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Revista Tênis  
 

Ainda somos os mesmos!
O US Open 2008 serviu para Serena Williams e Roger Federer anunciarem ao mundo que ainda estão na briga

Por Arnaldo Grizzo


fotos: Ron C. Angle e Josh Merwin © RCA Production
Serena Williams

A Revista TÊNIS esteve em Nova York para acompanhar de perto o US Open 2008 e ficou de olho nos fatos e curiosidades que ocorreram durante o evento. Além das vitórias de Serena Williams, que lhe alçou ao topo do ranking, e de Roger Federer, que lhe deixou a um Major do recorde de Pete Sampras, nossas anotações contarão um pouco sobre outros momentos marcantes e inusitados do último Grand Slam do ano.

5 anos, número um de novo
Ninguém duvida da capacidade de Serena Williams. Apesar de "rechonchudinha", a mulher já venceu os quatro Grand Slams na carreira e possui uma força descomunal. E, no US Open, ela e a irmã, Venus, sempre são favoritas. Em 2008, Serena voltou a mostrar o tênis devastador da época em que era número um. Arrasou as adversárias sem piedade. Só sua irmã e Jankovic lhe deram algum trabalho. Por fim, foi recompensada com o terceiro título em Nova York e o topo do ranking, posição que ela não atingia desde 2003. Estes cinco anos de intervalo entre sua retomada da liderança é o maior na história do esporte. Aos 26 anos, ela considera isso um recomeço: "Sinto como se tivesse uma nova carreira, como se fosse jovem e me sinto energizada para jogar a cada semana. Sinto como se houvesse muitas coisas que ainda posso fazer na carreira e nunca senti que tivesse jogado meu melhor tênis." E, se - o que muitos consideram - sobrepeso não atrapalhou, a norte-americana comemorou comendo um cachorro-quente na Times Square. Cuidado com os condimentos, Serena...

Roger Federer

You're still the one
Desacreditado. Foi assim que Roger Federer chegou ao US Open após perder o número um para Rafael Nadal. Desde os primeiros dias os jornalistas buscavam argumentos para comprovar a decadência do suíço. No entanto, quem o acompanhou treinando em Nova York percebeu que ele estava "mordido" e sabia que esta era sua última chance de "salvar" a temporada. No decorrer das partidas, sua confiança parecia voltar e sua mística também ressurgia. Mesmo sem o uniforme preto do ano passado, o tema de Darth Vader (vilão do filme Guerra nas Estrelas) tornou a ecoar no Arthur Ashe Stadium após seus jogos. O DJ foi além e tocou "You're still the one". Enquanto isso, Federer mostrava uma nova faceta em quadra, comemorando efusivamente pontos e especialmente as vitórias. "Emocionalmente estava mais vivo do que nunca", garantiu o suíço, que completou: "Em alguns momentos, senti como se fosse invencível de novo." Após despachar Murray na final, o suíço admitiu: "Perder hoje, tendo três finais e uma semi de Grand Slam, teria sido frustrante. Estar tão perto, mas tão longe, você sente como se tivesse perdido o ano todo, pois semifinais e finais não me ajudam muito mais na carreira. Tudo agora se resume às vitórias, por isso é tão grande. Isso é pesado, realmente, e estou muito, muito feliz com essa conquista. Posso seguir o restante da temporada mais relaxado e aguardar ansioso o próximo ano". Federer se tornou o primeiro na história a possuir cinco títulos consecutivos em Wimbledon e no US Open. Com 13 Grand Slams em simples, ele volta a sonhar em bater o recorde de Pete Sampras (com 14) na próxima temporada.

fotos: Ron C. Angle e Josh Merwin © RCA Production
Jelena Jankovic

Só sorrisos
Em quadra e fora dela, Jelena Jankovic vive exibindo seu lindo sorriso, que virou sua marca registrada, assim como seu estilo de jogo defensivo e de extrema correria. Quem não ri são as adversárias, que perdem a paciência de ver tantas bolas voltando para o seu lado da quadra. Os constantes sorrisos da sérvia levaram à questão: "Não são forçados?" Ela retrucou: "É importante ser você mesma e se divertir lá fora. Nossa vida não é fácil, viajar pelo mundo, ficar longe de seu país, da sua família, das pessoas que você ama, seus amigos, é duro. Temos muita pressão, damos duro, mas também somos seres humanos. Pelo menos, tento me divertir, rir". Mas ela ri tanto porque está perto do número um? "Já estava rindo quando era 1000, mas talvez esteja rindo um pouco mais agora que sou número 1 ou 2". E o bom humor de Jankovic continuou mesmo após perder a final. Despachada, perguntou quanto era o prêmio para a vice-campeã. Na coletiva, vendo alguns jornalistas chegarem atrasados, questionou: "Já me sinto péssima por perder, querem me deixar pior tendo que esperar por vocês?" No fim, sempre brincando, concluiu: "Vou colocar meu salto alto e fazer compras para esquecer a derrota".

Andy Murray

Garoto Prozac
Há algum tempo, Andy Murray se tornou a esperança britânica. Os ingleses, criadores do tênis, depositam neste escocês as chances de voltar a ter um grande campeão. E o menino parece que vai cumprir com as expectativas. Depois de vencer o Masters Series de Cincinnati, ele chegou cheio de moral ao US Open. A cada vitória em Nova York, o entusiasmo crescia. Mas, estranhamente, a imprensa britânica não parecia muito motivada para ouvir o que Murray tinha a dizer nas coletivas. Toda vez que anunciavam o nome do escocês na sala de entrevistas, os jornalistas levantavam calmamente e alguns soltavam no ar: "The Prozac guy (O garoto Prozac)", em referência ao famoso antidepressivo. E não era para menos, toda a energia, gana, eletricidade, que o britânico demonstra para jogar, some quando fala com a mídia. Suas coletivas são monótonas e sonolentas, o oposto de seu jogo, extremamente variado e completo. Vai entender...


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