Na década de 1960, a Austrália era provavelmente a grande potência do tênis mundial. Seu time na Copa Davis, campeão de 1959 a 1968, teve nomes como Neale Fraser (tido como uma dos maiores sacadores de todos os tempos), Rod Laver (que ganhou o Grand Slam duas vezes, em 62 e 69), John Newcombe (o segundo a liderar o ranking da ATP depois de sua criação em 1973), Fred Stolle (mais um gigante sacador australiano), Tony Roche (aquele mesmo que treinou Federer durante um tempo) e Roy Emerson.
"Emmo", como era conhecido, teve longa carreira no tênis, e chegou a competir já com mais de 40 anos, em meados da década de 1970 - seguindo os passos de outro compatriota fenomenal, Ken Rosewall. Seu auge, porém, foram os anos 60, quando venceu 28 Grand Slams (12 em simples) e oito Davis. Em 1967, aos 31 anos, Emerson (cuja lenda diz que sua habilidade para o tênis veio de tanto ordenhar as vacas da fazenda de seu pai em Queensland) ganhou seus dois últimos Majors em simples. Ele suplantou, assim, o recorde do lendário Bill Tilden, que - entre 1920 e 1930 - tinha vencido 10. Na época, ainda antes da Era Aberta, ninguém deu muita bola para o feito.
Trinta e três anos depois, contudo, um norte-americano, aos 28 anos, ousou reescrever os livros de história ao vencer Wimbledon pela sétima vez e alcançar a marca de 13 Grand Slams na carreira. Antes dele, apenas gênios como Rod Laver (que ficou impedido de jogar os Majors durante sete anos por ter se tornado profissional) e Bjorn Borg (que deixou o esporte cedo, ainda aos 26 anos) chegaram perto de tal marca, com 11 títulos nos quatro torneios mais importantes do mundo. Em 2002, já aos 31 anos, desacreditado, Sampras foi além e venceu o US Open para finalizar a carreira com 14 Majors.
Lá veio Roger
No ano seguinte, Sampras se aposentou. No palco de seu último título (a quadra central de Flushing Meadows), o norte-americano dava adeus ao tênis e seguramente estava garantido como um dos maiores de todos os tempos. No entanto, nem ele (nem ninguém), podia imaginar que um jovem suíço de 22 anos - que naquele ano havia vencido seu primeiro Grand Slam, em Wimbledon - poderia igualar ou suplantar seu recorde em apenas sete anos.
Tanto que, no US Open de 2003, quando o norte-americano oficializou sua aposentadoria, Roger Federer sequer passou das oitavas, perdendo para David Nalbandian. Mas, em janeiro do ano seguinte, um novo reinado começaria no tênis. Durante os quatro anos seguintes, o mundo se rendeu ao talento do suíço. Em 16 Grand Slams, ele esteve na final de 13, vencendo 11. Quando 2008 começou, o recorde de Sampras estava por um fio.
O fator saibro e o fator Nadal
Tamanho foi o domínio de Federer que todos começaram a questionar se o que estavam vendo era ou não o maior tenista de todos os tempos. Perto de Laver, Borg e Sampras, o suíço certamente já estava, mas, ele os superava? Para muitos, o que faltava ao gênio da Basileia era um Major no saibro.
A tarefa não parecia das mais complicadas para tamanho talento, mas, em 2004, ele parou na terceira rodada do Aberto da França, quando perdeu para Gustavo Kuerten, por triplo 6/4, numa aula de como se jogar no saibro. Foi a última boa campanha de Guga em Roland Garros e, como os especialistas diriam nos anos seguintes, a última boa oportunidade de Federer vencer o Grand Slam.
Em 2005, o suíço era novamente favorito no saibro francês, mas não contava com o surgimento de um garoto espanhol que não respeitava sua "aura de tenista imbatível" e que o derrotaria nas semifinais. Nos anos seguintes, Rafael Nadal se instituiu como o grande calcanhar de Aquiles de Federer, que perderia as finais de Roland Garros dos anos seguintes para o "Touro" canhoto.
De volta ao começo de 2008, apesar de o Aberto francês estar se tornando um sonho cada vez mais distante para o suíço, a marca de 14 Grand Slams de Sampras estava mais e mais próxima de cair. Se Federer mantivesse o ritmo (no mínimo dois Majors ao ano), ele igualaria ou passaria o norte-americano na temporada.
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