Vistas da Terra, as estrelas brilham longe. O poeta dizia até que "as estrelas não sabem que brilham distantes de nós". No entanto, imagine o prazer de poder observar uma estrela ainda em formação, bem do seu lado. Ela ainda não tem tanto brilho e não está em um ambiente tão charmoso como as constelações, mas, mesmo assim, ela decola, alça voo e ganha corpo até atingir um lugar no espaço onde qualquer pessoa, de qualquer parte do mundo, vai poder a observar e admirar.
Quem a viu em formação sempre terá um sentimento peculiar, uma satisfação, um carinho muito diferente daqueles que só a conheceram observando sua beleza no céu, anos luz de distância. No circuito de tênis, antes de decolar, muitas estrelas esquentam seus motores e mostram seu potencial nas maiores competições juvenis do mundo e o Brasil é o palco de duas delas: o Banana Bowl e a Copa Gerdau.
 |
Leciane Siva |
O Banana Bowl foi criado em 1969 pelo visionário e pioneiro Alcides Procópio. Um dos grandes nomes do desenvolvimento do tênis brasileiro na área empresarial e na organização do esporte, Procópio criou o torneio à imagem do Orange Bowl, disputado nos Estados Unidos. Ele queria ver, no Brasil, uma competição juvenil com a mesma importância e representatividade da norte-americana. E conseguiu.
O torneio é uma das principais vitrines de talentos. Entre os brasileiros, por exemplo, alguns campeões são Gustavo Kuerten (16 anos), Jaime Oncins (16 anos) e Fernando Meligeni, que foi campeão dos 18 jogando pela Argentina. Entre os estrangeiros, a lista traz nomes como o dos norte-americanos John McEnroe, campeão dos 18 anos em 1977, e Andy Roddick, campeão em 2000. Os dois lideraram o ranking profissional posteriormente.
Há 26 anos, o Banana tem um grande companheiro que torna o Brasil um dos centros do tênis juvenil mundial no começo do ano. A Copa Gerdau, realizada em Porto Alegre, na Associação Leopoldina Juvenil, também tem uma lista de participantes que fizeram sucesso como profissionais, como a musa sérvia Ana Ivanovic, que pôde ser vista pelos espectadores que assistiram a edição de 2002.
A atual campeã de Roland Garros lembra com carinho dos torneios disputados no Brasil: "Foi provavelmente a melhor viagem da minha carreira. Tive dias maravilhosos na América do Sul. Visitamos muitos lugares e conhecemos pessoas interessantes. Os torneios foram bons, e eu adorei a cultura. As pessoas são mais tranquilas e amigáveis, gostei muito disso. Adoraria voltar ao Brasil se um dia tiver a chance".
BRASILEIROS EM AÇÃO
Na 39ª edição do Banana Bowl, o Brasil teve um desempenho fraco e não havia sequer um representante do País na final de nenhuma das seis categorias disputadas (14, 16 e 18 anos masculino e feminino). Com isso, continuou o jejum nos 18 anos, quando a última campeã foi Roberta Burzagli, em 1991. A chave dos 18 anos, principal categoria juvenil, foi disputada no Lagoa Iate Clube, em Florianópolis, enquanto as outras categorias aconteceram no Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo.
Na Copa Gerdau, o desempenho brasileiro foi melhor e o grande destaque foi o bicampeonato de José Pereira nos 18 anos. A jovem promessa já havia conquistado o título da categoria em 2008 e repetiu o feito. Leciane Silva, campeã dos 14 anos, também chamou a atenção.
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>