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Vim, joguei e venci!
A contusão da grande estrela do Grand Champions Brasil, Pete Sampras, fez com que o torneio fosse adiado. E, recuperado, o norte-americano mostrou que não veio à toa

Por Arnaldo Grizzo


Luiz Cândido/Alpha Imagem

13 de maio. Uma semana antes do início do Grand Champions Brasil, que anunciava a presença de Pete Sampras pela primeira vez no País, surge uma notícia devastadora: "Ele não vem mais!" Uma contusão nas costas sofrida durante outro torneio-exibição deixaria a grande estrela de molho por um mês. Porém, da tragédia logo se seguiu um alento: "O torneio será adiado em um mês!" Pronto. Os brasileiros poderiam ficar tranqüilos, pois veriam o norte-americano de perto, sim.

O tempo passou, com muita gente ainda duvidando da vinda e das condições dele, é verdade, mas, no fim, Sampras não só apareceu, como jogou e jogou muito. O norteamericano mostrou que, mesmo longe do circuito profissional há mais de cinco anos, seu nível ainda está muito alto. O saque, principal arma de seu jogo, continua tão mortal quanto antes. A exuberância dos voleios, com precisão e toques de classe, é incrível. O instinto de antecipação na devolução de saque, especialmente para atacar o segundo serviço adversário, se manteve. A direita na corrida em contra-ataque, quando as pernas deixam, segue devastadora.

Fora isso, Sampras continua extremamente sério e focado. É uma exibição? É, mas nem por isso ele quer fazer gracinhas. O único jeito que ele aprendeu a se exibir é dando o seu melhor e vencendo. Se o adversário quiser bancar o engraçadinho, tudo bem, o norte-americano simplesmente passa como um trator sobre ele, destilando jogadas plásticas com saque-e-voleio, bate-pronto, winners e o que mais lhe convir para ganhar. Fernando Meligeni, Marc Groellner e Thomas Muster que o digam.

No primeiro dia, Fininho entrou um pouco brincalhão, porém, em pouco tempo percebeu que a diversão de Sampras era fazê-lo correr de um lado para outro da quadra para ganhar o primeiro set. Se não jogasse sério, o brasileiro tomaria uma aula. Com o norte-americano se poupando um pouco e Meligeni mais centrado, Fino venceu a segunda parcial. No match-tiebreak, contudo, a precisão do saque de Pete falou mais alto.

Um dia antes, na coletiva de imprensa, o brasileiro já havia antecipado o seu sofrimento em tentar responder o saque de Sampras. Por que ele é considerado o melhor sacador de todos os tempos? Qual a grande dificuldade de seu saque? "É o único jogador que você não sabe onde vai sacar. Por ele colocar a bola sempre no mesmo lugar no momento do toss, fica muito difícil você adivinhar. Só dá para saber quando a bola passa a rede. Aí já é tarde", comentou Meligeni. Depois do jogo, perguntado como se sentiu ao tentar pegar o saque do norte-americano, ele replicou: "Como um goleiro no pênalti".

Melhor ainda por vir

Apesar da boa apresentação contra Fininho, Sampras admitiu que ainda não estava 100% e sentiu um pouco as costas. A preocupação com o estado de sua lombar, entretanto, foi logo dissipado com uma apresentação magistral no dia seguinte diante do meio-brasileiro meio-alemão Marc Groellner, desconhecido da maioria do público. Nascido no Rio de Janeiro, este filho de diplomata alemão foi campeão da Copa Davis pela Alemanha em 1993, em um time que tinha Michael Stich. Diante de Goellner, Sampras, sem medo das dores, exibiu o melhor do estilo saque-e-voleio. Foi uma partida rápida, mas extremamente bem jogada. Pelo visto, a mãos de Gary Kitchell, preparador físico de Pete, são mesmo mágicas.

Por fim, o norte-americano enfrentou Muster. Se em 1996, no fatídico confronto da Davis contra o Brasil, também em São Paulo - em que abandonou a partida de duplas tamanha a hostilidade da torcida - o austríaco não ficou com uma boa impressão do País, ao menos agora o público riu muito com suas brincadeiras. Assumindo o papel de palhaço, Muster tentou tirar um pouco da seriedade de Sampras. Conseguiu poucos sorrisos e nada mais. Enquanto isso, no outro grupo de jogadores, quem se destacava era Marcelo Ríos. Assim como Sampras, o chileno continua mostrando em quadra, e fora dela, boa parte das características que o consagraram. A habilidade na canhota, o raciocínio rápido, a improvisação e até mesmo a displicência dos golpes continuam suas marcas registradas. No entanto, nem mesmo os anos de aposentadoria o deixaram menos intragável e antipático.

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