Bate papo

Menina de ouro

A sensação do Banana Bowl conta os seus planos

Matheus Martins Fontes em 24 de Abril de 2013 às 08:17

Ricardo Rimoli /Poapress

É TÃO COMUM VER GAROTOS conversando, até em voz alta, sem perceber que estão atrapalhando os jogos em andamento. Ou mesmo, quando em ação, olhando para o pai em prantos após uma derrota indigesta. E nas viradas de lado então? A menina jogando a raquete, o moleque na outra quadra brigando com o técnico. Mas nada disso, comum para os padrões do juvenil, parece atingir Luisa Stefani.

Centrada, consciente, parece estar em transe quando vai para o intervalo. Limita-se a tomar água, arrumar o cabelo como toda garota vaidosa e, de repente, segue com o jogo. Dentro de quadra, ela se mantém inatingível. Errou? Tem a próxima bola. Acertou? Vamos vibrar e bola para frente. Na hora da entrevista, ela, pouco intimidada com o gravador, ainda parece se enrolar com o inglês afiado. Mas por que a jovem paulistana se acostumou a ficar sem o corriqueiro português?

HÁ UM ANO E MEIO, a paulistana Luisa mudou-se para os Estados Unidos com a família a partir de uma proposta de emprego do pai. Desde então, ela estuda e treina na Saddlebrook Tennis Academy, em Wesley Chapel, no estado da Flórida. Fundada em 1986 graças ao lendário promotor australiano Harry Hopman, abriga 45 quadras de todos os pisos, além de alojamento, academia de ginástica, treinadores de primeira linha e spa. Nesse período, Luisa teve contato com uma mentalidade bem mais competitiva e o plano arriscado de viver no exterior rendeu frutos que ela jamais se esquecerá. Não é à toa que Victoria Azarenka, John Isner, Samantha Stosur passam dias treinando no local a fim de encarar o circuito profissional. Antes mesmo de Luisa embarcar para a “Copa Gerdau”, em Porto Alegre, onde ficaria também com o título sem perder sets, a Revista TÊNIS conversou com a promissora atleta para conhecer um pouco mais dos segredos de sua nova rotina.

Quando começou o interesse pelo tênis?
Comecei a jogar quando tinha uns 9, 10 anos, na escola, de brincadeira, numa quadra de futsal. O treinador colocava uma redinha e a gente começava a bater bola. Depois, cresci, comecei a levar um pouco mais sério, me apaixonei e decidi continuar.

Nesse período que você está treinando nos Estados Unidos, deu para notar alguma evolução? Em que você melhorou nesse tempo?
Acho que melhorei a agressividade. Antes, não é que só passava bola, mas passava mais, não tinha tanta potência. Daí comecei a crescer, ficar mais forte e acabei tendo mais potência nas bolas. Acho que lá é muito mais competitivo, porque tem muito mais gente. A vontade de ganhar do pessoal é maior, e precisa treinar muito mais para vencer. Os Estados Unidos são uma potência. O pessoal é muito mais focado, tem gente que conheço que precisa do tênis para ganhar dinheiro, para comer.. Então precisa levar a sério mesmo.

Como você casa a rotina de treinamento com o colégio? Há restrições para que deva ir bem na escola para conciliar a rotina com o tênis?
Com certeza. Devemos focar tanto no tênis, quanto nos estudos. Então, devemos balancear. Eu treino de tarde e estudo de manhã. Mas sempre mantenho boas notas, procuro ter um bom desempenho na escola também.

Você tem o sonho de fazer uma faculdade no futuro, de ter uma bolsa ou o tênis é a prioridade para a sua vida?
Tenho vontade de focar no tênis. Vou tentar seguir a carreira profissional, mas tenho em mente também continuar os estudos. Caso não dê certo com o tênis, espero que isso não aconteça [risos], vou estudar. Vou para uma universidade. Gosto de medicina, de lidar com animais e com a natureza, então seria alguma coisa do gênero, mas meu foco principal é o tênis.

Em sua página no Facebook, vemos fotos suas com Isner, a Maria Sharapova. Como é ter contato com essas celebridades do tênis? De certa forma, traz mais motivação para jogar, para treinar?
Com certeza. De vê-los na TV jogando é importante taticamente, mas quando você os vê pessoalmente é muito melhor. Você sente mais na pele como é, como jogar, quando você os encontra dá mais admiração. É muito bom você ver a personalidade do jogador.

Você é muito calma em quadra. Enquanto as outras estão “voando”, xingando, você fica focada até nos intervalos. É próprio seu esse jeito compenetrado, ou você passou a ser assim por causa do tênis? Como é a Luisa fora de quadra?
Sou meio quieta fora de quadra, tímida. Mas, na quadra, principalmente nesse torneio, tentei ficar o máximo de tempo focada, não prestar atenção no que estava acontecendo fora de quadra. É muito importante para eu lidar com a pressão. Quanto mais focada estou, melhor é o meu desempenho. Solto mais o jogo. Prefiro ficar na minha do que ficar olhando para fora da quadra.

“Quanto mais focada estou, melhor é o meu desempenho”

Você foi campeã sem perder um set. Você acha que foi melhor até do que o esperado? Como você avalia a campanha no Banana Bowl?
Foi muito bom, até um pouco surpreendente. Mas eu não conhecia muito as meninas daqui, porque fazia muito tempo que não vinha para cá. Então não tinha como prever muito o que ia acontecer. Meu foco era vir para cá e dar meu melhor.

Pelo que você enfrentou no torneio, acredita que seu nível está bem superior do que o das demais?
Ah, não sei. Acho que joguei um tênis muito bom e acabei anulando o jogo delas...

Qual sua programação de torneios daqui em diante?
Vou jogar mais ITFs, dar duro nesses torneios, principalmente nos Estados Unidos. Porque o nível é bem mais alto e estou no meu segundo ano da categoria 16. Quero tentar os qualis de Futures para pegar mais experiência e seguir o meu caminho.

Depois de vencer Banana e Gerdau sem perder sets. Luisa jogou dois torneios ITF 18 anos, em Barbados e Porto Rico, vencendo 22 partidas seguidas.


Perfil/Entrevista

Artigo publicado nesta revista



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