Há quatro anos, a Revista TÊNIS entrevistou Emilio Sánchez quando veio ao Brasil para jogar uma exibição e dar palestras. Na ocasião, ele contou muito sobre sua vida como tenista e técnico. Seu vasto conhecimento do mundo do tênis já ficou notório naquela conversa. Agora, anos depois, o espanhol, vencedor de cinco Grand Slams em dupla, treinador de diversos grandes tenistas (entre eles sua própria irmã caçula, Arantxa Sánchez, que foi número um do mundo), volta ao Brasil na condição de Coordenador do Tênis Brasileiro.
A Confederação Brasileira de Tênis (CBT) o contratou para assessorar os seus próximos passos no que ela almeja que seja uma grande transformação do tênis nacional. A equipe de Sánchez enviou um projeto à entidade brasileira e, a princípio, passará os primeiros meses estudando a viabilidade do que pode ser feito e a maneira de implementar. Espera-se que em abril a estrutura do trabalho que será feito esteja delineada e as ações comecem.
Qual a ideia? "Buscar alto nível em todas as esferas da CBT, desde o infantil até o profissional", explica o espanhol, que mal foi empossado durante o primeiro dia do Brasil Open e já começou a conversar com jogadores e técnicos brasileiros para entender como o nosso tênis funciona. Como deve ser o trabalho de Sánchez? Ele explica nesta entrevista.
Como está sendo a recepção por parte dos jogadores e técnicos?
A recepção é boa e há um pouco de expectativa para ver o que faço e não faço.
Mas, as pessoas respeitam minha pessoa, minha trajetória. O importante é ver como está a situação, depois apresentar um plano e começar a fazer coisas.
Você fez um trabalho assim na China, não?
Sim, mas não com tanta profundidade. Apresentamos um projeto cinco anos antes da Olimpíada de Pequim. Estávamos assessorando, mas não se terminou de concretizar muitas coisas. A Federação Chinesa pretendia seguir com o projeto e terminar.
É um projeto de várias fases e, em qualquer uma delas, ele pode parar. O mais importante aqui é unir o tênis e que a CBT seja mais forte.

"Na Espanha, temos a sorte de que os clubes são os que produzem os jogadores. Os clubes têm suas escolas e sua competição. São mais de 100 com suas próprias escolas. A Federação Espanhola, neste caso, está tranquila. Porque eles produzem por sua conta, sem ajuda, sem nada." |
" Minha concepção de desenvolvimento do jogador é de alta performance e, para isso, tem que jogar atrás, no ataque e definir, em todas as zonas. Com essa premissa, todos os sistemas que uso tem que ser para desenvolver o jogador o máximo possível. "
Não é mais fácil desenvolver esse tipo de projeto num país de Primeiro Mundo como a Espanha, por exemplo?
Acho que a Espanha tem suas vantagens, por sua situação, tradição, seu tamanho.
No Brasil, cada estado é como se fosse uma pequena Espanha. Não tem como comparar. Mas temos o exemplo da Argentina, que é um país pequeno e que tem muita produção de jogadores. E está tão longe do Primeiro Mundo quanto o Brasil e funciona. Trata-se então de ir fazendo coisas para mudar essa dinâmica que há no tênis daqui. Com trabalho, no fim vai ter resultados.
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