A alta competitividade faz com a melhora no desempenho seja uma meta. Muitos buscam os suplementos nutricionais e/ou ergogênicos nutricionais como estratégia para superar seus adversários. Conseqüentemente, grande número de suplementos é comercializado com a promessa de melhora na performance. No entanto, em muitos casos, falta comprovação científica da real eficácia dessas substâncias. Sendo assim, o uso de suplementos é justificável em três situações:
1. Atletas com alta demanda de energia, ou seja, casos em que a carga de treinamento é tão alta que a alimentação não é suficiente para repor energia e nutrientes.
2. Tenistas com alguma falha na alimentação, como, por exemplo, baixo consumo de carboidratos na refeição antes do jogo, o que pode prejudicar o desempenho atlético.
3. Curto intervalo de tempo entre os jogos e treinos.
Portanto, este artigo tem como objetivo orientar tenistas, pais e professores sobre os principais suplementos nutricionais utilizados atualmente.
Suplementos vitamínicos e/ou minerais
Apresentam apenas vitaminas e/ou minerais isolados ou combinados entre si, desde que não ultrapassem 100% da Ingestão Diária Recomendada (RDI). Dosagens acima disso são consideradas medicamentos e devem ser consumidas apenas sob prescrição médica. As vitaminas e minerais atuam como reguladores das reações metabólicas e muitas, como as do complexo B, exercem papel fundamental na produção de energia.
Para jogadores com rotina de treinamento intenso, sugere-se um consumo adicional de vitamina C e E para melhorar a resposta imunológica e aprimorar a ação antioxidante. Esta atitude é controversa, pois se baseia em um baixo grau de evidência científica.
Em geral, a suplementação de zinco, cálcio, ferro não melhora a performance. Quando o efeito da suplementação é significativo, pode ser sinal de déficit de consumo do mineral. Alguns estudos demonstram que a deficiência de vitaminas e minerais pode prejudicar o desempenho, porém o uso de suplementos em indivíduos com dieta balanceada em vitaminas e minerais não demonstra efeitos adicionais na melhora da performance. Os atletas possuem o hábito de fazer o uso de vitaminas 50 a 100 vezes maiores que as recomendações, entretanto os malefícios e benefícios no organismo ainda não são totalmente conhecidos.
Repositores energéticos
São produtos que devem conter, no mínimo, 90% de carboidrato em sua composição, podendo ter vitaminas e minerais. Na literatura científica já está bem documentado a necessidade de suplementação de carboidratos em jogos e treinos intensos e de longa duração (1 hora ou mais) ou, até mesmo, em partidas e treinamentos de curta duração, mas altíssima intensidade. Quanto maior a intensidade do exercício, maior a participação dos carboidratos como fonte de energia. Sabe-se que a redução dos estoques de carboidrato do organismo (glicogênio muscular e hepático) pode resultar em fadiga. Portanto, sua ingestão na quadra melhora o desempenho, retardando o cansaço.
O consumo de 30 a 60 g para cada hora de exercício é o suficiente para evitar a hipoglicemia e retardar a fadiga. Recomenda- se o uso de uma mistura de glicose, frutose e sacarose. O uso isolado de frutose pode ocasionar distúrbios gastrointestinais. Esses produtos são encontrados na forma líquida, pó, gel ou barra. Exemplos: maltodextrina®, Carb up®, Gu®, Power gel®, Power bar®, entre outros. As bebidas devem conter de 6 a 8% de carboidrato. Bebidas com maior concentração podem causar lentidão na absorção.
Logo após o jogo também se deve ingerir carboidrato para repor os estoques de glicogênio e garantir uma melhor recuperação. Esse consumo (reposição) pode ser tanto por meio da suplementação como pelo consumo de alimentos. Mas, se o tenista tiver dois jogos com intervalo inferior a uma hora, é preferível o uso dos suplementos, que estão prontos para ser absorvidos.
Recomenda-se o consumo de 0,7 a 1,5g de carboidrato por quilo de peso. Exemplo: um tenista com 60kg, deve ingerir, no mínimo, 42 gramas (0,7 x 60 = 42g) de carboidrato após o exercício, ou seja, uma unidade de gel (25 gramas) mais duas colheres de sopa de carboidrato em pó diluídas em 350 ml de água (20 gramas).
Suplementos protéicos
São produtos que apresentam predominância de proteínas (no mínimo 50%) em sua composição. Podem conter carboidratos e gorduras, desde que o somatório energético destes não ultrapasse o de proteínas. Também podem ter vitaminas e minerais.
A popularidade dos suplementos nutricionais à base de proteína, com a promessa de ganho de massa muscular, aumentou nos últimos anos e seu uso é freqüente pelos tenistas. Muitos não acreditam que apenas com o treinamento e alimentação adequada podem desenvolver a musculatura necessária. Aqueles que não desejam comprometer a saúde com drogas dedicam-se à ingestão de suplementos nutricionais protéicos, pois consideram esta suplementação alimentar sem efeitos nocivos para o organismo. Engano! O excesso de proteína, a longo prazo, está relacionado ao desenvolvimento de osteoporose, doenças renais, câncer e desidratação.
Muitos acreditam que quanto maior o consumo de proteínas, maior será o ganho de massa muscular. Infelizmente, não é assim que funciona. Ao contrário do carboidrato que possui reserva no organismo, o excesso de proteína não é estocado. Essa quantidade a mais será usada como fonte de energia ou transformada em gordura e, posteriormente, armazenada no tecido adiposo. Além disso, o sistema renal é exigido além de suas necessidades rotineiras para metabolizar todo esse aporte protéico, podendo resultar em doenças crônicas.
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