Quem acompanha o tênis juvenil ouve falar do argentino Juan Martin del Potro desde 2002, quando ele tinha 14 anos e venceu a Copa Gerdau em Porto Alegre. O menino, já alto para a idade, ainda venceria o Orange Bowl no fim do ano também. Ali, muitos prognosticavam que ele se tornaria um grande nome do tênis. Seis anos depois, o garoto mostrou que as previsões tendem a se confirmar. Sempre cercado de grande expectativa, ainda mais pela mídia argentina cada vez mais eufórica com seus prodigiosos tenistas dos últimos anos, o garoto evoluiu e, com 18 anos, já era top 100. Logo passou a ser apontado como um provável número um. Na temporada seguinte, em 2007, já terminou entre os 50 primeiros. No início deste ano, contudo, uma lesão nas costas (na terceira vértebra lombar) parecia que seguraria seu crescimento.
Afastado por dois meses, del Potro começou a trabalhar com Franco Davin, top 30 na década de 90 e ex-treinador de Gaston Gaudio. Em maio, na primeira rodada do Masters Series de Roma, novo problema nas costas o tirou da tumultuada partida contra Andy Murray. Adversários desde os tempos de juvenil, o britânico discutiu com o argentino que teria falado algo sobre sua mãe. O clima ficou tenso. Dias depois, em Roland Garros, “Delpo”, “Palito” ou “Potrillo” – como tem sido carinhosamente chamado – já estava recuperado da lesão e, ao que tudo indica, pronto para os títulos.
Em julho começou uma incrível seqüência de quatro conquistas, duas no saibro, em Stuttgart e Kitzbuhel, e duas em quadra dura, Los Angeles e Washington. Foram 19 vitórias e apenas dois sets perdidos pelo caminho. Eram os primeiros títulos de ATP do jovem de Tandil – cidade da província de Buenos Aires, onde também nasceram Juan Monaco, Diego Junqueira, Maximo Gonzalez e Mariano Zabaleta. Nunca antes um tenista havia conseguido série parecida após seu primeiro troféu. Juan Martin del Potro também igualou o feito de outros 11 adolescentes ao vencer tantos torneios no mesmo ano. Melhor ainda saber que 10 deles futuramente se tornaram número um do mundo.
O argentino chegou ao US Open como 17º cabeça-de-chave e venceu mais quatro partidas (Guillermo Cañas, Thomaz Bellucci, Gilles Simon e Kei Nishikori) antes de reencontrar Murray nas quartas. Delpo, visivelmente cansado devido à extenuante seqüência de jogos, novamente perdeu, mas não sem lutar por mais de quatro horas. Logo o garoto apareceu para a coletiva. Com olhos marejados, respondeu as poucas perguntas em inglês e, em seguida, como de praxe, uma roda de jornalistas argentinos se formou ao redor do mais novo ídolo do país. O jovem, porém, desabou em lágrimas após três perguntas dos compatriotas. Seu resultado foi incrível, mas, internamente, ele queria mais e sabia que podia ter ido ainda melhor. No fim, os jornalistas o consolaram, pois sabem que del Potro tem muito ainda para dar. Nesta entrevista, realizada pouco antes do US Open, por Eduardo Puppo, diretor editorial da revista argentina Solo Tenis, você descobrirá o que pensa o jovem que tem tudo para ser o primeiro argentino número um da história.
Você começou o ano com algumas mudanças, de treinador, corte de cabelo…
Sim, queria fazer algo radical, mudar o rumo de alguma maneira. Mudei de cabelo comprido para curto porque sempre é bom renovar a imagem. Te dá mais vontade, ao menos foi como senti: ano novo, novo penteado... Mas, a princípio, não foi muito bem porque me lesionei duas vezes. Tinha feito uma pré-temporada muito boa e esses problemas atrapalharam tudo. Só pensava em voltar a jogar o quanto antes e não sentir dor. Por sorte isso se reverteu. Em junho já me senti bem e com a ajuda de Franco (Davin) rearranjei minha carreira em um momento que parecia muito complicado.
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