são:

1)    Conseguir rapidamente uma boa bola, rápida ou profunda, em direção ao lado direito, fazendo com que o espaço do lado esquerdo se abra. Está é também uma boa forma de inverter a situação, com você passando, a partir desse momento, a bater as direitas inside-out.

2)    Variar a altura das batidas será outra ótima opção, já que o adversário quer bolas curtas e em boa altura para atacar no espaço ¾ do lado esquerdo. Bolas altas e rápidas com topspin ou baixas e rasantes com slice são as mais indicadas para forçar erros e, quem sabe, inibir a ação de ataque.

3)    Atacar a movimentação é outra boa maneira de frear a ação dos ataques com a direita. Como vimos, a forma de jogar em ¾ de quadra é bastante desgastante e, por isso, se você “investir” em mover o tempo todo o seu adversário, ele provavelmente passará a errar mais ou desistirá da estratégia.

Má ideia!
Aproximações à rede, deixadas e voleios – e canhotos!

A opção ¾ de quadra não deve ser usada nas aproximações à rede, para contra-atacar ou defender deixadas e voleios. No caso das subidas à rede (approaches), optar por bater uma direita no lado esquerdo da quadra, abrirá muito espaço para passadas, dificultando a cobertura dos ângulos. Em deixadas do adversário, a movimentação necessária a mais para bater com a direita do lado esquerdo representará, na maioria dos casos, perda de tempo precioso de chegada à bola, que, consequentemente estará mais baixa e mais difícil de golpear. Além disso, tentar “fugir da esquerda” diante de uma deixada elimina uma das opções de melhor êxito contra essa jogada, que é a contra-deixada cruzada. Problema similar ocorre nos voleios e as questões tempo e espaço em quadra tornam proibitiva essa opção de jogada. Ou seja, mesmo que haja tempo para optar por um voleio de direita no lugar da esquerda, a quadra ficará totalmente aberta a seguir. Evite ainda executar esse tipo de jogada quando seu adversário tem um bom contra-ataque de backhand na paralela e também contra rivais canhotos (por razões óbvias).


Instrução - Tática forehand jogar backhand golpe

Artigo publicado nesta revista

Revista TÊNIS 137 · Março/2015 · Canhotos

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