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Revista Tênis  
 

CONTOS, HERÓIS E MITOS BAIANOS
Histórias de superação, grandes surpresas e conquistas marcantes de quem se consagrou em Sauípe


QUEM ACOMPANHA o Brasil Open desde sua primeira edição, em 2001, já pôde ver partidas memoráveis. Quem não se lembra da vitória de Guga sobre Guillermo Coria em 2002? E contra Agustin Calleri em 2004? Viu ainda campanhas incríveis de qualifiers. Gaston Etlis em 2003, Peter Luczak em 2005 e Olivier Patience no ano passado, chegaram às semifinais! Assistiu à aurora de um grande campeão. Rafael Nadal começou uma série de 11 títulos rumo ao segundo lugar no ranking mundial, com a vitória na Costa do Sauípe em 2005. Enfim, quem acompanha o torneio tem muitas histórias para contar.

O primeiro Brasil Open ocorreu durante o auge de Gustavo Kuerten. E esta primeira edição reservou boas surpresas. Estreando um dia após seu aniversário (10 de setembro), o catarinense perdeu para um garoto pouco conhecido do público, Flávio Saretta, que foi convidado pela organização. Sem Guga, quem brilhou foi Fernando Meligeni, que chegou à final e era favorito contra o tcheco Jan Vacek. Fininho venceu o primeiro set, mas não agüentou e tomou a virada mesmo com todo o apoio da torcida. Melhor para Vacek, que ganhou seu primeiro e único torneio ATP na carreira.

João Pires João Pires
Guga, o único bicampeão. Um protegido dos orixás?  
João Pires João Pires
Nadal (ao lado) levou a taça logo na primeira vez. Calleri (acima) fez uma emocionante final com Guga em 2004 Massú voltou a viver em Sauípe a alegria de conquistar um título depois da Olimpíada

Se Meligeni não conseguiu ficar com o título, Guga não o deixaria escapar no ano seguinte. Mesmo se recuperando de sua primeira cirurgia no quadril e jogando sobre cimento (piso que não é seu predileto), o "Manezinho" mostrou por que havia sido número um do mundo e foi à final contra Coria. Na época, o argentino - que chegou a ser terceiro do ranking - ainda não havia despontado, mas alcançou a decisão com grande facilidade. E este embate entre Brasil e Argentina pelo campeonato teve ares dramáticos. Coria venceu o primeiro set no tiebreak. Guga fechou o segundo com uma quebra e, no terceiro, precisou defender um match-point para selar a partida no desempate e levar a platéia ao delírio.

Em 2003, a má fase de Guga preocupava o público. Mas o pupilo de Larri Passos estava decidido a dar nova alegria aos brasileiros. Sem dificuldades, foi à semifinal. No entanto, para chegar à decisão, precisava passar pelo cabeça-dechave número um, o alemão Rainer Schuettler, em excelente fase.

Kuerten chegou a sacar em 5/4 no terceiro set, mas o sangue-frio do alemão prevaleceu. Do outro lado da chave, o holandês Sjeng Schalken não precisou se esforçar demais para passar pelo argentino Gaston Etlis na semifinal. Etlis furou o qualifying e fez mais três jogos de três sets na chave antes da partida contra Schalken. Resultado: desistiu ainda no segundo set. Na decisão "Schu X Scha", o holandês de 1,93m conquistou o último título de sua carreira.

SAIBRO E POEIRA
O ano seguinte foi marcado por grandes mudanças. Em 2004, o Brasil Open passou a ser disputado em saibro e integrou a Gira Latina, que reúne ainda os torneios de Viña del Mar, Buenos Aires e Acapulco, no começo do ano. E nada melhor do que a terra batida para reanimar um tricampeão de Roland Garros. Guga parecia que estava realmente recuperado do problema no quadril e havia tido um bom início de temporada. No entanto, ele precisou mais do que nunca do apoio da torcida para levantar seu segundo troféu em Sauípe. Logo na estréia, o catarinense virou o jogo contra o espanhol Oscar Hernandez. Nas quartas, fez uma tensa partida contra o argentino Franco Squillari e conseguiu outra virada heróica, comemorada ao som do hit "Poeira" de Ivete Sangalo. Mas as melhores emoções ficaram para a final.

Em mais um confronto Brasil e Argentina, Kuerten enfrentou Agustin Calleri. A partida começou na noite de sábado. O argentino venceu o primeiro set com facilidade e a arena, lotada, ficou tensa. Guga iniciou o segundo set na frente e levantou a torcida. Na metade da parcial, começou a garoar. No princípio, uma chuvinha leve, mas insistente. Calleri, atrás no placar, reclamava com o árbitro por não interromper a partida. Contrariado, cedeu o empate ao brasileiro. Nesse momento, a garoa já se transformara em uma torrente e, enfim, o jogo foi interrompido. A chuva não cessou e a final só continuou no domingo. Descansado, Guga não deu chances ao argentino e conquistou o bicampeonato na Bahia.

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