O dia 17 de junho de 2008 tem tudo para ser lembrado como um dos mais importantes para a história do tênis no Brasil. Ao menos é nisso que a maioria dos envolvidos com o esporte acredita. E não é para menos, já que os Correios resolveram encampar um grande projeto do tênis nacional e vão investir, a princípio, R$ 3.840.000 por ano na Confederação Brasileira de Tênis (CBT).

Esse tipo de apoio é algo jamais visto na história do esporte que Guga ajudou a disseminar no País. Espera-se, com isso, que alguns dos principais problemas do nosso tênis, como a formação de base, por exemplo, seja saneado e possamos criar, enfim, uma cultura de tênis, de onde, entre outras coisas, saiam novos talentos. O que esse patrocínio vai significar e como será empregado? Para responder, ninguém mais apto que o presidente da CBT, Jorge Lacerda.
Por quanto tempo é o contrato de patrocínio dos Correios?
Por 12 meses, com cláusula de prorrogação de até 60 meses. A cada ano pode ir auto-renovando e pode aumentar ou reduzir o valor - dependendo do trabalho que for feito -, que atualmente é de R$ 3.840.000 por ano, dividido em 12 parcelas. E consta que pode aumentar até 25% do valor a cada ano. Se trabalhar certo, pode dobrar esse valor em quatro anos.
Qual o objetivo dos Correios com isso?
O objetivo deles é investir na Confederação para fazer base. Essa é a grande diferença dos Correios. Quando ele investe, investe na base. Isso é legal. A gente considera a melhor estatal para se trabalhar, pois, além de ela trabalhar com esse ideal de base, há a credibilidade e a continuidade que eles têm nos contratos. A natação está há mais de oito anos com os Correios.
"O objetivo deles é investir na Confederação Brasileira de Tênis para fazer base. Essa é a grande diferença dos Correios. Quando ele investe, investe na base"
Então há um plano de investimentos?
Sim, há um plano de trabalho, todo especificado, de onde vai gastar o dinheiro. Apresentamos um projeto e tem especificado os valores para cada item. Se for alterar algo, precisa pedir uma retificação. É dinheiro "carimbado". Não é livre para gastar onde quiser.
Como vai ser a distribuição disso?
Tênis comunitário, eventos de infantojuvenil, equipes de transição e equipes permanentes, capacitação de professores e árbitros, torneios profissionais nacionais e internacionais, assessoria de imprensa e divulgação. Estes são alguns dos itens. Na verdade, é um programa que estamos tentando vender há três anos, "O Tênis que o Brasil merece". E agora eles encamparam este projeto.
O que significa para o tênis a conquista deste patrocínio?
Acho que o que resume tudo foi a credibilidade que o tênis readquiriu. Tênis, que eu digo, é a Confederação. Antes, o tênis, o tenista e a Confederação pareciam que eram coisas diferentes. Agora o pessoal está começando a entender que a Confederação está ali para ajudar a fomentar o tênis. Qual foi a resposta que sentimos na mídia depois da divulgação? Credibilidade. Agora temos que gastar da forma certa e estamos buscando mais investidores. Na hora que entrou os Correios, as empresas começaram a se interessar, em procurar a CBT. Antes estava difícil conseguir falar com uma empresa. Hoje não, já tem gente procurando para saber quais os projetos que temos. Isso se deve à credibilidade que fomos adquirindo, mesmo sem ter uma situação financeira boa. Ainda temos algumas dívidas, que vamos ter de pagar, mas não dá para pagar com esse dinheiro. Com esse dinheiro não pode pagar dívida.
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