Opinião premiação

Homens devem ganhar mais que as mulheres

Tênis masculino traz mais retorno aos torneios, patrocinadores e emissoras de televisão

L. Jon Wertheim em 19 de Agosto de 2010 às 13:04

HÁ UMA VELHA história espanhola sobre um homem que tem uma confissão a fazer. Quando não mais consegue sustentar o segredo, ele interpela um amigo numa madrugada e o leva de barco para o meio do lago. Finalmente, certo de que ninguém mais poderia ouvi-lo, se inclina e suspira: "É sobre Franco".
"O que é", retruca o amigo.
O homem se aproxima ainda mais e completa:
"Eu... gosto dele".

Lembro-me dessa história ao pensar na polêmica questão da igualdade nas premiações do tênis profissional. Esse é o tipo de blasfêmia que provavelmente é melhor ser mantida em segredo. Mas - psiu - vou dizer: eu odeio essa situação.

Nem sempre foi assim. Reflexivamente, sempre pareceu certo pagar às mulheres os mesmos valores pagos aos homens. Ouvimos palavras como "igualdade" e "progresso". E quem quer estar do outro lado da rede nessas discussões? Além do mais, o principal argumento contra remunerações iguais - homens jogam melhor de cinco sets e mulheres melhor de três - sempre se caracterizou inconsistente.

Desde quando a duração determina a qualidade? Não é assim, senão pagaríamos mais por jogos com prorrogação, shows com bis e filmes do Robert Altman. Enquanto, por anos, os rabugentos organizadores de Wimbledon, arbitrariamente pagaram às mulheres um pouco menos do que aos homens, não apenas a diferença parecia insignificante, mas todo o orçamento salvo com essa economia foi negativamente compensado pela má publicidade e pela ira causada no vestiário das mulheres, quer dizer, das Ladies.

Não. Eis a razão pela qual as jogadoras devem receber menos do que seus colegas de profissão: pura questão econômica. Isso é: o mercado fala por si, e afirma que os dois produtos (tênis masculino e feminino) simplesmente não têm o mesmo valor. A premiação mais alta oferecida pelos torneios da ATP é de mais de US$ 3 milhões; no caso feminino, a premiação mais alta dada pela WTA é de US$ 2 milhões. A premiação mais baixa dos torneios da ATP é de US$ 355 mil; em eventos femininos é de US$ 220 mil. Os cachês de Roger Federer e Rafael Nadal excedem bastante os das líderes do circuito WTA. Em 2009, respectivamente, os números 1, 10 e 100 do ranking masculino ganharam mais dinheiro que seus equivalentes entre as mulheres. Atualmente, a ATP ostenta melhores contratos televisivos em comparação com a WTA, oferece mais retorno a seus patrocinadores e atrai mais fãs. E também aplica sanções mais onerosas.

Essa verdade inconveniente foi colocada em questão recentemente para a CEO da WTA, Stacy Allaster. Por e-mail, ela respondeu: "Em torneios em que há produção igualitária de homens e mulheres, deve haver premiação igualitária".

"Justiça não é "igual a igualdade"

 

#Q#

Será? Os estúdios de cinema pagam mais a George Clooney do que a seus colegas, mesmo que eles ocupem o mesmo tempo no filme. Quanto a isso, aliás, Allaster recebe certamente um salário diferente de seus subalternos, mesmo que eles trabalhem por longas horas. Justiça não é igual a igualdade.

Allaster prossegue: "Esporte é entretenimento e o tênis feminino oferece o mesmo valor de entretenimento que o tênis masculino". Então por que os eventos ATP e WTA pagam valores tão diferentes aos tenistas? Por que o retorno dos patrocinadores nos dois casos não é o mesmo? Quando os dois circuitos jogam lado a lado é como se houvesse uma fusão entre duas empresas. Só porque elas se uniram não significa que as duas têm o mesmo valor individual. E com Serena e Venus Williams, as duas maiores estrelas do tênis feminino, em seus últimos anos de carreira, o abismo entre os dois circuitos tende a aumentar.

Em particular, os jogadores da ATP reclamam dessa igualdade. Quando um top 10 é questionado em público sobre isso, ele diz, rindo: "não quero passar nem perto desse assunto." Essa postura ecoa a visão de muitos promotores, que preferem gastar alguns dólares a mais a serem tidos como sexistas. Nada disso implica, porém, na diminuição do tênis feminino. Ele permanece um esporte vibrante e dramático, recheado de esportistas de elite e personagens de grande apelo. Tênis tende a ser cíclico e talvez, no futuro, a WTA seja uma marca superior à ATP. Mas não é o caso agora. E, na verdade, pedir a um homem para subsidiar uma mulher tem, comprovadamente, mais valor no mercado? Não é muito justo.
L. Jon Wherteim é escritor da Sports Illustrated

From Tennis Magazine. Copyright 2010 by Miller Sports Group LLC. Distributed by Tribune Services

 

 


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