Tensão no Estádio Olímpico de Moscou. Com exceção de um grupo barulhento de uns 100 argentinos, entre eles Diego Maradona, as quase 10 mil pessoas, sobressaltadas, viam o ídolo Marat Safin permitir a reação do valente José Acasuso, que depois de estar perdendo por 1 a 4, sacaria para tentar empatar em 4 a 4 no terceiro set. Acasuso, 24 anos, 27o no ranking mundial, ainda invicto na Davis, batia forte, com confiança e àquela altura parecia capaz de derrotar Safin e dar à Argentina e à América Latina o seu primeiro título na mais importante competição por equipes do tênis.
Mas, provavelmente depois de se conscientizar da importância do momento, Acasuso, o "Chucho" - que só agora, aos 24 anos, chega ao auge do seu tênis -, não suportou a pressão. Jogou o seu pior game na partida e perdeu o serviço sem marcar um ponto. Em seguida, Safin fechou o set em 6/3 e a partir daí, mesmo aparentemente equilibrado, o quinto jogo do confronto entre Rússia e Argentina, pela Copa Davis, já tinha escolhido o seu final.
Com alguma dificuldade para se movimentar, no quarto set Safin priorizou manter o seu serviço e arrastar a partida até o tiebreak. Recuperando-se de uma cirurgia no joelho, o russo ainda estava mais desgastado por ter jogado nos dois dias anteriores do confronto e usava sua experiência para cozinhar o entusiasmado Acasuso, que por sua vez, ou por sentir uma contusão no pé direito, ou por não perceber a tática do adversário, optou pela mesma estratégia. O resultado foi um set inusitado, em que o sacador fechava o game sem perder nenhum ponto (nos 12 games disputados até o tiebreak, apenas três pontos foram vencidos pelo recebedor).
Safin conseguiu o primeiro minibreak com uma ousada paralela de esquerda, fazendo 3 a 1. Acasuso devolveu a quebra com uma bola na linha, mas numa troca de bolas que poderia lhe dar o empate em 6 a 6, jogou uma direita na rede que fez Safin erguer os braços e, com um sorriso, procurar os abraços emocionados da equipe russa. O argentino voltou para o banco, abaixou a cabeça e chorou muito. Tinha perdido uma oportunidade única de se imortalizar na história do tênis.

"Fizemos uma grande partida. Ele jogou muito bem, mas talvez tenha sentido a pressão em alguns momentos", disse Safin de seu adversário. O ídolo russo acrescentou que ganhar a Copa Davis foi a melhor coisa que lhe aconteceu nos últimos dois anos e elogiou Dmitry Tursunov: "Apesar de ter jogado apenas nas duplas, foi o destaque da nossa vitória, pois jogou seu melhor tênis e acabou com todas as dúvidas sobre a sua capacidade de participar desta final".
Heróis e vilões
A escolha de Safin para fazer o quinto jogo consagrou o jogador e o capitão russo Shamil Tarpischev, mas não foi uma decisão fácil. Safin havia perdido na sexta-feira para David Nalbandian por triplo 6/4, e no sábado, ao lado de Dmitry Tursunov, vencera Nalbandian e Agustin Calleri por 6/2, 6/3 e 6/4. Uma opção seria substituí-lo pelo descansado Mikhail Youzhny, 24 anos, 24o no ranking, herói do primeiro título de Copa Davis da Rússia, em 2002. Mas o sofrível retrospecto de Youzhny em quadras de carpete não o credenciou para a partida.
Do lado argentino, o capitão Alberto Mancini também viveu dúvidas e pressões. Muitos não concordaram com a escalação de Juan Ignácio Chela, 27 anos, 33o na ATP, que abriu o confronto contra Nikolay Davydenko, 25 anos, terceiro do ranking. Mancini confiou no tabu que Chela mantinha contra o russo - cinco vitórias em cinco jogos. Mas em Moscou Davydenko ditou o ritmo da partida, vencendo sem maiores dificuldades por 6/1, 6/2, 5/7 e 6/4.
Mancini só não teve dificuldade para escolher o primeiro tenista - David Nalbandian, 25 anos a serem completados no dia 1o de janeiro, oitavo do ranking, um dos mais completos do circuito.
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