Olimpíadas

Para 2016 e além

Escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 tem tudo para transformar o esporte no Brasil. É o que o tênis quer (e precisa)

Arnaldo Grizzo em 20 de Outubro de 2009 às 09:56

Ron C. Angle / TPL

ASSIM QUE a sede das Olimpíadas de 2016 foi anunciada como sendo no Rio de Janeiro, muita coisa se passou pela cabeça daqueles que torcem por diversos esportes, incluindo o tênis. organizar os Jogos olímpicos costuma ser determinante para o desenvolvimento do desporto da maioria dos países que já receberam esta "dádiva".

Um bom exemplo vem da terra do coordenador do tênis nacional, Emilio sánchez. muito do sucesso dos tenistas espanhóis de hoje se deve, seguramente, às Olimpíadas de Barcelona 1992. na época com 27 anos, sánchez chegou a ser beneficiado pelo programa de ajuda ao esportista olímpico do governo espanhol, mas, foi a geração seguinte que despontou graças ao trabalho iniciado antes dos Jogos. "sergi Bruguera, Carlos moyá, alex Corretja, alberto Berasategui, todos saíram do programa de ajuda ao esportista olímpico, que investiu bastante na modalidade para tentar um bom resultado em Barcelona. mas eles eram muito jovens e acabaram se destacando apenas depois das Olimpíadas", contou o treinador espanhol em entrevista à revista tênis em 2006, quando estava começando a trabalhar com a federação chinesa de tênis em seu projeto para Pequim 2008.

assim que assumiu o cargo de coordenador do tênis, durante o Brasil open 2009, sánchez voltou a nos conceder uma entrevista em que garantia que o Brasil ganharia muito com uma política focada no esporte, um projeto olímpico. "o Brasil, dos países que já vi, é um dos que mais ajudas privadas têm no esporte. no tênis, todas as academias, institutos, têm um patrocinador importante, de gente que tem dinheiro e gosta de investir no tênis. se há um projeto olímpico para o esporte, com financiamento privado, com vantagens fiscais, estou certo que, no Brasil, haveria muita gente que colocaria dinheiro, pois já o estão fazendo sem ter projeto. mas, com um projeto assim, a geração de hoje não desfrutaria. todo o dinheiro que vai ao mundo do tênis, as próximas gerações serão as que se beneficiarão, como aconteceu em Barcelona. Esse dinheiro beneficiou a geração de Albert Costa, Alex Corretja, não a minha, que era quem ia jogar as Olimpíadas. mas, não tem problema, pois o importante é poder fazer e que, no final, os jovens se beneficiem. Barcelona deu seus frutos depois. a maior parte do dinheiro das entidades governamentais tem que ir para o desenvolvimento e para os jovens, não para os que já estão aí", afirmou na época.

LEGADO OLÍMPICO

Sánchez chegou a trabalhar no projeto olímpico do tênis chinês, que conquistou ouro em duplas femininas em atenas 2004 - um feito gigantesco para um país com pouquíssima tradição neste esporte -, mas não terminou. o resultado, ainda assim, foi bom. E espera-se que os chineses tornem-se cada vez mais constantes nos torneios profissionaidevido ao grande investimento que foi feito. investimento esse que continua forte, com a China sendo sede de torneios importantes da ATP e WTA, que ocorrem nos estádios onde os Jogos foram realizados em 2008.

fotos: RON C. ANGLE /TPL

Os projetos de Barcelona e Pequim alcançaram sucesso e, agora, quem se preocupa com o fomento de seu esporte - incluindo o tênis - é o Reino Unido, que sediará as Olimpíadas de 2012, em londres. Em 2006, a Lawn Tennis Association (LTA) contratou uma equipe - encabeçada por ninguém menos que Brad Gilbert, um dos mais famosos treinadores do mundo - para tentar desenvolver o esporte no país.

Para melhorar ainda mais o panorama, no início de 2009, mais de 30 milhões de libras foram disponibilizadas pelas agências que cuidam do desenvolvimento olímpico na grã-Bretanha para investir na infraestrutura e programas de base de diversos esportes - sendo o tênis um dos alvos, com financiamento para a lta providenciar melhorias e treinadores em parques públicos, por exemplo. o resultado? só veremos no futuro.

Mas como se forma um legado olímpico? a primeira coisa que vem à cabeça, certamente, é a formação de infraestrutura adequada. Contudo, sabe-se que ter belos estádios não faz ninguém começar a praticar um esporte. Para isso é que servem os heróis olímpicos. E os britânicos acreditam que isso acontecerá por lá. Tim Lawler, dirigente de uma das agências responsáveis por financiar o es porte de base no Reino Unido, disse, em entrevista à BBC em 2007: "as crianças não pegam em uma raquete durante Wimbledon porque elas acham que a administração é legal ou a quadra no fim da rua está em bom estado. Elas são inspiradas por heróis. E os Jogos são nossa plataforma para os heróis".

#Q#

DOIS CENTROS

Sendo assim, voltamos ao Rio 2016 e ao nosso tênis. sim, durante os últimos anos da década de 1990 e o início dos anos 2000, tivemos um boom sem precedentes na história deste esporte. Uma legião de meninos e meninas, espelhados em Guga, resolveu empunhar uma raquete e ir para a quadra, sonhando com as conquistas do catarinense.

E o que aconteceu? nada. o momento passou, o País não criou uma cultura de tênis e, novamente, teve que recomeçar, partir do zero. Uma nova diretoria assumiu a Confederação Brasileira de T ênis (CBT) e tenta fomentar o esporte de base. o tão sonhado centro de treinamento ainda não veio. os Jogos Panamericanos, que prometiam muito, não deixaram nada para o tênis. sequer uma instalação nova no Rio de Janeiro.

Com as Olimpíadas, porém, renasce a esperança de um grande centro na capital carioca e, por tabela, algo na capital paulista, que possa servir de base para os jovens enquanto a estrutura do Rio ainda está na fase dos projetos. o presidente da CBT, Jorge Lacerda, afirma: "o grande centro do Brasil agora, já está aprovado, vai ser no Rio. Este projeto nos foi passado há um ano e meio e nós levamos para a Federação Internacional. Eles nos deram algumas dicas, algumas recomendações, e devolvemos para o Comitê Olímpico Brasileiro (COB). O COB achou ótimo. S ão 16 quadras. Vai ficar bonito o negócio. Então, o grande centro de treinamento vai ser lá. mas, estamos batalhando para ter um centro em são Paulo, mas com a sede da Confederação. N ão centrão, com arena e tal". Se só conseguirmos isso em 2016 - ou seja, um tipo de infraestrutura nunca antes vista para o tênis brasileiro - já podemos comemorar. mas, para Lacerda, o Rio de Janeiro tem tudo para se tornar o grande centro do tênis nacional e cogita até mudança da sede para lá futuramente, pois o Estado tem aprovada uma lei de incentivo ao esporte e a área olímpica não pode ficar abandonada.

fotos: RON C. ANGLE /TPL

MAIS DO QUE ESTRUTURA

No entanto, o trabalho precisa ir além de tijolos e quadras. Segundo Sánchez, Barcelona não serviu somente para criar estrutura, mas para determinar uma linha de trabalho no tênis do país - com profissionais capacitados guiando as jovens promessas para um futuro no esporte. Aqui, no Brasil, buscamos o mesmo agora. Essa é a pedra fundamental que nos faltou quando Gustavo Kuerten fez o milagre de tornar o tênis algo popular.

Como já dissemos em outras reportagens aqui, foi a geração do fim da década de 1990 a mais influenciada pelo fenômeno Guga. Aqueles meninos de 10, 12 anos que se sentiram inspirados, hoje beiram os 18 anos e ainda buscam oportunidades para brilhar nas quadras. O caminho é difícil. 2016, apesar de parecer distante, está bem próximo. Formar tenistas leva muito tempo e trabalho. Então, são praticamente os mesmos jovens que viveram o sonho de Guga que têm alguma chance de brilhar nas olimpíadas e tornarem-se os heróis que fomentarão a vinda de novos garotos para o esporte. A atenção para a base e a transição de juvenil para profissional nunca foi tão crucial como agora.

O presidente da CBT vai além e acredita que quem vai se beneficiar dos Jogos em 2016 é a novíssima geração, que ainda sequer pensa em pegar na raquete: "os que vão se beneficiar mais de tudo isso, acredito, são as crianças que ainda vão começar a jogar tênis. Todos esses jogadores de hoje já estão se beneficiando, mas nesse investimento olímpico, essa turma já vai estar passando. a garotada de 14, 16 anos, vai chegar tarde. agora, essa garotada de 6, 7, 8 anos, vai ser a mais beneficiada com esse desenvolvimento do nosso esporte. Já vão pegar tudo pronto.

O centro funcionando, um trabalho que deu certo. Já vai começar com tudo desde cedo". Este é o momento que o esporte nacional esperou durante anos. tomara que possamos aproveitá-lo.


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