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Aprenda a jogar na grama... Isso mesmo, na grama!
Inspirada em Wimbledon, a Revista TÊNIS foi atrás de uma quadra de grama no Brasil e traz algumas dicas e experiências vividas nesta rara superfície

Por José Eduardo Aguiar


Fotos: Arnaldo Grizzo

Em junho, acontece o mais tradicional de todos os torneios no mundo do tênis. Wimbledon ainda mantêm vivas alguns dos mesmos costumes de mais de 100 anos atrás. Roupas brancas, reverências à família real na quadra central, intervalo no primeiro domingo. Enfim, características mantidas à risca para manter o "charme" deste Grand Slam jogado nas quadras do lendário All England Club, em Londres.

Sendo assim, inspirados em Wimbledon, resolvemos mostrar como se joga em quadra de grama. Alguns grandes nomes da história do tênis certamente rasgariam estas páginas antes mesmo de chegar a esta parte do texto, talvez por orgulho, talvez por más lembranças.

Fotos: Arnaldo Grizzo
Nossa equipe sofreu para se adaptar ao piso

Amor e ódio

A grama inglesa, tradicional, valiosa, bem cuidada, sempre gerou sentimentos de amor e ódio nos tenistas profissionais. Lendas do esporte já reinaram e juraram amor eterno ao solo inglês. Bjorn Borg, Pete Sampras e atualmente Roger Federer fizeram da grama inglesa o seu palco principal.

Mas, enquanto eles se alegravam com a chegada de junho, outros grandes nomes do tênis mundial sentiam (e sentem) calafrios rumo à capital inglesa. O mais crítico de todos, e possivelmente o precursor de futuras reclamações, foi Ivan Lendl. Embora tenha chegado a duas finais em Wimbledon, o tcheco chegou a afirmar que "a grama é um pasto, lugar para as vacas".

Entre os insatisfeitos estava o brasileiro Gustavo Kuerten, que, além de não se adaptar ao estilo de se jogar na grama, conflitava com a organização inglesa pelo critério de escolha dos cabeças-de-chave (que não acompanha o ranking da ATP).

Por isso, alguns tenistas boicotaram o torneio, como o chileno Marcelo Rios - que dizia que grama era para vacas e futebol -, os espanhóis Carlos Moyá e Alex Corretja, entre outros.

Porém, se Guga relutava em viajar à Londres, outra brasileira fez fama na grama inglesa. Maria Esther Bueno se sentia em casa em Wimbledon. Foram três títulos de simples - o primeiro há exatos 50 anos -, cinco de duplas e um de duplas mistas. O reconhecimento pelos seus feitos é enorme na Inglaterra e a brasileira será homenageada pelas cinco décadas de sua conquista na edição deste ano.

Fotos: Arnaldo Grizzo
Em sousas, a quadra mostrou-se muito bem cuidada, apesar de algumas falhas naturais da grama
Fotos: Arnaldo Grizzo

O país do futebol, sem quadras de grama

Pentacampeão mundial, pátria mãe de alguns dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos, o Brasil teve justamente na grama suas maiores alegrias na história do esporte. porém, em uma grama mais alta, em um campo mais extenso. em uma contradição curiosa, mas fácil de ser explicada, o Brasil nunca teve (exceção óbvia de Maria esther) resultados de expressão nas quadras de grama.

A explicação não nos leva a questões técnicas. não precisamos nem entrar na discussão da falta de investimentos na base do tênis brasileiro, falta de incentivo, de estrutura. para explicar a falta de resultados na grama, basta usar a boa e velha matemática. Há pouquíssimas quadras de grama no país. tem-se notícia de algumas em um condomínio em angra dos Reis, e em outras propriedades particulares - obviamente nenhuma muito divulgada. tanto que nossa equipe sofreu para encontrar uma.

Epopeia para encontrar uma quadra

Pauta bem bolada, ideia na cabeça. "Vamos dar dicas de como se jogar em uma quadra de grama!". porém, quem de nós já havia jogado nesta superfície? assim como a maioria de vocês, leitores, nós também não havíamos tido essa oportunidade.

Equipe reunida, telefones em mãos, mecanismos de buscas na internet abertos no computador. a tarefa foi árdua, mas conseguimos achar uma quadra. o local? a pequena cidade de sousas, nas proximidades de Campinas, interior de são paulo. saímos da redação, na capital paulista, logo cedo. pelos mapas, parecia que a viagem seria curta. Bastava chegar à cidade, pegar um atalho de 15 quilômetros, e logo estaríamos jogando como "verdadeiros" sampras e Federers na grama. equipe abastecida (águas, energéticos, barras de cereais), a surpresa: o tal atalho era uma estradinha de terra, empoeirada devido à bela semana sem chuvas. porém, nada que nos impedisse.

O local da relíquia (assim mesmo pode ser chamada esta quadra) é um sítio em um condomínio fechado, afastado da cidade. Muito bem cuidada, por sinal. em meio a um trecho de Mata atlântica, tombado pelo iBaMa, nossa quadra estava lá, intacta, nos esperando.

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