O que fazer com uma bola velha?

Muitos doam para projetos sociais, mas muito mais pode ser feito com bolas que já não estão boas para serem usadas e podem contribuir com a poluição. Segue aqui algumas ideias de sustentabilidade no tênis

Suzana Silva em 18 de Novembro de 2010 às 09:51

Uma bola de tênis demora cerca de 2.500 anos para se decompor

A PARTIR DE 2012, as competições oficiais até 10 anos - do chamado Tennis 10's - não poderão mais ser praticadas com as bolas oficiais, as amarelas usadas por adultos. Já antecipando a dificuldade de implementação de qualquer sistema que envolva produção e distribuição de bens de consumo em larga escala, bem como o tempo necessário para a aceitação global de novas regras esportivas, a Federação Internacional de Tênis (ITF) concedeu dois anos para a organização de toda a rede de ações envolvendo as novas bolas.

Sabemos que as informações e os materiais esportivos e pedagógicos mais modernos - mesmo nos tempos de internet - ainda custam a chegar aos rincões do país. Sabemos também que muitos professores, apesar de terem vivenciado o sistema Play and Stay nos cursos de Capacitação da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), ainda são resistentes ao uso dessas bolas por motivos ideológicos (os professores mais antigos) e econômicos (o principal problema dos países latinoamericanos).

Então, em primeiro lugar, este artigo quer defender a importância da utilização das bolas vermelha, laranja e verde para a iniciação de crianças, jovens e adultos. Como já foi explicado em oportunidades anteriores, o quique mais lento e mais baixo favorece o aprendizado mais rápido e mais fácil dos golpes e das táticas do jogo de tênis. Apesar de a bola normal, mas mais velhinha, ser usada por muitos professores brasileiros e latinoamericanos em aulas para alunos iniciantes e intermediários, não é a mesma coisa do que usar as bolas especificamente concebidas e fabricadas para esse fim.

O sistema Play and Stay de ensino faz uma relação com a altura do quique da bola, sua velocidade e o espaço de jogo. E, nos três níveis (quadras vermelha, laranja e verde), os alunos podem experimentar o jogo em sua plenitude. Para assistir aos vídeos com jogos de tênis entre crianças e adultos que aprenderam com este sistema, acesse www. tennisplayandstay.com.

Pensando verde
Apesar de olharmos de frente para a defesa da utilização das bolas vermelha, laranja e verde, não podemos dar as costas para assuntos como economia de recursos e sustentabilidade. Do ponto de vista econômico, podemos imaginar quantos professores necessitam de subsídios para comprar seu material de trabalho. Há professores incríveis que doam seu tempo e ministram gratuitamente aulas de tênis para comunidades carentes. Há professores excelentes fora dos grandes centros que ganham o suficiente para seu sustento, mas que, às vezes, não conseguem comprar as bolas em quantidade e qualidade adequadas.

Além de buscar vencer, num futuro próximo, as batalhas travadas em Brasília pelas federações e indústrias esportivas no sentido de diminuir as altas taxas de importação de bolas e raquetes, chegando assim a um melhor preço para o consumidor final, a redistribuição das bolas oficiais adultas usadas para projetos sociais é também uma vitória econômica necessária (deixando claro aqui que essas bolas deverão ser usadas para iniciação de crianças de 11 anos em diante).

#Q#

Bolas velhas não servem somente para brincar com o cachorro. Elas podem servir de base para "obras de arte", mas também podem ser "recauchutadas" em máquinas feitas especialmente para esse fim

Com o olhar dirigido para a sustentabilidade, o que fazer com as bolas de tênis usadas é uma pergunta que a comunidade mundial do tênis não para de fazer, pois, com vida útil de um a dois anos, as bolas jogadas no lixo têm vida longa: uma única demora 2.500 anos para se decompor.

Ideias sustentáveis
Iniciativas interessantes já começam a aparecer, e a Federação Francesa de Tênis não poderia ficar de fora. Engatou uma parceria com a Fedex (empresa de transportes de pequenas cargas) e com a Coved (empresa que recicla bolas transformando-as em pisos esportivos), distribuiu caixas coletoras de bolas usadas para todos os seus clubes fi liados, embalou tudo isso com uma grande campanha publicitária e os resultados já aparecem: das 150 mil bolas recicladas no primeiro ano do programa, o número quadruplicou no segundo.

Os Estados Unidos é o maior consumidor da produção mundial de bolas de tênis, que beira a marca de 300 milhões de unidades, e também já surfa na onda da reciclagem. Uma empresa norte-americana patenteou um sistema de repressurização de bolas velhas, que foi utilizado no WTA de Stanford, em agosto deste ano. Esta empresa se chama Rebounces, e a sua máquina, Green Tennis Machine, tem capacidade de restaurar três mil bolas por mês.

Durante o torneio de Stanford, as pessoas trocavam uma dúzia de bolas usadas por um tubo de bolas novas, e as bolas usadas restauradas foram doadas para programas sociais como o Youth Tennis Advantage, que atua com jovens em Oakland e São Francisco. A Fedex também entrou na parceria, transportando gratuitamente as bolas doadas para a sede da Rebounces.

A criatividade humana, sem limites, chegou a inventar uma cadeira feita de bolas de tênis. Terapeutas corporais usam bolinhas de tênis usadas em suas sessões. E tantos, tantos brasileiros podem começar a jogar através das doações de suas bolas usadas. Quando este artigo estiver sendo lido, atitudes de reciclagem podem ter sido tomadas bem perto de você. Caso queira participar desta rede de ações "verdes", envie mensagens para a redação da Revista TÊNIS (redacao@innereditora.com.br) que vamos ajudar a divulgar.

LINKS:
www.rebounces.com - máquina de restauração de bolas

www.fft.fr/cms-fft/?id=6149 - programa da Federação Francesa de Tênis para reciclagem de bolas


Equipamento

Artigo publicado nesta revista


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