Torneio ATP Finals

Nota máxima

Brasil volta ao ATP World Tour Finals após 12 anos com Marcelo Melo e Bruno Soares chegando à semifinal de duplas e encerrando a temporada no top 6. Em simples, Djokovic se vinga de Nadal e apimenta briga pela hegemonia em 2014

Por Matheus Martins Fontes em 25 de Novembro de 2013 às 00:00

JOGAR BEM POR TODA A temporada é uma missão traiçoeira para qualquer tenista que se acostuma a disputar várias partidas em um curto intervalo de tempo. Não há espaço para lamentar derrotas precoces, porque sempre há novos desafios na semana seguinte. Em um esporte em que só poucos brilham, pequenos detalhes fazem a diferença para sair com o troféu ou ser eliminado na primeira fase.

Como provas de vestibular, o tênis é resumido em etapas, em que só os melhores disputam vagas acirradas em busca do mesmo ideal. No circuito, não há como negar que a meta de todos é estar qualificado para o teste final – o Barclays ATP World Tour Finals, torneio que reúne anualmente os oito melhores jogadores e duplas da temporada.

O Brasil, que não disputava o torneio desde 2001, voltou a ter presença no seleto grupo em 2013 e a torcida dividiu a atenção entre Marcelo Melo e Bruno Soares. Após uma temporada de respeito com seus respectivos parceiros, os mineiros alcançaram as semifinais logo na primeira participação e ficaram bem próximos de protagonizar uma final verde-amarela em Londres. E mesmo que a passagem para a decisão tenha escapado por um triz, Melo e Soares tiveram apresentações dignas de nota 10.

Em simples, Novak Djokovic e Rafael Nadal mantiveram a supremacia sobre a “segunda turma” e fizeram a final que todos imaginavam desde o início. Rafa teve a oportunidade de conquistar, talvez, o único título que ainda lhe falta no currículo, mas Nole tratou de estragar a festa de Rafa conquistando o tricampeonato do Masters e fechando o ano de forma espetacular com uma série de 22 vitórias seguidas. Com certeza, essa sequência é capaz de mexer com os brios da concorrência espanhola pelo número um em 2014.

Simulado

Como bons mineiros, Bruno Soares e Marcelo Melo sempre trabalharam sem alarde e com a certeza de que o sucesso chegaria no momento certo, de forma gradual. Se no ano passado já tinham mostrado resultados convincentes, 2013 coroou a trajetória de ambos, com seus parceiros – Soares ao lado do austríaco Alexander Peya, e Melo com o croata Ivan Dodig. Os dois “mal-acostumaram” o público brasileiro, que ficou ligado novamente nos finais de semanas para acompanhar, ao menos, um compatriota brigando por títulos. Segunda melhor dupla do ano, Bruno e Peya conquistaram a vaga para o ATP Finals após o vice do US Open, em setembro, enquanto Melo e Dodig, terceiro melhor par de 2013 e vices de Wimbledon, carimbaram o passaporte com o troféu do Masters 1000 de Xangai, em outubro.

Líderes da sala

Em Londres, Dodig e Melo tinham uma chave teoricamente mais forte e já encararam, na estreia, os irmãos Bryan. O par do brasileiro não se intimidou e derrotou a dupla número 1 do mundo pela segunda vez em menos de um mês (o mineiro já havia vencido-os em Xangai). O “Yellow Team” (Time Amarelo, em referência ao uniforme de Dodig e Melo), como a imprensa britânica carinhosamente intitulou a parceria, ainda somou mais dois triunfos para avançar à semifinal com 100% de aproveitamento. Enquanto isso, no outro grupo, Peya e Soares começaram mal, perdendo para Leander Paes e Radek Stepanek, algozes da final do US Open, mas se recuperaram a tempo com duas vitórias sobre os espanhóis Marcel Granollers/Marc Lopez e David Marrero/Fernando Verdasco, assegurando o primeiro lugar da chave.


Bruno Soares e Alexander Peya  fizeram grande campanha e perderam no match tiebreak para os irmãos Bryan

Aprovados

Com Melo e Soares na penúltima fase, o Brasil já sonhava em repetir o feito de Guga em 2000, quando o catarinense foi campeão da Masters Cup de Lisboa. Melo e Dodig entraram em quadra contra os surpreendentes Marrero e Verdasco, que baseiam seu jogo no fundo de quadra. Em partida decidida nos detalhes característicos das duplas – “no ad” nos games –, o brasileiro foi derrotado em sets diretos. Logo depois, Soares e Peya disputaram o que muitos chamavam de “final antecipada” contra os Bryans e começaram bem, vencendo o primeiro set com uma quebra. No entanto, bastou um pequeno deslize para que os rivais abrissem vantagem no set e levassem a disputa para o match tiebreak. Desde que a ATP instaurou tais regras a fim de deixar as partidas mais atrativas e dinâmicas, os atletas precisam ter atenção redobrada com a “loteria” que virou o jogo de duplas. O brasileiro chegou a sacar na frente no desempate, mas erros cruciais permitiram que os americanos tomassem a dianteira e avançassem à decisão, pondo fim ao sonho do País em Londres. Na final, os Bryans foram superados por Marrero e Verdasco, ficando a Espanha com o segundo título seguido no evento (Granollers e Lopez foram campeões em 2012).

Mas ainda que doam as duas derrotas, Bruno e Marcelo não desanimam e preferem olhar a temporada de um ponto de vista diferente, como a melhor de suas carreiras no esporte. Prova disso é que ambos encerram o calendário dentro do top 6 do ranking – Soares em 3º lugar, e Melo em 6º, somando oito troféus em 14 finais no total. Mais do que isso, os mineiros deixaram claro, principalmente em Londres, que podem vencer qualquer dupla na atualidade e pretendem “mal-acostumar” os brasileiros também em 2014 para engrandecer muito mais o tênis em nosso País.

Nadal eliminou Federer na semifinal, mas não conseguiu vencer o ATP Finals pela primeira vez na carreira. Ainda assim, terminou o ano como número 1 do ranking

Marcelo Melo e Ivan Dodig venceram todos os jogos na fase de grupos, mas acabaram surpreendidos por  David Marrero e Fernando Verdasco, na semifinal. Os espanhóis se sagraram campeões

A Suíça teve dois representantes no torneio, com Wawrinka e Federer

Gabaritou

Desde que perdeu a final do US Open, Novak Djokovic se fortaleceu e fez uma preparação pré-ATP Finals perfeita, com títulos em Pequim, Xangai e Paris, não vendo adversários à altura. As falhas nos momentos-chave que fizeram falta em Nova York serviram de incentivo para que o sérvio “voasse” na reta final de temporada, exatamente no piso em que melhor se adapta. Foram várias vitórias contra tenistas top 10 nas semanas anteriores a Londres e, assim, Djoko chegou embalado à O2 Arena. Na primeira fase, enfrentou o temido “grupo da morte” com a companhia de Juan Martin Del Potro e Roger Federer, mas os dois (ou qualquer outro) pouco puderam fazer para frear o ímpeto do sérvio, que avançou em primeiro na sua chave, deu uma aula de tênis em Stanislas Wawrinka logo depois e não deu brechas a Nadal novamente no jogo decisivo, empatando o confronto direto com o espanhol em três a três no ano. Mas a igualdade no retrospecto foi claramente ultrapassada por Nole dentro da quadra nos últimos meses, em consistência, intensidade mental e eficiência tática, tudo o que lhe escapou, principalmente contra o rival em Nova York. O sérvio admitiu que, após perder o posto de número 1 para o espanhol, reuniu-se com seu time para encontrar uma maneira de desbancar o oponente. Vinte e dois jogos depois, Nole conseguiu sua vingança e de forma contundente.

Apesar da derrota, Nadal assegurou, pela terceira vez na carreira, a liderança do ranking ao término da temporada. Mas se não pôde evitar a pequena vantagem do oponente nas estatísticas da ATP, Nole faz uma previsão do que o ibérico pode aguardar em breve: uma concorrência capaz de qualquer prova para recuperar o trono nos mínimos detalhes.

Del Potro esteve muito próximo de se classificar para as semifinais, mas perdeu de virada para Federer

Lista de espera

Desde 2002, Roger Federer sempre esteve presente para disputar o ATP Finals e, em seis oportunidades, conseguiu ser o melhor no torneio. Só que, em 2013, o suíço esperou até os “portões fecharem” para assegurar o bilhete em Londres. Contestado, soube se erguer após a derrota para Djokovic na estreia do grupo e foi empurrado pela torcida londrina nas vitórias contra Richard Gasquet e Juan Martin Del Potro, essa última um verdadeiro drama, com direito a uma virada espetacular, para avançar à semifinal. E mesmo que a campanha tenha parado novamente em Nadal na sequência, o tenista de 32 anos demonstra que, com confiança, é capaz de causar grandes surpresas aos favoritos. E se o Brasil teve dois semifinalistas em Londres, a Suíça não ficou atrás já que o versátil Stanislas Wawrinka desbancou a força de Tomas Berdych e do esgotado David Ferrer na fase de grupos e alcançou a penúltima fase logo em sua campanha de estreia no torneio. Parece que, em 2013, “Stan” deixou de ser um mero coadjuvante de Federer e passou a acreditar mais em seu potencial. Mas os dois suíços terão que acrescentar vários apetrechos nos seus arsenais para aguentarem o ritmo imposto por Nadal e Djokovic, os grandes pilares do circuito atual.

Barclays ATP World Tour Finals 2013 - Resultados

Final de simples: Novak Djokovic (SRB) v. Rafael Nadal (ESP) 6/3 e 6/4
Final de duplas: David Marrero e Fernando Verdasco (ESP) v. Bob Bryan e Mike Bryan (USA) 7/5, 6/7(3) e 10/7

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Artigo publicado nesta revista

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