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Revista Tênis  
 

Chega de malandragem
Como você quer ficar conhecido no circuito? Que tipo de relacionamento pretende plantar no meio tenístico? O tênis sempre foi um esporte de cavalheiros, então, porte-se como um

Por Carlos Omaki


Ron C. Angle/TPL

Para você que já é um competidor, ou mesmo para os que ainda estão iniciando uma carreira, algumas reflexões são muito importantes e podem determinar mudanças ou reforçar conceitos sobre o tênis. Embora ele seja um esporte com muitos adeptos, o grupo a que você pertence é pequeno, restrito e, certamente, o acompanhará por muito tempo. Diante disso, surge a questão: "Como você quer ficar conhecido no circuito (ou clube, academia etc) e que tipos de relacionamentos pretende plantar?". O tênis é um esporte de cavalheiros e, por isso mesmo, suas regras são extremamente passíveis de transgressão. Assim, podem ser facilmente utilizadas como uma forma desonesta de se vencer pontos e até partidas. Imagine que você esteja jogando contra um espertalhão que responde atacando todos os seus saques. Quando você erra um primeiro serviço e ele acerta uma boa devolução, faz de conta que não viu que a bola foi fora e pede o ponto a seu favor. E, infelizmente, assim o terá.

Evite más influências
Esta seria apenas uma das "malandragens" que faz alguns jogadores vencerem pontos que não merecem. Esse tipo de adversário é mais conhecido como "garfador" e é muito mal visto por jogadores, árbitros, técnicos etc. É bem verdade que, por trás dos "espertinhos", tem sempre a influência de uma "escola" ou um técnico, que provavelmente também não são bem vistos no meio. Esses figurões certamente não têm boa reputação e normalmente não duram muito tempo no circuito.

Algumas vezes, os responsáveis por tais atos são os pais que, ao descobrirem tais fragilidades no sistema, acham que essas são as melhores maneiras de se defender contra transgressores, tornando-se um deles. Mas, um aviso: ficar conhecido como "malandro" tornará sua vida muito mais difícil no futuro.

Exemplo e lição
Durante uma partida da Federação Paulista, vimos uma atleta que vencia por 6/2 e 1/0, quando a adversária espertinha cantou "5/4" após a virada. Claro que não houve acordo e o árbitro foi chamado. Você sabe como funciona a regra em caso de dúvidas na contagem?

O árbitro tentará conseguir um consenso e fazer com que os jogadores relembrem os pontos jogados, ordem dos games vencidos etc. E, não conseguindo o entendimento entre as partes, fará voltar o jogo até o momento em que os dois concordem na contagem mais avançada. Isso mesmo! Injusto! Mas não há outro jeito.

No caso citado, a espertinha sabia que o primeiro set esteve 2/1 a seu favor. A atleta que estava ganhando, obviamente, concordou, mas sabia que não havia perdido mais nenhum game na primeira parcial. Resultado: o árbitro, sem ter o que fazer, seguiu a regra e orientou que elas reiniciassem a partida a partir do ponto em que elas concordavam. O jogo voltou a partir do primeiro set e o autocontrole da atleta prejudicada já havia ido para o espaço. Foi uma dura lição. Para aqueles que pensaram: "Nossa, que boa idéia!", esqueça! Tal conduta não vale a pena. Qual o caminho a seguir? Qual a melhor linha de raciocínio? É exatamente esse ponto que discutiremos aqui.

Adversário sim, inimigo nunca!
Se você ouve de pessoas importantes na sua vida frases como: "Se ele roubar, roube também!"; "Na hora importante, bola na linha é fora!"; ou outras coisas do gênero, desculpe, mas seu conselheiro nunca viveu o tênis de alto nível e não está preparado para ajudá-lo a chegar lá. Alguma vez você ouviu seu pai dizer: "Roubaram o meu carro e vou sair para roubar outro"?

Então, no que diz respeito ao caráter, é a mesma coisa. Roubar um centavo ou um milhão é o mesmo gesto. Por isso, não importa quando ou contra quem, bola na linha é boa. Ponto do oponente. Siga em frente e lembre-se, bola boa é sempre boa.

Fotos: Ron C. Angle/TPL
A "tática da toalhinha" já está manjada!

Respeite para ser respeitado
Saiba que algumas atitudes o transformam, involuntariamente, em um "malandro", e isso certamente não vale a pena. Algumas "manhas" já viraram senso comum entre os jogadores, principalmente no tênis competitivo. Utilizá-las não quer dizer que você é mais esperto e experiente que o adversário, mas, sim, que está usando de artifícios nada legais e que mostram até certa falta de confiança em seu próprio jogo.

Abaixo, apontamos algumas atitudes comuns em jogos competitivos. Se você está acostumado a fazer esse tipo de coisa, aconselhamos a deixar estas artimanhas de lado. Agora, se você costuma sofrer com adversários que tomam essas atitudes, preste atenção aos antídotos para não ser prejudicado.

Casos:
Toalhinha
Com exceção das competições por equipes, se você se inscreveu em um torneio, deve saber que, durante a partida, você fica incomunicável. Ou seja, ninguém deve falar, ajudar ou dar dicas durante os jogos; nada além de aplaudi-lo e incentivá- lo.

Atitudes como levar sua toalhinha e colocar na grade em frente ao seu treinador, professor, acompanhante, ou amigo, é algo "manjado", só você não sabia. Na verdade, na maioria das vezes, embora ofendidos com o desrespeito, o técnico, pai ou acompanhante do adversário tentarão ignorar sua má atitude, pois se seu "conselheiro" tem essa cara de pau, as instruções provavelmente não farão tanta diferença a seu favor.

Antídoto
Esteja atento ao entrar em quadra! Caso algum "tagarela" fora dela não consiga ficar de bico fechado, você, jogador, deve chamar o árbitro e pedir para que ele tome uma providência. Os pais, por mais que fiquem irritados (com razão) com o desrespeito, não devem tomar atitudes ou se dirigir ao intruso durante a partida. Chamem um árbitro e peçam ajuda.

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