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Revista Tênis  
 

Os segredos do saque de Andy Roddick
Por que o norte-americano possui o serviço mais rápido do mundo? Com a análise biomecânica de seus movimentos respondemos a esta questão e ainda damos dicas para melhorar o seu saque

Por Ludgero Braga Neto


O saque é o único golpe em que o tenista só depende dele mesmo. Contudo, executar um serviço não é das tarefas mais simples que há no tênis. Enquanto uma mão deve ser levantada lentamente, com a finalidade de colocar a bola no ponto ideal de contato, a outra, que segura a raquete, deve movimentar-se rapidamente em um padrão complexo para golpeá-la, combinando potência e precisão. Assim, os braços - além de prescreverem padrões de movimento e ritmos diferentes -, também devem sincronizar-se aos movimentos dos membros inferiores e do tronco.

É complicado, mas a técnica do saque é essencial para o jogo, ainda mais quando um dos mais antigos ditados do tênis para determinar a qualidade de um jogador diz: "um tenista é tão bom quanto seu segundo serviço". Para ajudá-lo a compreender e dominar esta arte, trazemos uma análise biomecânica do golpe do maior sacador do tênis atual, o norte-americano Andy Roddick, que já anotou 249,4 km/h no saque mais rápido do mundo até hoje. Que características tornam este golpe tão potente e como executar um bom serviço? Acompanhe passo a passo cada etapa.

fotos: Arnaldo Grizzo<
Nesta fase, utilizando a empunhadura Continental, Roddick está pronto para iniciar seu característico "Big Serve", golpe que colaborou muito para colocá-lo e mantê-lo quase sempre entre os dez melhores tenistas do mundo. Repare como o pé da frente posiciona-se aproximadamente a 45º em relação à linha de base e o pé de trás fica paralelo à linha.

Contudo, o afastamento entre os pés poderia ser proporcional à distância entre os ombros, como se observa na maioria dos tenistas (detalhe 1). Esta posição mais afastada oferece maior estabilidade para o jogador realizar o balanço: movimento que consiste em iniciar o saque com o peso do corpo mais concentrado no pé da frente, transferindo-o para o pé de trás e, posteriormente novamente para frente em direção à bola.

Apesar de não realizar o balanço de forma acentuada, veremos - nas próximas fases - que Roddick o substitui por um excelente giro de tronco, além da ação efetiva dos membros inferiores, através do ciclo de flexão/extensão dos joelhos.

FASE 2 - Toss (lançamento da bola)
É importante que executar o lançamento de maneira precisa, já que o saque é o único golpe no tênis em que o jogador tem a chance de posicionar a bola para golpeá-la. Lembre-se de que, se errar o toss, as regras lhe permitem abortar o saque e iniciá-lo novamente.

Para que a execução seja consistente, tente não flexionar cotovelo e punho. Faça o lançamento apenas com o movimento do ombro, uma articulação mais estável e mais fácil de ser controlada. Utilize os dedos para lançar a bola, pois eles são mais sensíveis do que a palma da mão (detalhe 2). O cotovelo estendido durante o toss evita que o tenista lance a bola para trás, o que o impediria de realizar a transferência de energia do corpo para a bola.

Repare que durante o lançamento, Roddick já iniciou o giro do tronco para trás, que será uma importante alavanca para gerar potência. No instante em a bola sai da mão dele, a cabeça da raquete já está posicionada acima de sua cabeça, e esta é uma característica durante a mecânica deste golpe que o difere da maioria, pois, na maior parte dos tenistas, a cabeça da raquete está posicionada próxima à altura da cintura (detalhe 3). Esta antecipação, apesar de quebrar o ritmo do saque, pode ser compensada por contrações musculares extremamente rápidas (explosivas) nas fases seguintes.

detalhes: Ron Angle/TPL
detalhes: Ron Angle/TPL
detalhes: Ron Angle/TPL
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