Instrução Juvenil

Transição: A incerteza de chegar

Etapa entre o juvenil e o profissional concentra os maiores desafios na carreira dos jogadores. Confira os sete pontos fundamentais para ter sucesso

Por Elson Longo em 30 de Março de 2015 às 00:00

São incontáveis as vezes que ouvimos a pergunta: por que os melhores juvenis não se tornam os melhores profissionais? Frequentemente interpretadas como sinônimos de sucesso, as carreiras juvenis e profissionais divergem amplamente. O êxito no cenário júnior é um mero pré-requisito para ter seu espaço no difícil mundo profissional, e não uma certeza como muitos podem pensar.

A brutal diferença de nível entre esses dois universos é a resposta para essa contradição. Ser um ótimo juvenil é ter subido apenas o primeiro degrau de uma longa escada ao topo, há ainda um extenso trajeto rumo à excelência. Diante de tal desafio, como tenistas, técnicos e pais podem estar mais preparados para essa difícil jornada? Vamos então ressaltar sete pontos fundamentais que podem definir o sucesso nesse território de incertezas.

1. Tempo

Para elevar o nível de tênis, é necessário tempo. Se o jogador já apresenta um bom nível, como o caso de um bom juvenil, ainda é mais difícil subir sua qualidade, pois os ajustes são mais detalhistas. Portanto, ao terminar o juvenil, o tenista deve estar disposto a dedicar no mínimo quatro anos, participando de competições profissionais, para ter o tempo hábil para melhorar suas habilidades.

Aqui ocorre o primeiro grande erro de interpretação. Muitos querem, após o juvenil, ter resultados logo no primeiro ano. Definem metas e prazos irreais, e acabam se frustrando. São raras as exceções de jogadores que têm sucesso logo na primeira temporada profissional. Algo cada vez mais raro hoje em dia.

É necessário tempo e dedicação, como em qualquer processo em que se almeja uma melhora significativa. O circuito está cada vez mais velho, a abundância de jogadores com mais de 30 anos mostra que o amadurecimento e a experiência é fundamental. Esse tempo de latência após o juvenil deve ser respeitado, cultivando-se uma base forte e ajustes precisos, permitindo ao jogador consolidar sua evolução e adquirir novas e melhores habilidades. Não é hora de pressa. É o momento da espera, da paciência e da entrega.

2. Acreditar

Pela natureza extensa desse processo e pelos altos custos envolvidos, podemos afirmar que há um risco. Pode-se perder anos e muito dinheiro e não conseguir competir nos melhores torneios do circuito, limitando-se aos Futures (de premiação de US$ 10 a 15 mil). Diante dessa projeção, muitos jogadores desistem, ou são encaminhados às universidades americanas. Algo perfeitamente compreensível, pois o que é certo é mais concreto que o inseguro.

No entanto, não devemos esquecer o que está em jogo. Ser um tenista de elite, jogar torneios milionários, é um projeto grandioso. Ser um dos cem melhores do mundo em qualquer profissão é tarefa difícil e invejável. E grandes feitos sempre possuem grandes riscos. Quem tem um sonho de ser uma estrela do tênis e condições para almejá-lo, deverá acreditar e estar disposto a enfrentar os riscos. Como em qualquer outra área ou profissão, o risco faz parte das grandes realizações.


O êxito no cenário júnior é um mero pré-requisito para ter seu espaço no difícil mundo profissional, e não uma certeza como muitos podem pensar

3. Estrutura

Dado os riscos, investimentos e dificuldades, deve-se encarar esse processo da forma mais preparada possível. Ter uma equipe multidisciplinar, contendo treinador, preparador físico, fisioterapeuta, nutricionista, entre outros, é fundamental para o enfrentamento em questão. Sem um boa equipe de trabalho, aumenta-se consideravelmente as chances de insucesso. O treinador torna-se peça-chave em estar presente nas viagens, giras e competições, pois é nesse cenário que a maior parte do trabalho é feito. Competir profissionalmente sozinho é quase uma aventura. Há casos de jogadores que conseguiram, mas grande parte esmorece. Vale lembrar que aqueles que o fizeram por si só provavelmente fariam ainda melhor com o apoio de um profissional.

4. Técnica

Ter golpes com deficiência técnica é praticamente uma condenação para quem almeja estar entre os melhores. Investir em uma excelente técnica de movimentação nunca é demais. Nunca deixar de aprimorar os fundamentos. Atenção especial ao saque com efeito quique no masculino. Este serviço comporta a mecânica mais complexa de todas, e apresenta um diferencial nos jogadores que se sobressaem. O slice de backhand também vem ganhando mais e mais importância.

5. Tática

O jogador deve ter um padrão de jogo, fazer alguma coisa muito bem. Esse é o ponto inicial. Em seguida, deve agregar novos padrões, tornando-se cada vez mais completo. A parte defensiva requer grande atenção. Muitos são capazes de atacar bem e, se ao longo do tempo conseguem neutralizar o ataque oponente, transformam-se em jogadores com qualidade muito melhor. A transição à rede, principalmente no feminino, é outra lacuna que, se preenchida, eleva enormemente o nível da atleta.

São raras as exceções de jogadores que têm sucesso logo na primeira temporada profissional

6. Físico

O tênis de alto nível é movimentação. Quanto melhor forem as habilidades de mudanças rápidas de posição do jogador, melhor serão suas chances de sucesso. Ter incorporado toda a indumentária de habilidades físicas, como resistência, força, velocidade, equilíbrio, coordenação, elasticidade, potência e agilidade, é um salvo conduto. Associar técnicas adequadas de movimentação, inerentes a cada piso, é igualmente fundamental. Devido às enormes exigências do circuito, o trabalho de prevenção de lesões é ainda mais importante. O preparador físico e o fisioterapeuta são peças indispensáveis nesse processo.

7. Mental

Este definitivamente é o ponto mais crítico do processo. Devido à aspereza das circunstâncias, o enorme nível de estresse e frustração, nada será tão exigido quanto o lado psicológico do jogador. Por isso a importância de haver um treinador nas viagens e competições para ajudar a superar os desafios emocionais apresentados e desenvolver as habilidades mentais necessárias. Poder de concentração, saber se motivar positivamente, criar uma atmosfera de confiança, controlar as emoções negativas (como medo, raiva e ansiedade), ter um poder de superação, resiliência, saber gerenciar a frustração, são algumas das muitas habilidades mentais a serem desenvolvidas ao longo do processo. Juntos, jogador e treinador deverão ser capazes de, ao longo das competições, desenvolverem uma atitude competitiva forte e vencedora.

Pode-se lançar em busca de um grande sonho. Com o tempo certo para que as coisas possam acontecer e com as ferramentas adequadas. Quem chegou lá, lutou, arriscou e insistiu, mas, antes de tudo, ousou sonhar.


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